Uso de cronologias para estudo do CACD I *por Eugênio Garcia

Amigos do Clipping, 

Nem só de decorar fatos e datas é feita a preparação para a prova de História do CACD. Por outro lado, não se pode ignorar que boa parte da preparação consiste, sim, em decorar alguns marcos temporais 😭 Afinal, não há como compreender a evolução dos fatos históricos sem compreender a que período e a que personagens eles estão associados. Isso exige ferramentas extremamente pragmáticas de consulta. É sobre isso que o professor e diplomata Eugênio Vargas Garcia falará nesse post.

👤 O Ministro Eugênio Vargas Garcia, atual professor no IRBr, já fez parte da banca avaliadora e autor da Cronologia das Relações Internacionais do Brasil. A "Cronologia" é talvez a obra de consulta mais pragmática e que, portanto, deve fazer parte da biblioteca de qualquer candidato. Vale lembrar que a Cronologia, é a principal referência do prof. Eugênio para seu curso de História do Brasil, na Legato, cujo programa foi montado e estruturado em um formato interessante e diferente dos cursos tradicionais sobre a disciplina. 

É o Prof. Eugênio Vargas Garcia que escreve hoje sobre o dilema: uso de cronologias x uso de obras analíticas no CACD.

Estruturamos este post assim:

Vamos ao post

 

1. Uso de cronologias no CACD

*por Eugênio Garcia

 

Embora cada um possa ter sua própria fórmula de sucesso, é sempre importante destacar que o TPS e a 3ª Fase são exames muito distintos, que exigem do candidato abordagens diferentes tanto na forma de estudar quanto no desempenho no dia da prova.

No primeiro caso, uma facilidade maior para assimilar grandes volumes de informação pode ser de muita utilidade, pois é da natureza do TPS a concisão em cada item e o julgamento “objetivo” de sentenças que podem estar certas ou erradas. Na fase discursiva, ao contrário, o candidato tem espaço para fazer comentários, emitir suas opiniões e contextualizar aquilo que aprendeu, a fim de demonstrar seus conhecimentos, sua capacidade de análise e sua maturidade intelectual, qualidades que a Banca costuma apreciar.

Evidentemente, o que será redigido na prova de 3ª Fase não surge do vácuo e precisa estar embasado nos dois pilares da arte/ciência de escrever a História: fatos e interpretação. Por mais ensaística que seja, não haverá interpretação digna de crédito se não estiver ancorada em matéria-prima factualmente correta e fora de dúvida do ponto de vista cronológico. Por isso se diz que, como uma vez observou Jean-Baptiste Duroselle…

…não há história sem fatos.

Isso não significa, em absoluto, qualquer ode à chamada histoire événementielle.

O historiador diligente, empenhado em seu ofício, não pode prescindir de um esforço interpretativo de alcance mais longo, voltado para os fundamentos, as causalidades e as forças que envolvem a ação dos múltiplos atores que participam do jogo internacional.

O candidato que souber conciliar o domínio da informação bruta com uma visão sofisticada do processo histórico certamente estará em melhores condições para fazer uma boa prova.

O problema, que aflige a todos os cacdistas, é a falta de tempo hábil para mergulhar profundamente em cada matéria no nível considerado “ideal” que, convenhamos, não é tarefa simples. Daí a necessidade de certo pragmatismo em todos os momentos: da escolha dos textos e livros a estudar até a maneira mais efetiva de responder às questões de forma rápida e eficaz.

Leituras de fundo são muito bem-vindas. Mas ao decidir ler uma obra analítica mais densa seja criterioso.

Vale se perguntar: esse texto vai contribuir para minha formação como futuro diplomata? Se o assunto tratado é muito específico, quais as chances reais de que realmente caia na prova? Em nenhuma hipótese, porém, deixe de lado o marco cronológico essencial que servirá de trampolim para voos mais altos.

Os cacdistas em sua grande maioria já conhecem a Cronologia das Relações Internacionais do Brasil, que veio a lume pela primeira vez no ano 2000.

A obra hoje se encontra na sua 3ª edição, que foi inteiramente revista, ampliada e atualizada até 2016 inclusive. Já tive a oportunidade de encontrar nos corredores do Itamaraty muitos jovens diplomatas que vieram me contar terem usado a Cronologia em sua preparação para o CACD.

