Como começar a estudar para o CACD?

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    Clipping
    23/04/2019 . min de leitura
Como começar a estudar para o cacd

Este é um artigo sobre como começar a estudar para o CACD, indicado para candidatos iniciantes. No entanto, não é uma leitura indicada para quem ainda não se decidiu se investirá tempo, energia e recursos na preparação para o CACD. O Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) é considerado um dos concursos públicos mais complexos e difíceis do Brasil. Portanto, para evitar desgastes desnecessários, é preciso se conhecer e conhecer qual é o lugar da carreira diplomática na sua vida antes do começa dos estudos para o CACD.

Caso ainda não tenha essa certeza, vale a pena “pausar” a leitura deste post e dar uma olhada nesses post aqui sobre o concurso e a carreira:

Caso tenha certeza já de que a carreira diplomática é o que quer, sinta-se livre para seguir em frente na leitura deste artigo, que dividimos para ficar assim:

Vamos aos tópicos.

1. Saber por quais matérias começar a estudar

O programa do CACD é extenso tanto em termos de disciplinas cobradas quanto à profundidade do conteúdo cobrado em cada uma delas. Ao todo, temos no Edital as 10 disciplinas: História do Brasil; História Mundial; Noções de Economia; Política Internacional; Geografia; Noções de Direito Interno e DIP; Língua Portuguesa; Língua Inglesa; Língua Francesa; Língua Espanhola.

Ah Clipping, já sei que disciplinas caem no CACD agora é me preparar para estudar todas elas de uma vez só certo?

Não recomendamos que o candidato iniciante comece os estudos para o CACD abordando todas essas disciplinas de uma vez.

Vejamos brevemente o porquê dessa recomendação.

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1.1 Por que escolher algumas matérias?

Equilibrar todos os pratos dessas matérias é possível de uma só vez?

É sim possível. No entanto, essa não é a forma mais produtiva para se iniciar os estudos.

Há uma sequência lógica de conteúdos que deve ser, preferencialmente, seguida quando se começa a estudar para o CACD.

O conteúdo do CACD é extenso e é comum um mesmo tema ser cobrado sob a ótica de diferentes disciplinas, o que torna produtivo interrelacionar temas para uma abordagem mais estratégica do conteúdo.

Um exemplo para ficar mais claro o porquê disso:

Na semana 04 do programa de Geografia do Clipping, é previsto o seguinte objetivo:

Espera-se que o candidato compreenda a evolução da atividade industrial e como sua estruturação afeta a organização do espaço. Destaque deve ser dado ao conceito de divisão internacional do trabalho clássico e o conceito de divisão internacional do trabalho contemporâneo. Bastante importante, também, é a compreensão do fenômeno do reordenamento territorial pós-fordista e suas consequências.

Veja que a semana 04 de Geografia aborda uma série de conceitos que podem ser melhores compreendidos com um domínio prévio do contexto e de conceitos aprendidos durante o estudo das semanas 14 a 16 do programa de História Mundial.

Por exemplo, “fordismo” está relacionado às reacomodações estratégicas pelas quais o mundo passou após o fim da Segunda Guerra Mundial. Já “pós-fordismo” e “divisão internacional do trabalho contemporâneo” são conceitos geográficos relacionados ao contexto histórico pelo qual o mundo passou com  a crise do petróleo em 1973.

Resumindo: boa parte do conteúdo de Geografia está relacionado ao conteúdo que se vê em História Mundial.

Ah Clipping, então se eu não estudar História antes de estudar Geografia não compreenderei a matéria?

Não é isso… Você compreenderá sim. Mas é provável que se tivesse estudado todo o conteúdo de História Mundial você aproveitaria de forma mais estratégica o conteúdo de Geografia, por exemplo.

Essa interrelação de conceitos acontece também com outras disciplinas. Veja um outro exemplo:

No programa de Economia do Clipping, o objetivo da semana 19 é:

Nessa semana, o candidato estudará a evolução do sistema financeiro internacional. O padrão-ouro baseado na teoria quantitativa da moeda deve ser analisado e posteriormente comparado com o padrão Bretton-Woods, constituído em 1944 e vigente até 1971 . As causas e as consequência dos colapso do sistema de Bretton-Woods em 1971 merecem atenção.

