As canções brasileiras mais regravadas de todos os tempos

  • André Bernardo
    André Bernardo
    17/09/2020 . min de leitura
canções brasileiras famosas

Especialistas ajudam a explicar por que a música do nosso país faz tanto sucesso no exterior

Você pode até não saber o que significa “mulato inzoneiro”. Ou, então, o que quer dizer “merencória luz da lua”. Mas, já deve ter ouvido falar de Aquarela do Brasil (1939), não? Composta por Ary Barroso (1903-1964), ela é uma das músicas brasileiras mais conhecidas e executadas do mundo. Segundo o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (ECAD), Aquarela do Brasil é a canção brasileira recordista em regravações. São, ao todo, 404 versões. Por aqui, Francisco Alves (1898-1952), Tom Jobim (1927-1994), Wilson Simonal (1938-2000), Elis Regina (1945-1982) e Erasmo Carlos, entre outros, já cantaram as belezas de um Brasil “lindo e trigueiro”. Lá fora, o samba-exaltação de Ary Barroso foi gravado por Frank Sinatra (1915-1998), Bing Crosby (1903-1977), Ray Conniff (1916-2002), Paul Anka e Plácido Domingo. Quer mais? Aquarela do Brasil ainda figura na trilha-sonora de produções de Walt Disney (1901-1966), Alfred Hitchcock (1899-1980), Woody Allen, Martin Scorsese e Hector Babenco (1946-2016). “A inclusão de Aquarela na trilha de um desenho da Disney, o Alô, Amigos (1942), abriu as portas dos EUA para o Ary Barroso e transformou sua canção em sucesso internacional. No entanto, boa parte deste sucesso se deve ao arranjo magistral do pianista Radamés Gnattali (1906-1988)”, analisa o crítico musical Ricardo Cravo Albin.  

E pensar que tudo começou em uma noite chuvosa de 28 de fevereiro de 1939. Sem poder sair de casa por causa do temporal que castigava o Rio, Ary Barroso sentou-se ao piano e começou a tocar alguns acordes. Dali a pouco, levantou-se com a letra e música praticamente prontas. A primeira pessoa a ouvir sua obra-prima foi o cunhado. “O coqueiro que dá coco? Mas, o que você queria que um coqueiro desse, meu rapaz?”, desdenhou o sujeito. Ary Barroso não ligou. Estava feliz por ter conseguido compor um samba que libertava o gênero das “tragédias da vida”. 

A letra de Aquarela, porém, não foi vista com bons olhos pelo Estado Novo. O Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), órgão criado pelo então presidente Getúlio Vargas, implicou com o trecho que diz “terra do samba e do pandeiro” por considerá-lo “depreciativo”. Por causa do tom nacionalista de alguns versos, Ary foi taxado de “ufanista”, “patriótico” e “apologético”. Um de seus críticos mais ferrenhos foi o maestro Heitor Villa-Lobos (1887-1959). Em janeiro de 1940, chegou a desclassificar Aquarela do Brasil de um concurso de músicas carnavalescas. “Carnaval não é festa para manifestações cívicas”, alegou Villa-Lobos, para a tristeza do compositor. 

Por outro lado, Aquarela tinha admiradores ilustres. O cineasta Walt Disney era um deles. Em agosto de 1941, o ‘pai’ do Mickey Mouse veio ao Brasil, divulgar o filme Fantasia (1940). Ele estava hospedado em um hotel de Belém, do Pará, quando notou que o conjunto musical só tocava canções estrangeiras. Intrigado, pediu ao mastro que executasse alguma música brasileira. O pianista, então, arriscou a introdução de Aquarela do Brasil. O tão esperado encontro entre Disney e Ary se deu dali a alguns dias em um coquetel promovido pelo Consulado dos EUA no Hotel Glória, no Rio. 

Ficheiro:Ari Barroso with Walt Disney and wife Rio de Janeiro Brazil  1942.jpg – Wikipédia, a enciclopédia livre
Walt Disney e Ary Barroso no Rio de Janeiro em 1942.