As razões para tal receptividade também transparecem nas provas. Posso dar um exemplo concreto, extraído do TPS do ano passado. O item dizia o seguinte:

 

⚠️ Caiu no CACD 

(      ) No final da década de 40 do século XIX, foi adotada a doutrina de limites a ser seguida pelo Império a fim de proteger o status quo territorial, a qual estabelecia: o princípio do uti possidetis; a restrição da validade do Tratado de Santo Ildefonso aos casos em que não houvesse ocupação efetiva do território; a negociação bilateral; e o arbitramento em última instância

Agora vamos comparar o item com o que diz a Cronologia sobre a doutrina de limites no ano de 1849:

Ao assumir pela segunda vez a Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros, Paulino José Soares de Souza substitui Pedro de Araújo Lima, marquês de Olinda, que era favorável à acomodação com a Argentina. O futuro visconde do Uruguai, que permanecerá no cargo até 1853, esboça uma "política americanista" que prevê, de um lado, medidas visando à preparação para eventual confronto com Rosas e, de outro, definição da doutrina de limites a ser seguida pelo Império para a defesa do status quo territorial: princípio do uti possidetis, não validade do Tratado de Santo Ildefonso de 1777 (só usado onde não houvesse ocupação efetiva), negociação bilateral e arbitramento em última instância. [grifos meus]

 

Qualquer similaridade terá sido mera coincidência ou de fato o item saiu da Cronologia praticamente ipsis litteris?

Cada um é livre para responder como quiser.

Tenho muito anos de trabalho na diplomacia e na área acadêmica, mas esta é a primeira vez que me envolvo mais diretamente na orientação de candidatos ao CACD. Atendi ao convite do Embaixador José Viegas, que tem uma proposta séria, comprometida com padrões de excelência. A Legato Cursos já começa forte, com uma equipe de professores experientes e ex-membros da Banca.

O TPS está próximo, mas tranquilidade é fundamental. Tenha um planejamento completo, cubra todos os pontos do Edital, continue lendo o Clipping e estude com quem sabe. Boa sorte e bons estudos!

 

*Eugênio Vargas Garcia possui graduação em Relações Internacionais (1991), mestrado em História (1994) e doutorado em História das Relações Internacionais (2001) pela Universidade de Brasília. Como diplomata de carreira do Ministério das Relações Exteriores, entre outras funções, serviu nas Embaixadas do Brasil em Londres, Cidade do México e Assunção, bem como na Missão do Brasil junto à ONU, em Nova York. Atualmente é o Chefe da Divisão das Nações Unidas (DNU) do Itamaraty em Brasília.

 

2. Sobre o Legato

 

A Legato, curso preparatório dirigido pelo Embaixador José Viegas, antes ligado ao Vocação Diplomata, teve o mérito de reunir em sua equipe Embaixadores, Diplomatas e um corpo docente que já colabora com o IRBr, dando aula no Instituto Rio Branco ou figurando entre os avaliadores da banca avaliadora do concurso. Estamos deixando aqui alguns exemplos de alguns outros nomes bem familiares para quem estuda para o CACD e que fazem parte da equipe atual da Legato:

 

  • 👤 Embaixador Synesio Sampaio Goes, autor da obra Navegantes, Bandeirantes e Diplomatas [baixe gratuitamente aqui] que consta entre as leituras incontornáveis para qualquer CACDista. Synesio está à frente de um curso de aprofundamento voltado para a Formação do Território Brasileiro;

 

  • 👤 Prof. Antônio Barbosa: Professor do Departamento de História da UNB, ex-membro da banca de História do CACD. O Clipping tem um artigo bem aprofundado sobre a produção bibliográfica do Prof. Antônio Barbosa e sobre como ela foi base para questões de Terceira Fase do CACD. [ler artigo do Clipping sobre Antônio Barbosa aqui]  ;

 

  • 👤 Prof. Carlos Eduardo Vidigal, co-autor junto ao Prof. Francisco Doratioto, do História das Relações Internacionais do Brasil, uma obra recente mas já considerada por muitos professores e candidatos como a obra mais básica e fundamental para o estudo de PEB para o CACD.  [leia mais sobre obras indicadas na bibliografia oficiosa do CACD aqui]​;

Amigos! Nesses próximos dias postaremos mais artigos tão especializados como esse! Então para você que está se preparando para o grande dia da prova do CACD (que está chegando!), recomendamos que fique de olho nas próximas publicações!

Desejamos ótimos estudos para vocês e:

Keep Clipping!