Para compreender a evolução do sistema financeiro na segunda metade do século XX é necessário entender o contexto histórico subjacente a essas decisões. No exemplo acima, é impossível compreender por que os Acordos de Bretton-Woods foram defendidos pelos EUA em 1944 e, posteriormente, abandonados pelos EUA em 1971 sem compreender o contexto histórico.

É importante ter em mente que, de forma geral, disciplinas como História Mundial e História do Brasil são responsáveis por formar uma sólida base contextual extremamente útil para o estudo de várias outras matérias.

Por essa razão, é estratégico ter essas matérias estudadas antes de avançar sobre outras.

Além disso, o estudo de alguns temas em outras disciplinas servem tanto para reativar na memória o conteúdo de História quanto para aprofundar e enriquecer o conteúdo de história.

Embora não seja possível alinhar o estudo de História Mundial e História do Brasil de forma cronologicamente perfeita, sem que “uma matéria passe na frente da outra cronologicamente” é possível, sim, ter ganhos de eficiência estudando o programa de forma mais ordenada e menos aleatória.

1.2 Sugestão de divisão de matérias em 2 sprints semestrais

No Clipping indicamos aos que começam seus estudos para o CACD que dividam as matérias em 2 sprints semestrais, com duração de cerca de 20 semanas. Dessa forma, deve o candidato iniciante ter visto todo o programa de um grupo de matérias antes de passar para outro grupo de matérias.

Com base no que vimos acima no tópico anterior, recomendamos para ganho de eficiência nos estudos a seguinte distribuição

Sprint semestral 1:

  • História Mundial (20 semanas);
  • História do Brasil (19 semanas);
  • Economia (26 semanas);
  • Política Internacional I (20 semanas);

Sprint semestral 2:

  • Geografia (20 semanas);
  • Política Internacional II (20 semanas);
  • Noções de Direito Interno (20 semanas);
  • Noções de Direito Internacional (20 semanas);

É importante ressaltar que, além da questão da sequência lógica do conteúdo, essa divisão das matérias acima leva em conta outros aspectos, como a carga de leitura recomendada para cada disciplina.

História do Brasil e História Mundial são disciplinas que demandam um volume grande de páginas a serem lidas por semana. Por outro lado, na disciplina Economia menos páginas são demandadas (além do fato de boa parte das leituras demandas conterem gráficos e ter um texto mais “enxuto”). Por essa razão, ao estudar o conteúdo de História do Brasil e de História Mundial no sprint semestral 1  junto a Economia, o candidato garante também que estará  “dosando” a carga de leitura para não pesar além da conta.

É importante ressaltar que essa divisão só é aconselhável para candidatos que iniciam agora seus estudos e que não viram ainda todo o conteúdo teórico e não fizeram as leituras recomendadas da Bibliografia CACD. Ou seja: uma vez encerrado o sprint semestral 1, é aconselhável que o candidato ao longo do sprint semestral 2 promova a revisão periódica de todo o conteúdo visto no sprint 1. A separação das matérias em em sprints não dispensa a necessidade de revisão constante do conteúdo visto. Isso é muito importante.

Clipping, agora entendi que é recomendável dividir as matérias em 2 sprints semestrais.  Mas e as línguas, onde entram nisso?

2. Começando o estudo de línguas para o CACD

Em um artigo como este que visa a dar coordenadas para o estudo dos candidatos iniciantes, é preciso falar algumas palavras sobre a preparação de línguas para o CACD.

Antes de tudo, é preciso dizer uma verdade incômoda:

Não existe candidato ao CACD monoglota.

Não perca seu tempo estudando para o CACD se não estiver disposto a encarar Inglês, Francês e Espanhol. Se você se assumiu o desafio de se preparar para a carreira diplomática e está reticente quanto ao fato de que terá que encarar o estudo de línguas estrangeiras, em algum momento você terá que repensar se a carreira diplomática é mesmo para você.

