Análise da Banca do Concurso de Diplomata: História

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    Clipping
    30/08/2016 . 7 min de leitura

Análise da banca de terceira fase do CACD do concurso : História.

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O Clipping CACD falou anteriormente da importância de entender a produção bibliográfica de Francisco Doratioto, membro da banca do concurso de admissão à carreira de diplomata (CACD) nos últimos anos. Se você não viu esse post, confira aqui> neste link

Neste post falaremos sobre Antônio José Barbosa nos seguintes tópicos:

1. Quem é Antônio José Barbosa?

2. O que é uma questão com o selo Antônio Barbosa de qualidade?

3. Que textos de Antônio José Barbosa devo ler?

Concurso-diplomata-bibliografia

Se esse artigo te interessou, não deixe de dar uma olhada neste artigo do Clipping sobre Francisco Doratioto, outro membro constante da banca de História do Concurso

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1. Quem é Antônio José Barbosa?

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Ele é o Professor do Departamento de História da UNB que, no concurso de admissão à carreira de diplomata de 2015, assumiu o lugar cativo de Antônio Lessa na banca de terceira fase da prova de História do Brasil. A presença de Antônio José Barbosa na banca em 2015 já havia sido cantada pelo Clipping CACD ( veja este post ) e como previsto ensejou uma mudança significativa nos parâmetros do que vinha sendo cobrado até então. Falaremos disso logo adiante.

Por hora vale lembrar sobre como duas de suas teses tem um viés voltado para a política externa com destaque para o papel do Parlamento.

  • O parlamento e a PEB brasileira em 1961-1967 (doutoramento)
  • O Brasil e a questão cubana – Punta del Este (mestrado)

Detalhe: vale lembrar que ninguém menos do que Sombra Saraiva, outro membro da banca foi seu orientador na teste de doutoramento sobre o papel do Parlamento na política externa. 

2. O que é uma questão com o selo Antônio Barbosa de qualidade?

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É difícil dizer. Se é óbvia a predileção de Doratioto por temas relacionados à política imperial no Prata, no caso de Antonio Barbosa, que só participou da banca do concurso de diplomata de 2015, não há ainda dados suficientes para deduzir um padrão nas questões por ele formuladas.

Fato é que, se até o concurso de diplomata de 2014 a ênfase da banca de História de terceira fase era temas afetos diretamente à política externa, com a presença de Antônio José Barbosa na banca passamos a observar a volta de temas relacionados à política interna, mais especificamente à dinâmica institucional e dos partidos políticos no Brasil. Vejamos algumas supostamente formuladas por Antônio Barbosa no CACD 2015:

 questao-diplomata-historiaquestao-diplomata-historia-2

É nítida a predileção do autor por temas relacionados à política interna, mais especificamente às dinâmicas entre Poder Legislativo e Poder Executivo ao longo da história do Brasil, sobretudo após 1945. Especula-se que a presença de Antônio Barbosa no lugar de Lessa tenha tido um impacto imenso no resultado final do concurso, na medida em que favoreceu candidatos novatos em detrimento de candidatos veteranos.

Por quê? Bom, é mera especulação, mas muito se fala sobre como  temas relacionados à política interna tendem a estar mais frescos na cabeça de candidatos novatos que se dedicaram recentemente a bibliografias mais elementares do concurso enquanto os veteranos buscam aprofundamento em política externa brasileira, já com foco na terceira fase.

Assim, acredita-se que muitos veteranos que apostaram no aprofundamento em História do Brasil tenham saído em desvantagem relativa na prova do ano passado, tendo em vista poucos veteranos estavam preparados para abordar de forma estruturada questões mais básica e cujas respostas poderiam facilmente ser encontradas nas páginas dos manuais mais consagrados de História do Brasil, como o História do Brasil, de Bóris Fausto. Nesse sentido é que se diz que no CACD 2015 quem se aprofundou menos em História do Brasil acabou saindo em vantagem. Vale ressaltar que tudo isso é uma especulação e que não há base empírica para a confirmação dessa hipótese.

3. Que textos de Antônio Barbosa devo ler ?

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Trata-se de outra pergunta complicada. Ao contrário da bibliografia produzida por membros da banca de História como Sombra Sarativa e Francisco Doratioto, a bibliografia de Antônio Barbosa não é de tão fácil acesso. O Clipping teve dificuldade de encontrar textos mais recentes sobre o Prof.. No entanto, abaixo fica uma referência que, na medida do possível, devem merecer uma passada de olhos dos candidatos.