O irreverente Zé Carioca, um típico malandro do Rio de Janeiro, fez tanto sucesso em Alô, Amigos (1942) que voltou a tamborilar sua caixa de fósforos em Você já foi à Bahia? (1944). Disney gostou do trabalho de Ary e o convidou para se mudar para Hollywood, na Califórnia (EUA). Se aceitasse, seria o diretor musical da Walt Disney Productions. Seria porque, rubro-negro fanático, Ary declinou do convite. “Because don’t have Flamengo here”, explicou, em inglês macarrônico. “Se Orestes Barbosa (1893-1966), Aldir Blanc (1946-2020) ou Chico Buarque tivessem nascido em outro país, dificilmente teriam feito músicas tão ricas e belas. Eles não teriam a ‘ferramenta’ perfeita para expressar suas histórias, seus personagens, seus amores. Apesar do que tem sido feito ultimamente, a música brasileira ainda é muito respeitada no exterior”, avalia o produtor musical João Carino, presidente do Instituto Memória Musical Brasileira (IMMuB).  

Um furacão chamado Carmen Miranda

Uma das centenas de gravações de Aquarela do Brasil foi imortalizada na voz macia de Carmen Miranda (1909-1955). Foi na comédia musical Entre a Loura e a Morena (1943). Apelidada de “A Pequena Notável” pelo radialista César Ladeira (1910-1969) por causa de sua baixa estatura (1,52m), Maria do Carmo Miranda da Cunha nasceu em Portugal, cresceu no Brasil – dos seis aos 16 anos, morou no boêmio bairro da Lapa, no Rio – e, em 1939, fixou residência nos EUA. Lá, a ‘Brazilian bombshell’ vendeu 10 milhões de discos, estrelou 14 filmes e ganhou estrela na Calçada da Fama. 

Imagem publicitária do filme “Uma Noite no Rio” de 1941

Em março de 1940, a cantora de turbantes exóticos e gestos sensuais se apresentou para o presidente Franklin Roosevelt, em Washington. O compositor Assis Valente (1911-1958) registrou o episódio na letra de Brasil Pandeiro (1940): “O Tio Sam está querendo conhecer a nossa feijoada / Está dizendo que o molho da baiana melhorou o seu prato / Vai entrar no cuscuz, acarajé a abará / Na Casa Branca, já dançou a batucada com ioiô e iaiá”. Viciada em soníferos e estimulantes, Carmen Miranda morreu aos 46 anos, de um ataque cardíaco fulminante. 

“Por causa de seus filmes, Carmen fez um sucesso estrondoso nos EUA. Uma verdadeira explosão! Entre 1940 e 1948, ela foi extraordinariamente popular. No Brasil, era uma grande cantora. Nos EUA, uma verdadeira personalidade! Carmen Miranda é a brasileira mais famosa do século 20 e a mulher mais imitada de todos os tempos. Quando morreu, em 1955, começou a ser esquecida. Mas, hoje, tornou-se cult”, analisa o jornalista e escritor Ruy Castro, autor de Carmen – Uma Biografia (2005). 

Ah, se tu soubesses como sou tão carinhoso…

Se a campeã das dez mais fez sucesso no exterior, o mesmo não se pode dizer da segunda colocada. Carinhoso (1924), de Alfredo da Rocha Viana Filho (1898-1973), o Pixinguinha, teve 403 versões, uma a menos que Aquarela do Brasil. “Não consigo entender porque o choro, ou chorinho como preferia chamar o Pixinguinha e o Vinícius, não fez sucesso como o jazz ou o tango. Os três são oriundos da música instrumental, com a mesma origem histórica e geográfica”, explica o produtor musical João Carino. “Muito sofisticado, o choro, com melodias incríveis, harmonias perfeitas e quase todos sem letra, fez pouco sucesso lá fora. Tico-tico no fubá (1917), de Zequinha de Abreu (1880-1935), é, talvez, uma das únicas representantes do gênero no exterior”. 

Pixinguinha e Vinícius de Moraes no Teatro Municipal / 1968 / Reprodução – Acervo O Globo

O nome artístico de Pixinguinha nasceu da fusão de dois apelidos de infância: “Pizindim”, dado pela avó, que significa “menino bom”; e “Bexiguinha”, por causa da varíola. Sua canção mais famosa foi composta em 1916, mas só ganhou os versos de Braguinha (1907-2006), o João de Barro, em 1937. O primeiro artista a gravá-la foi Orlando Silva (1915-1978). Logo, vieram outros: Nelson Gonçalves (1919-1998), João Gilberto (1931-2019), Elis Regina, Caetano Veloso e Marisa Monte. 

Pixinguinha morreu em 17 de fevereiro de 1973, um domingo de Carnaval, na Paróquia Nossa Senhora da Paz, em Ipanema. Do lado de fora da igreja, a banda de Ipanema, quando soube de sua morte, começou a tocar Carinhoso em sua homenagem. “De todas as manifestações artísticas e culturais brasileiras, nenhuma delas é tão conhecida e respeitada no exterior quanto a nossa música. Ela é simplesmente formidável, magnífica e excepcional. Espero que, algum dia, o Brasil esteja à altura de sua trilha-sonora”, afirma o historiador João Daniel Lima de Almeida. 

