O que aconteceu com a bibliografia oficial para o CACD?

  • Clipping
    26/10/2015 . 9 min de leitura
bibliografia oficial cacd

O último ano em que o Itamaraty soltou uma bibliografia oficial para o CACD foi 2010. De lá para cá não há “bibliografia oficial” para o concurso. Como os candidatos navegam então pelas águas revoltas do Edital do CACD? Eles ficam à deriva? Eles tem um norte?

Bom, não há bibliografia oficial para o CACD, embora haja a “bibliografia oficiosa” para o CACD. Estamos falando daquela inaugurada pelo Clio em 2003 e adotada com algumas variações até hoje pelos candidatos ao Concurso de Diplomata (CACD) em geral. Já falamos sobre a bibliografia oficiosa neste post aqui. Mas como o Clipping sempre recebe perguntas sobre o que viria a ser a bibliografia oficiosa, achamos conveniente estender um pouco mais essa discussão aqui.

Dividimos esse post assim:

1. Uma Bibliografia Oficial para o Concurso de Diplomata (CACD)?

2. Por que acabou a Bibliografia Oficial do Concurso de Diplomata (CACD)?

3. Por que ninguem obedecia a Bibliografia Oficial para o Concurso de Diplomata (CACD)?

4. Por que trocar obras na íntegra por capítulos?

5. Tem atalho para quem tem preguiça?

6. Concluindo…

Concurso-diplomata-bibliografia

1. Uma Bibliografia Oficial para o Concurso de Diplomata (CACD)

Verdade seja dita. Em 2011, ninguém deu falta da bibliografia oficial. Em 2012, ninguém deu falta da bibliografia oficial também…

Mas em 2013 a coisa foi diferente. O gabarito do CACD foi controverso demais em 2013. Muita gente, com boa dose de razão, ficou furiosa com o CESPE. O resultado dessa revolta generalizada de CACDistas foi a mobilização de muitos em torno bandeira “por um CACD mais objetivo”, cuja maior reivindicação era a volta da Bibliografia Oficial.

O ano de 2013 foi o ano em que mesmo os candidatos mais discretos e diplomáticos ousaram saíram da passividade e reivindicar. Foram feitas inúmeras petições ao Cespe e ao MRE, purularam matérias na imprensa sobre a indignação generalizada dos candidatos ao CACD.  Por essas e por outras, o ano de 2013 ficou conhecido como a “Primavera dos CACDistas”. 

Mas qual foi o resultado prático dessa mobilização? Isso é algo difícil de mensurar até mesmo pelas questões de sigilo que envolvem a preparação da prova. Fato é que, até hoje, a Bibliografia Oficial não voltou.

Mas deveria voltar a bibliografia oficial? Uma bibliografia oficial seria garantia de mais objetividade no CACD?

Antes de responder a essa pergunta, vamos ver por que a bibliografia oficial acabou…

2. Por que acabou a Bibliografia Oficial do Concurso de Diplomata (CACD)?

O que teria motivado o fim da Bibliografia Oficial? Questionado sobre isso, o Cespe, de acordo com matéria do Correio Braziliense (veja aqui) , teria justificado que

A bibliografia não é colocada nos editais porque pode ferir a isonomia dos candidatos ao propor livros que, às vezes, são difíceis de ser adquiridos por estudantes de baixa renda

Bom, o único consenso que há em torno dessa história de bibliografia oficial é que essa justificativa da Cespe não colou! Bibliografia oficial ferir isonomia pois livros são caros? #falasério

cacd

Verdade é que ninguém sabe até hoje porque acabou a Bibliografia Oficial. Mas teorias é o que não faltam. Há quem diga inclusive que o fim da Bibliografia Oficial é uma resposta a supostas críticas vindas de altos escalões de que os livros recomendados teriam um viés demasiadamente “à esquerda”, o que ensejaria um certo controle ideológico no processo de seleção.