ATUALIZAÇÃO DO POST: Esse post foi publicado pelo Clipping em 30 de agosto de 2016, às vésperas da prova do concurso e de certa forma adiantou a seguinte questão que caiu naquele ano na prova de História:  

Se é complicado encontrar textos, por outro lado, há alguns vídeos separados pelo Clipping abaixo podem ajudar o candidato a compreender conceitos chaves que balizam a obra de Antônio Barbosa.

ATENÇÃO:  Para cada vídeo abaixo, há um contexto e o  tom do autor é adequado a esse contexto específico. Deve o candidato fazer a sintonia fina e triar o que pode ser aproveitado para uma prova de terceira fase para um concurso de admissão à carreira de DIPLOMATA

Para o candidato que não tem paciência de ver o vídeo na íntegra o Clipping triou as principais ideias e conceitos explorados pelo autor:

> Começo do vídeo:

 O Prof. fala sobre como a história política do Brasil é marcada por crises e também sobre como essas crises não necessariamente devem ser compreendidas como algo negativo por si. Para o Prof Antônio Barbosa,  o período pós Getulio Vargas tem um caráter pedagógicopara a construção da democracia, na medida em que o pais se industrializa e urbaniza e na medida em que esse processo tem reflexos políticos (maior participacao das classes medias na politica).

>> Aos minutos 2:45:

O Prof. fala sobre como é uma chaga política no Brasil a confusão entre público e privado. E fala sobre como essa chaga é  uma herança da colonização. O Prof. avança falando da dificuldade do brasileiro de entender o poder público como conjugação de várias instâncias e a consequente tendência a ver o poder somente no Poder Executivo. Para o Prof. a política deveria ser a praticada mais no âmbito do Estado em si, que não se confunde com o  poder executivo.

>>> Aos minutos 8:00:

O Prof. fala sobre como a reforma política é um tema mais longevo na nossa História e de como o próprio Imperador, ainda na segunda metade do século XIX, falava sobre como não seria possível governar o Brasil sem uma reforma política.

>>>> Aos minutos 9:40

Para o Prof. existe uma grande vitoria que a história contemporânea trouxe para a sociedade que é a consolidação do papel dos parlamentos na política. Além disso, o Prof. fala sobre como os parlamentos de forma geral acompanham as transformações da sociedade moderna. E sobre como hoje os debates são feitos nas comissões técnicas dos parlamentos e sobre como hoje o papel dos parlamentos é muito mais técnico e menos retórico do que em tempos passados.

>>>>> Aos minutos 14:00

Prof. fala do problema histórico no Brasil que é “hipertrofia do poder executivo”. E sobre como no passado recente por diversas vezes legislativo “abdicou dos seus espaços de atuação” em detrimento do poder executivo. Um exemplo dessa abdicação é que boa parte dos atores que comandaram o processo constituinte eram parlamentaristas , no entanto, introduziram na CF a Medida Provisória, que é um instrumento que potencializa  a “hipertrofia do poder executivo”

—fim da síntese do vídeo—

Um outro vídeo que talvez mereça a atenção do candidato não é na verdade um vídeo, mas um áudio de uma palestra em que o Prof. Antônio Barbosa fala sobre a evolução das instituições políticas no Brasil. Vale mencionar que esse vídeo é recente e data de Outubro de 2015. Nele, o Prof. abre a palestra aos 5:00 minutos falando sobre como a Camara municipal é a herança institucional mais antiga do Brasil herdada de Portugal. E faz dessa constatação um mote para um overview sobre a evolução das instituições no Brasil, com destaque para a consolidação do papel do parlamento na História do Brasil

Fica abaixo a referência.

Vale atentar para uma ponto em que, aos 44:40 minutos do vídeo, o Prof. diz>

Em toda a história republicana brasileira as crises nunca foram criadas no Parlamento. E quando são solucionadas o são dentro do Parlamento.

Trata-se de uma tese no mínimo polêmica sobretudo se pensado o momento atual. Mas que revela a importância que Antônio Barbosa atribui ao papel do Parlamento na História do Brasil. E isso deve ficar bem claro para o candidato que está indo para a terceira fase.

Lembrando que você está na terceira fase e tem mil e uma prioridades, talvez investir na bibliografia do Antonio Barbosa não seja uma delas. Consulte seu professor em relação a isso. Mas ficam aí esse post para que dele você faça um bom proveito.

Se você achar que este post pode ajudar um amigo seu que está estudando para o CACD e é assinante do Clipping, compartilhe com ele.

 


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