Ah Clipping, mas eu não sou fluente em Inglês, muito menos em Francês e em Espanhol. Nunca fiz aula…

Então, 99,9% dos candidatos tem essa mesma insegurança do que você. Línguas estrangeiras é uma pedra no seu sapato e no sapato de todos os demais candidatos.

Neste gráfico acima (candidatos aprovados | não aprovados), você consegue concluir que a média nas provas de Inglês, Francês e Espanhol são as mais baixas e isso não é por acaso.

No caso do candidato ser iniciante (ou zerado em Francês, Espanhol ou Inglês), há sem dúvidas o desafio psicológico de vencer a barreira da inércia e se lançar aos estudos dessas línguas. Quebrar essa barreira da inércia é o primeiro passo para se iniciar o estudo de línguas para o CACD.

2.1 Quebrando a barreira da inércia e começando o estudo de línguas

Aguardar o momento em que você terá tempo, dinheiro e disposição para começar a estudar línguas para o CACD é sinônimo de postergar infinitamente o pontapé inicial.

É possível fazer um estudo autodidata de línguas estrangeiras para o CACD?

Sim.

Embora seja possível fazer o estudo autodidata de línguas, é preciso reconhecer que o estudo de línguas estrangeiras demanda, sim, mais disciplina e constância do candidato iniciante para absorver o conteúdo do que, digamos, História do Brasil, Geografia, Política Internacional, etc.

No Clipping, nós disponibilizamos um programa autodidata para candidatos iniciantes que compreende 2 frentes:

  • Gramática;
  • Vocabulário;

No contexto de um artigo que se propõe a explicar como começar a estudar para o CACD é fundamental fazer uma ressalva importante sobre como funcionam essas 2 frentes.

2.2 Estudando por meio gramáticas

Com relação à gramática, a melhor forma de iniciar os estudos não é simplesmente pegando uma gramática recomendada a alunos da Aliança Frances’, do Instituto Cervantes ou da Cultura Inglesa e sair às cegas fazendo exercícios do início ao fim.

O estudo para o CACD da gramática não deve ser feito de forma sequencial. Parece contra-intuitivo fazer essa ressalva, mas não se estuda a gramática de cabo a rabo sem orientação prévia.

Um exemplo no caso do Francês:

Na semana 3 do programa de Francês, deve-se estudar as estruturas negativas, interrogativas e os pronomes tônicos. Isso significa em termos de leituras e exercícios realizar o estudo e os exercícios presentes na gramática recomendada “Grammaire progressive du français: niveau intermédiaire.” das páginas 18-21, que são a Unidade 3, e também as páginas 132 e 133, que são a Unidade 29 da gramática.

Resumindo: faz sentido estudar a Unidade 3 junto a Unidade 29.

Saber quais são esses saltos lógicos no conteúdo da gramática é fundamental para o estudo da gramática de forma autodidata mais coerente. É um ponto de partida para candidatos ainda construindo um com nível básico ou intermediário nas línguas.

2.2 Adquirindo novo vocabulário

Com relação a vocabulário, é extremamente importante que o candidato construa o hábito de ter contato diário com leituras que privilegiem o léxico cobrado pela banca nas provas. É aconselhável que o candidato foque de textos devidamente selecionados para otimizar a construção um vocabulário que será, de fato, útil no âmbito da prova de Francês.

As gramáticas geralmente privilegiam estruturas de comunicação em primeira pessoa com exemplos de situações cotidianas. Na realidade do CACD, é cobrado dos candidatos habilidades para escrever textos impessoais e com um viés argumentativo. O léxico e as estruturas gramaticais priorizadas no CACD é bastante específico e demanda um contato diário com textos alinhados a essas demandas.

Essa seleção é encontrada diariamente nos Clippings com o intuito de promover esse contato diário que é imprescindível com a prática da língua.