A santíssima trindade da bossa-nova

Curiosamente, sambas como Aquarela do Brasil e choros como Carinhoso não são regra no ranking das mais regravadas de todos os tempos. Das que mais versões ganharam, sete são do gênero bossa-nova: Garota de Ipanema (1962), Manhã de Carnaval (1959), Eu sei que vou te amar (1959), Wave (1967), Corcovado (1960), Chega de saudade (1958) e Desafinado (1959). Só Garota de Ipanema, o terceiro lugar na lista do ECAD – à frente de Asa branca (1947) e atrás de Carinhoso (1916) – foi regravada 392 vezes. O cover mais famoso é, provavelmente, o do cantor Frank Sinatra, de 1967, em dueto com Tom Jobim, um dos autores da canção, em parceria com Vinícius (1913-1980). Mas, há outros. A história da “menina / que vem e que passa / num doce balanço a caminho do mar” já foi cantada por astros e estrelas, como Ella Fitzgerald (1917-1996), Nat King Cole (1919-1965), Stevie Wonder, Madonna e Amy Winehouse (1983-2011). E nos mais variados idiomas: italiano (La ragazza di Ipanema), espanhol (La chica de Ipanema) e, acredite, até esperanto (Knabino el Ipanemo)! 

Se Aquarela do Brasil nasceu numa noite chuvosa de 1939, Garota de Ipanema veio ao mundo numa tarde ensolarada de 1962. Foi ali, na esquina das ruas Prudente de Moraes e Montenegro, que Tom e Vinícius, sentados numa mesa de bar, o Veloso, começaram a rabiscar os primeiros versos de Menina que Passa em um guardanapo de papel. Em 2 de agosto daquele ano, Tom, Vinícius e João Gilberto tocaram pela primeira vez a canção, já rebatizada de Garota de Ipanema, no restaurante Au Bon Gourmet, em Copacabana. Na ocasião, o Itamaraty autorizou o então diplomata Vinícius de Moraes a subir ao palco, mas impôs uma condição: não podia receber cachê. “A bossa-nova de Tom Jobim tornou-se muito mais popular internacionalmente que o samba de Ary Barroso”, afirma o jornalista americano Chris McGowan, autor do livro The Brazilian Sound (2014). “Enquanto Ary Barroso compôs uma ou duas canções mundialmente conhecidas, em parte por causa dos desenhos da Disney e das versões de Carmen Miranda, Tom Jobim criou dezenas e dezenas de clássicos. Eu diria que, hoje em dia, a música de Tom Jobim é tão difundida e amada quanto a dos Beatles”. 

Quando Astrud Gilberto gravou a versão original no álbum Getz/Gilberto (1964), logo apareceram dezenas de moças reivindicando para si o título de musa inspiradora de Garota de Ipanema. Mas, afinal, quem teria sido a verdadeira musa da canção? Quem elucidou o mistério foi Vinícius, em 1965: a “coisa mais linda / mais cheia de graça” era a estudante Heloísa Eneida Menezes Paes Pinto Pinheiro, de 17 anos. E, por falar em Getz/Gilberto, o álbum que reuniu o saxofonista Stan Getz (1927-1991) e o cantor João Gilberto ganhou quatro prêmios Grammy, incluindo o de Melhor Disco do Ano; vendeu, só em 1964, dois milhões de cópias; e ficou 96 semanas em segundo lugar na parada pop da revista Billboard, atrás somente do álbum A Hard Day’s Night (1964), dos Beatles. 

Capa do álbum Getz/Gilberto (1964)

Uma noite no Carnegie Hall

Três meses depois daquele show em Copacabana, Tom e João voltaram a se apresentar juntos. Dessa vez, em Nova Iorque. O concerto no Carnegie Hall, em 21 de novembro de 1962, contou com diversos artistas, como Luiz Bonfá (1922-2001), Roberto Menescal e Carlos Lyra, e entrou para a história por ter lançado a bossa-nova nos EUA. “O João Gilberto é o maior artista brasileiro de todos os tempos. Ele revolucionou a maneira de cantar e fazer música. João canta como quem conversa com o público. É um canto coloquial, minimalista. Não tem falsete, nem rococó. É o modernismo levado às últimas consequências. Ele influenciou Chico, Gil, Caetano…”, afirma o historiador João Daniel. 

