Coronacrise: Cenário Atual e Perspectivas – Resumo da aula

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    Clipping
    21/05/2020 . min de leitura
Coronacrise: Cenário Atual e Perspectivas

Olá amigos do Clipping, como visto na primeira aula gratuita sobre o Coronavirus, trazemos aqui um resumo do que rolou por lá.

Além disso, trazemos aqui, todas as informações sobre o curso lançado pelo Petit Journal em parceria com o Clipping: Mundo em transformação: a crise do Coronavírus antes, durante e depois.

Matrículas disponíveis nesse link.


Então vamos lá, pessoal. O post foi dividido em assuntos específicos e à partir dos subtítulos, vocês podem ir se guiando dentro da aula.

Para melhor organização, esse post foi dividido em duas seções:

  1. Resumo da aula: “Coronacrise: Cenário Atual e Perspectivas”
  2. Todas as informações sobre o curso: Mundo em transformação: a crise do Coronavírus antes, durante e depois.

1. Resumo da aula

PIB – Mundo – Impactos (3:04)

  • Tudo indica que estamos da maior crise econômica desde a Grande Depressão.
  • Trata-se de uma crise diferente de todas as outras, o que ajuda a explicar a faltar de coordenação de governos.
    • Impactos tanto no lado da produção quanto no lado da demanda.
    • Não tem raízes econômicas, mas causas sanitárias, que advém da pandemia.
  • Consequências da pandemia:
    • Isolamento;
    • Restrições de viagens e de circulação;
    • Fechamento de locais públicos;
    • Lockdown – isolamento compulsório, em que as pessoas devem ter uma justificativa, para estarem na rua;
  • Impactos na produção
    • Interrupção da oferta de bens não essenciais;
    • Descontinuidade de cadeias de suprimentos (e.g. indústria automobilística);
    • Problemas de fluxo de caixa – empresas fechadas, sem receita, têm dificuldades para pagar seus funcionários, fornecedores e demais despesas do dia-a-dia;
    • Deterioração das expectativas – não se sabe se vai haver uma segunda onda de contágio, tampouco quando uma vacina será disponibilizada, o que traz insegurança para investidores, que suspendem seus projetos;
      • Consequência: com diminuição do fluxo de investimentos, há mais dinheiro “parado”, gerando excesso de liquidez, o que explica taxas de juros próximas de zero, ou mesmo negativas, em todo o mundo;
  • Impactos na demanda
    • Aumento do desemprego – nos EUA, de acordo com o presidente do FED, a taxa de desemprego pode chegar a 20%;
    • Queda da renda;
    • Deterioração das expectativas – as pessoas não sabem se manterão seus empregos, se terem seus contratos de trabalho suspensos ou se terão cortes salariais;

Expectativas de impacto na economia mundial (19:00)

  • Provavelmente, falaremos dos efeitos econômicos globais da pandemia daqui a 20, 30, 50 anos, tamanho será o impacto. O Fundo Monetário Internacional fala em “The Great Lockdown”.
  • O FMI prevê para 2020:
    • Retração da economia global em 3%;
    • Retração da economia dos países desenvolvidos em 6,1%;
    • Retração da economia dos países emergentes em 1%;
    • Retração da economia brasileira em 5,3%;
    • Aumento da economia chinesa de 1,2%;
      • Junto com a economia da Índia, a chinesa é a única que deve crescer, em 2020;
  • Para fazer essas projeções, o FMI considerou o reestabelecimento de algum grau de normalidade a partir do segundo semestre de 2020, o que ainda é incerto.

Multilateralismo (23:47)

  • A Organização Mundial do Comércio tende a ser uma OI muito impactada, sobretudo porque, desde 2018, tinha de lidar com a guerra comerciais entre EUA e China.

⚠️ VALE LEMBRAR DO CLIPPING

Em janeiro de 2020, EUA e China assinaram a “Fase 1” de seu acordo comercial, após uma guerra comercial que sobretaxou praticamente todo o comércio bilateral entre os dois países. Pequim comprometeu-se em aumentar suas importações dos EUA em US$ 200 bilhões nos próximos dois anos, montante que será dividido entre bens manufaturados, produtos agrícolas, energia e serviços. Também se comprometeu a seguir regras mais rigorosas de propriedade intelectual, a levantar barreiras ao acesso de capital estrangeiro e a acabar com política de transferência de tecnologia como condicionante de acesso ao seu mercado. Em contrapartida, os EUA comprometeram-se a não impor novas tarifas e reduziram de 15% para 7.5% a tarifa de cerca de US$ 120 bilhões de importações chinesas. O Departamento do Tesouro dos EUA também suspendeu a designação da China como “manipulador cambial”.