No entanto, essa leitura da parte de línguas do Clipping não deve ser uma leitura passiva. Como já dissemos algumas vezes aqui no Blog:

Ler não é estudar

É recomendável que o candidato use esses momento de leitura de textos selecionados para extrair estruturas gramaticas e expressões usadas no contexto de certas frases. Esse arsenal será extremamente útil.

No entanto, é importante ressaltar que embora seja um começo para quem não tem fluência em Inglês, Francês ou Espanhol, o programa de Línguas Estrangeiras do Clipping não é o bastante para candidatos avançados. Esses devem buscar um professor especializado que ofereçam sobretudo, em níveis mais avançados da preparação, serviços de correção de questões discursivas em línguas estrangeiras. Esse treinamento supervisionado da prática escrita da língua em níveis mais avançados é fundamental e não pode ser adquirido sem a ajudar de professores especializados no CACD.

No que se refere à preparação para línguas estrangeiras, o Clipping se propõe a ser um ponto de partida.

Esse é o maior entrave para uma preparação autodidata em línguas. Portanto,

Veja bem que não estamos dizendo aqui que você deva fazer um

As provas para o CACD exigem Inglês em nível avançado e Francês e Espanhol em um nível menos avançado que o Inglês.

No caso específico das Línguas Estrangeiras,

3. Selecionando as obras começar a estudar

Clipping agora então é partir para pegar aquela lista de livros e começar a estudar para o CACD de verdade, certo?

Não, é bem assim.

Agora que você já tem uma boa noção de como será seu cronograma ao longo do ano é preciso sim falar e bibiliografia usada para começar a estudar para o CACD.

Esse ponto explicamos em muitos detalhes neste post clássico sobre a Bibliografia CACD.

Leia o post sobre a Bibliografia CACD

Após a leitura do post acima, continuamos o

Isso é um tema sobre o qual falamos aqui neste post sobre a bibliografia indicada para o CACD.

Como fazer exercícios

Logicamente ciclos de revisões periódicas desse conteúdo são essenciais para a manutenção do conteúdo apreendido quanto para um aprofundamento em certos pontos. Trataremos de falar em revisões em outro momento.

Por agora o importante é saber que se você está começando sua preparação para o CACD agora você não deve começar por todas as matérias ao mesmo tempo.

Como fazer revisões

Não é a única forma possível de divisão de matérias entre 2 semestres e nem uma forma de bolo.

Selecionadas as matérias que serão atacadas em cada frente temporal, é preciso falar agora de Bibliografia indicada para cobrir todos os pontos do Edital.

Cada disciplina tem no Clipping um cronograma estruturado em torno de 20 semanas. Isso quer dizer que você levará em média cerca de 20 semanas (cerca de 5 meses) para esgotar os pontos do Edital de uma disciplina. Nesse período é perfeitamente possível esgotar toda a matéria de uma disciplina e estar em nível competitivo em relação aos demais candidatos.

4. Um ponto de partida.

Não há receita de bolo.

Existem as chamadas melhores práticas para se preparar para o CACD. Mas é importante saber que não há solução one-size-fits-all.

Esse é um dos pontos mais dolorosos para os candidatos iniciantes.

Seria extremamente cômodo dizer: Basta fazer assim, assado e pronto.

Infelizmente (ou felizmente) é preciso reconhecer que é responsabilidade do candidato traçar seu próprio caminho e construir sua própria maneira de estudar para o CACD. Candidatos bem sucedidos não são os que mimeticamente copiam fórmulas que funcionaram para outros candidatos, mas que adaptam as melhores práticas à suas circunstâncias e em meio há muitos erros e acertos constroem uma rotina de estudos eficiente.

O começo dos estudos para o CACD é sobretudo um momento de autoconhecimento e de teste, erro e acertos. É preciso ter iniciativa e começar! É altamente provável que você reverá seus métodos e sua rotina em algum momento e está tudo bem…

Sair paradoxo de inércia em face a tanto conteúdo para estudar é o primeiro passo que precisa ser dado.

Não é preciso gastar fortunas em bibliografias ou mesmo cursinhos. Com alguma disposição e um direcionamento é possível começar.


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  • André Bernardo
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