Um dos apoiadores do histórico show no Carnegie Hall, em Nova Iorque, foi o Itamaraty que, além de financiar a viagem e a estadia dos músicos em Nova Iorque, ainda distribuiu café brasileiro para os cerca de três mil convidados, como os trompetistas Dizzy Gillespie (1917-1993) e Miles Davis (1926-1991) e o cantor Tony Bennett. As críticas, porém, não foram lá muito favoráveis: “Bossa, go home” foi a manchete de capa da revista The New Yorker. Quando soube que o show não tinha feito o sucesso esperado, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) divulgou uma nota, dizendo que não tinha qualquer relação com o evento. 

Mas, o sucesso da bossa-nova não ficou restrito aos EUA. Logo, se espalhou pelos quatro cantos do mundo. Na noite de 12 de setembro de 2003, João Gilberto, o ‘pai da bossa nova’, foi convidado a se apresentar, pela primeira vez, no Japão, para um público estimado de 20 mil pessoas. O que aconteceu lá, no Fórum Internacional de Tóquio, ao fim da apresentação, foi algo raro, nunca antes visto. “O produtor do espetáculo conta que, ao término do show, o João foi aplaudido, ininterruptamente, por 25 minutos. Vinte e cinco minutos, já imaginou? A certa altura, o João, de pé, começou a se curvar sobre o violão. O sujeito, então, correu para acudi-lo. ‘João, o que houve? Você está passando mal?’ ‘Não’, respondeu ele, ‘Eu quero ir embora e eles não deixam. Não param de bater palmas. O que eu faço?’”, relata o cantor, compositor e produtor musical Roberto Menescal, aos risos. O concerto deu origem ao álbum In Tokyo (2004), o último gravado por João Gilberto. 

Estrangeiros em sua própria terra

Dos cantores que participaram do histórico concerto no Carnegie Hall, em Nova Iorque, um deles seguiu uma carreira para lá de singular: Sérgio Mendes. Em 1964, ele se mudou para Los Angeles, na Califórnia, e nunca mais regressou ao Brasil. Aos 79 anos, o pianista e arranjador que já tocou com grandes nomes como Frank Sinatra, Stevie Wonder e Sarah Vaughan (1924-1990), entre outros, é do tipo que faz mais sucesso no exterior do que em sua terra natal. Ao longo da carreira, Sérgio Mendes chegou a ocupar, por duas vezes, o quarto lugar do hot 100 da revista americana Billboard: em 1968, com The Look of Love, e em 1983, com Never Gonna Let You Go. Em 2012, a canção Real in Rio, em parceria com Carlinhos Brown, concorreu ao Oscar, mas não levou a estatueta. “Sérgio Mendes adicionou um tempero pop à música brasileira e criou um som diferenciado que agradou em cheio ao público estrangeiro. Era um som comercial que vendia discos, mas era considerado cafona por alguns americanos”, avalia o jornalista Chris McGowan, de The Brazilian Sound (2014). 

Para o professor Ivan Vilela, do Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), Sérgio Mendes não é um caso isolado. Pelo contrário. A lista de cantores, compositores ou arranjadores que fazem mais sucesso lá do que cá é extensa: Eumir Deodato, Airto Moreira, Naná Vasconcelos, Egberto Gismonti… “Hoje em dia, infelizmente, as gravadoras espalham o que temos de pior pelo mundo”, lamenta o acadêmico, citando os casos do sertanejo universitário e do forró de “baixa qualidade” e “duplo sentido”. Dos cantores que fazem sucesso pelo mundo afora, destaca Milton Nascimento. “Com suas músicas, Bituca influenciou uma geração de artistas como o cantor Peter Gabriel, o guitarrista Pat Metheny, o pianista Herbie Hancock e o saxofonista Wayne Shorter. Os integrantes do Earth, Wind & Fire, por exemplo, só descobriram que era possível cantar em falsete depois de ouvirem os discos de Milton Nascimento”, diz. 