Então, em 2013, os CACDistas se dividiram entre aqueles que realmente faziam questão da volta de uma Bibliografia Oficial e os que eram indiferentes à ideia da volta da Bibliografia Oficial. Estes últimos não viam na Bibliografia Oficial garantia alguma de maior objetividade nas questões do CACD. Além disso, alegavam que a Bibliografia Oficial era uma espécie de ilusão. Muitos consideravam que a Bibliografia Oficial não deveria ser levada muito a sério, até mesmo porque se encontrava defasada e a própria banca não se orientava por ela.

Isso nos leva a outra pergunta: porque a bibliografia oficial não era à risca tida como uma fonte de preparação para muitos candidatos ao CACD?

3. Por que ninguém obedecia a Bibliografia Oficial para o Concurso de Diplomata (CACD)?

Quem nunca gastou dinheiro estocando livros que constavam na Bibliografia Oficial do CACD para depois perceber que simplesmente não tinham muito valor para o concurso?

Aconteceu e acontece muuuuuuito. Fato é que a Bibliografia Oficial listava uma série de obras cujo valor prático para o CACD era questionável. Dessa forma, a Bibliografia Oficial acabava não sendo propriamente uma referência 100% adotada pelos candidatos. Pelo contrário acontecia muito, como já falamos, de ser absolutamente ignorada pelos candidatos mais experientes.

Não que a Bibliografia Oficial não seja interessantíssima, instigadora, instrutiva e extremamente enriquecedora. Não é isso. É que a Bibliografia Oficial não condizia 100% com o que a banca cobrava na hora H do CACD. Por outro lado, tinha a chamada “bibliografia oficiosa” do Clio, que desde 2003 fazia uma espécie de triagem estratégica do que realmente importava na Bibliografia Oficial.

Se na Bibliografia Oficial era recomendada a leitura das 944 páginas que compunham o clássico Os Donos do Poder, de Raymundo Faoro. Na triagem feita pela bibliografia oficiosa, apenas 1 capitúlo da obra, com cerca de 74 páginas era recomendado.

E assim, de ano em ano, a fama foi crescendo e a bibliografia oficiosa do Clio foi se tornando uma espécie de oráculo dos iniciados nos estudos do CACD, enquanto a Bibliografia Oficial foi caindo em ostracismo e vista, cada vez mais, como um guia introdutório que não deveria ser levado muito a sério no planejamento do cronograma. Algo do tipo: “CACD for dummies”

Atenção! O Clipping não está dizendo que você não deva ler as obras para o CACD que constem na Bibliografia Oficial. O que o Clipping está dizendo é que, na prática, a maioria dos candidatos aprovados em concursos anteriores optaram por, pragmaticamente, contornar essas “referências incontornáveis”, lendo certos trechos que eram estrategicamente selecionados pela “bibliografia oficiosa”. Adote ou deixe de adotar a Bibliografia Oficial por sua conta e risco.

Na dúvida, consulte sempre um professor de sua confiança. Afinal, professores são professores…

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4. Por que trocar obras na íntegra por capítulos?

Como o Clipping disse, o que grande parte dos candidatos faz é ler um ou outro capítulo de uma determinada obra. Poucas são as verdadeiramente lidas de cabo a rabo pelo CACDista, como o Amado Cervo, o Bóris Fausto, o Sombra Saraiva, Raízes do Brasil, etc.

Livros científicos não devem ser lidos, devem ser consultados.

A afirmação é no mínimo polêmica. Mas, há algo de verdade nela… Estudar para o CACD é no fim das contas fazer uma grande colcha de retalhos. A informação que você realmente precisa para passar no CACD está fragmentada e pode ser encontrada em páginas e capítulos de forma pontual. Mais vale conhecer a fundo aquele pequeno trecho que realmente importa do que ter lido “en passant” a obra na íntegra.

“Ah, mas o Clipping está dizendo que para passar no CACD tem que ser malandro, enganar a banca e ler as coisas pela metade?”