O fenômeno do “one-hit wonder

De tempos em tempos, um novo cantor ou grupo brasileiro, por diferentes razões, cai nas graças do público e vira fenômeno mundial. Dois nomes chamam atenção. Um deles é Maurício Alberto Kaisermann. Nunca ouviu falar dele? E do cantor Morris Albert? Bem, a exemplo de Sérgio Mendes, Morris Albert não mora no Brasil. Em 1974, ele fixou residência nos EUA; dois anos depois, se mudou para o Canadá e, desde 1997, vive na Itália. Seu maior sucesso, Feelings (1973), nasceu de uma paixão platônica por uma mulher 11 anos mais velha, já vendeu algo em torno de 160 milhões de cópias (entre singles, álbuns e coletâneas) e foi gravado por gente como Frank Sinatra, Elvis Presley (1935-1977), Johnny Mathis, Julio Iglesias e Caetano Veloso. Em 1987, o cantor brasileiro que ganhou a vida cantando em inglês sofreu um revés: foi processado por plágio por Louis “Loulou” Gasté (1908-1995) e fez um acordo judicial no valor de US$ 500 mil. Desde então, divide os direitos autorais de sua canção mais famosa com os herdeiros do compositor francês. 

Outro nome que merece destaque é o da cantora Loalwa Braz Vieira (1953-2017). Você, muito provavelmente, não está associando o nome ao sucesso, mas já deve ter ouvido ou, até, arriscado alguns passos de lambada ao som de Chorando se foi (1989). Loalwa Braz gostava de contar que, por ocasião da queda do Muro, em 1989, só se via gente cantando e dançando pelas ruas de Berlim a música que ela gravou à frente do grupo Kaoma para comemorar a reunificação das duas Alemanhas. Desde que foi lançada no álbum Worldbeat (1989), Chorando se foi ganhou versões de Ivete Sangalo, Fafá de Belém e Nando Reis, entre outros. Até Jennifer Lopes usou trechos da música em On the Floor (2011). No auge, o grupo franco-brasileiro chegou a fazer shows em 116 países! “Atribuo o sucesso ao ritmo caribenho e à sensualidade da dança”, analisa Ricardo Cravo Albin. 

Por último, uma dúvida: será que o cantor Roberto Carlos, o tão aclamado “rei” da MPB, com estimados 125 milhões de álbuns vendidos, também conquistou súditos pelo mundo afora? O jornalista e escritor Paulo César de Araújo, dos livros Roberto Carlos em Detalhes (2006) e O Réu e o Rei: Minha história com Roberto Carlos (2014), garante que sim. Ao longo da carreira, Roberto cantou ao lado de grandes nomes da música internacional, como Luciano Pavarotti (1935-2007), Julio Iglesias e Jennifer Lopez; gravou 40 álbuns em outros idiomas (como inglês, francês e italiano) e ganhou sete prêmios Grammy, seis deles latinos. 

Das mais de 500 músicas que compôs – sozinho ou em parceria com Erasmo –, Paulo César elege Amada amante (1978), A distância (1972), Eu quero apenas (1974), Como vai você (1972) e Amigo (1977) como as de maior repercussão no exterior. “Embora o Roberto não faça uma música tipicamente brasileira, como samba ou bossa-nova, faz um pop romântico de muito sucesso. Não é todo artista que faz sucesso lá fora há 30 anos. E, no caso dele, não é só na América Latina, não. É no mundo inteiro. Toda vez que sai em turnê, seus shows ficam lotados. É por essas e outras que costumo dizer: se existisse um Nobel para a música, o Brasil já teria ganhado dois ou três”, brinca. 

As dez canções mais regravadas da MPB

1 – Aquarela do Brasil (404 regravações)

2 – Carinhoso (403)

3 – Garota de Ipanema (392)

4 – Asa Branca (308)

5 – Manhã de Carnaval (278) 

6 – Eu Sei que Vou Te Amar (258)

7 – Corcovado (243)

8 – Wave (240)

9 – Chega de Saudade (236)

10 – Desafinado (226)

Fonte: ECAD. 


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  • André Bernardo
    André Bernardo

    André Bernardo é jornalista. Aficcionado por cinema, literatura e música produziu conteúdo para mais de 80 jornais, como Zero Hora, Correio Braziliense e Diário de Pernambuco. Colabora para sites, como BBC Brasil, VICE e UOL, e revistas, como Superinteressante, MONET e Galileu. É autor do livro "A Seguir, Cenas do Próximo Capítulo (Panda Books)", sobre teledramaturgia brasileira.


André Bernardo
André Bernardo

André Bernardo é jornalista. Aficcionado por cinema, literatura e música produziu conteúdo para mais de 80 jornais, como Zero Hora, Correio Braziliense e Diário de Pernambuco. Colabora para sites, como BBC Brasil, VICE e UOL, e revistas, como Superinteressante, MONET e Galileu. É autor do livro "A Seguir, Cenas do Próximo Capítulo (Panda Books)", sobre teledramaturgia brasileira.

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