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Não. De forma alguma! A preparação para o CACD é coisa séria. Deve haver rigor, deve haver método e deve haver honestidade intelectual. Isso não só para o CACD, mas para praticamente tudo na vida (momento sermão do Clipping).

Acontece que muito candidato começa sua preparação para o CACD com a ideia de que o que ele tem que fazer para passar no CACD é virar um intelectual, um erudito, um gênio das ciências sociais e que para isso precisa ler centenas de livros e ter um conhecimento enciclopédico sobre praticamente tudo. E não é por aí…

A preparação para o CACD é, sim, uma aventura intelectual muito enriquecedora. Mas sem pragmatismo essa aventura intelectual faz muito mal aos bolsos e não costuma ter um final feliz.

Para passar no CACD é preciso antes de tudo pragmatismo. E isso envolve perceber que você não precisa ler 1000 páginas de Raymundo Faoro para entender a tese desse autor. Até mesmo porque a tese desse autor vai ser mencionada tantas vezes por tantos outros autores em tantos outros momentos da preparação que você em algum ponto estará familiarizado o bastante com ela a ponto de responder com tranquilidade uma questão sobre a tese de Raymundo Faoro tendo lido não mais do que 50 páginas dessas 1000 que compõe Os Donos do Poder, por exemplo.

“Ah, mas isso não seria buscar atalhos por preguiça de ler a obra toda?”

5. Um atalho para quem tem preguiça de ler?

Não, não é! Estudar pela bibliografia oficiosa é antes de tudo um gesto de pragmatismo. Não é porque pela bibliografia oficiosa você estudaria, digamos, 50 páginas de 1000 páginas do Raymundo Faoro que você estaria estudando menos.

“Ah, não estou entendendo! Agora o Clipping quer me convencer que lendo parte de um livro eu estou lendo mais do que se eu o lesse na íntegra?”

Veja bem! Na compilação do Clio constam catalogadas aproximadamente 80 obras referências para o estudo de História do Brasil (nem todas essas acabam sendo utilizadas no mesmo período letivo). Enquanto isso, na Bibliografia Oficial constam cerca de 30 obras catalogadas.

Ou seja, a bibliografia oficiosa é mais diversificada e, portanto, mais rica do que a Bibliografia Oficial.

Não é necessariamente verdade dizer que estudando pela bibliografia oficiosa estuda-se menos. O Clipping não é louco de somar quantas páginas dá a Bibliografia Oficial e quantas dá a bibliografia oficiosa. Mas a filosofia é mais ou menos esta: diversificar fontes e ganhar objetividade.

Estudar pela bibliografia oficiosa não é tomar atalhos. Estudar pela bibliografia oficiosa é caminhar por onde há mais diversidade, com a conveniência de ver a mesma paisagem por diferentes ângulos.

6. Concluindo:  um método universal?

A bibliografia oficiosa é um método universal 100% comprovado para passar no CACD?

Não. Não existe uma estratégia one-size-fits-all para passar no CACD. É verdade que hoje a maioria esmagadora dos candidatos se orienta por ela. Mas não há um só caminho para a aprovação.

Há vários caminhos para a aprovação. E a parte mais difícil dessa caminhada é justamente encontrar qual é o melhor caminho para você. E encontrar um caminho, um método que funciona para você, é uma jornada à parte que você deve trilhar sozinho. É preciso experimentar de tudo um pouco. Tentar copiar o que o colega está fazendo e dando certo, fazer o que o colega já fez e deu errado, navegar por conta própria na internet em busca de uma resposta que você nem sabe se existe para aquela dúvida que você teve às 11 horas da noite. Tudo vale a pena se a vontade de passar não é pequena (só não vale deixar de assinar o Clipping, ok?).

Comments?

E não se esqueça de deixar seu comentário abaixo sobre essa história toda de Bibliografia Oficial e bibliografia oficiosa. 

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CACD: O Clipping CACD recebeu uma série de perguntas sobre a questão sobre a qual falamos em um dos últimos posts: A bibliografia oficiosa para o CACD. Aqu
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