  • Além da guerra comercial entre as duas superpotências, a organização também de lidar com:
    • Protecionismo em alta e crise do multilateralismo;
      • Rodada Doha segue sem conclusão;
      • Elevação do número de barreiras comerciais impostas nos últimos anos;
    • Previsão de diminuição do fluxo de comércio de mercadorias de 13% a 32%, em 2020;
      • Problema: nos últimos 40 anos, o que impulsionou o crescimento da economia mundial foi, justamente, o comércio. O comércio internacional cresceu a taxas maiores que o próprio PIB global;
  • Sucessão do diretor-geral Roberto Azevedo, que anunciou, em maio de 2020, sua saída antecipada do cargo, em outubro de 2020;
  • Críticas norte-americanas de que a OMC não beneficia os EUA da mesma forma como beneficia a China, que segue se definindo como país em desenvolvimento, o que lhe permite gozar de maior flexibilidade frente às regras e aos compromissos do sistema multilateral de comércio; 
  • Outra organização internacional que tende a ser impactada pela pandemia é a Organização Mundial da Saúde.
  • EUA suspenderam, ainda que temporariamente, todas suas contribuições para a organização, o que totaliza US$ 400 milhões, 20% do orçamento da OMS;
    • China contribui com US$ 40 milhões
  • Pressão para a realização de uma investigação e uma avaliação independentes da resposta da OMS à pandemia;
  • Há discussão acerca da necessidade de promover uma reforma, agora, da OMS, sobretudo de seus procedimentos de resposta a crises sanitárias internacionais;
    • A reforma deveria ser agora ou postergada para um momento após a pandemia? Brasil defende que a reforma deve ocorrer nesse momento;

Outros impactos (47:09) 

  • Formação de governos nacionais em:
    • Israel – após três eleições, é firmado um acordo de coalização nacional, em que Netanyahu seguirá como primeiro ministro por mais dois anos, até que Benny Gantz, rival nas eleições, assumirá. 

⚠️ VALE LEMBRAR DO CLIPPING

O governo brasileiro vem aproximando-se de Israel, desde 2019. Em campanha presidencial, Bolsonaro chegou a prometer transferir a Embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, caso fosse eleito. Em visita oficial à Israel, uma retribuição à presença de Benjamin Netanyahu em sua cerimônia de posse, o Presidente Bolsonaro retrocedeu na mudança da Embaixada, mas anunciou a criação de um Escritório Comercial em Jerusalém, sob a responsabilidade da Apex-Brasil, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos. Além disso, o Brasil apoia o Plano de Paz e Prosperidade do presidente Donald Trump para solucionar o conflito israeleo-palestino.

  • Iraque – após seis meses sem governo, sofrendo as consequências da queda do preço internacional do barril de petróleo, o Iraque conseguiu formar um governo nacional;
  • Algumas incertezas aparecem:
    • Síria – os dois países que têm mais influência na Síria, Rússia e Irã, vêm sofrendo graves consequências da crise sanitária, o que coloca o conflito sírio em suspensão, sem muita movimentação no front; 
    • Estados Unidos – com eleições presidenciais marcadas para novembro, ninguém sabe, com certeza, quais serão os impactos eleitorais da crise da COVID-19.
      • Inicialmente, Trump minimizou a pandemia, o que atrasou a resposta norte-americana à crise, tornando os EUA o país com o maior número de casos e de mortes;
      • Antes da pandemia, o “trunfo” de Trump era o bom momento da economia dos EUA, que vivia o pleno emprego;
  • Adiamento de eleições?
    • Malaui;
    • Etiópia;
    • Polônia;
    • França;
    • Itália;
    • Bolívia;
    • Chile;
    • Equador;
    • Brasil;

O pós-isolamento (58:00)

  • Os governos vêm elencando três grandes condicionantes, para que uma flexibilização do isolamento seja possível:
    • Novos casos em queda;
    • Disponibilidade de leitos;
    • Capacidade de testagem em massa;
  • A China retomou, ainda que gradualmente, suas atividades, priorizando setores essenciais, regiões e grupos populacionais com base em avaliações de risco;
    • Maior parte das empresas reabriram, mas com regras de higiene e de distanciamento social;
    • Entrada de estrangeiros permanece restrita, para evitar a “importação” de casos;
    • Testes e códigos QR são usados, para acompanhar a evolução do contágio do vírus;
  • Na Itália, as atividades também vêm sendo retomadas gradualmente;
    • Fábricas e construções reabertas, ainda que adotando turnos alternados, espaçamento, medição de temperatura dos funcionários e utilização de máscaras;
    • Lojas, museus e outros locais públicos forma reabertos;
    • Governo nacional deu poder às autoridades locais, para que estas possam decidir sobre a reabertura de restaurantes, cabelereiros e outros serviços;
  • Nos Estados Unidos, a reabertura depende dos entes federados, uma vez que os estados norte-americanos têm elevada autonomia em relação ao governo federal.
    • Aproximadamente metade dos estados permanecem “fechados”;

O caso do Brasil (1:06:00)

  • No que se refere ao combate à pandemia, verifica-se relação tensa entre a União (presidente) e os Estados (governadores), o que leva a informações/orientações desencontradas, dificultando a adesão da população ao isolamento. Com esse cenário, há:
    • Falsa dicotomia entre saúde e economia;
    • Baixas taxas de isolamento;
    • Atraso do socorro econômico aos estados e aos municípios, que dependem da transferência de recursos pela União;
    • Risco de medidas de restrição de circulação terem de prolongar-se mais;
  • Tratando da economia brasileira, a crise sanitária soma-se a crise política, gerando um contexto de muita incerteza, o que leva à:
    • Diminuição do fluxo de investimentos;
    • Dólar mais caro;
      • Passou de R$4,05, em dezembro de 2019, para R$5,74, em maio de 2020;
    • Aumento da taxa de desemprego;
    • Elevada capacidade ociosa;
  • O aumento da taxa de câmbio, que torna o Dólar mais caro, tem uma série de explicações, tanto nacionais quanto internacionais:
    • Baixa histórica da Selic, que passou de 4,5%, em dezembro de 2019, para 3%, em maio de 2020;
    • Aumento do risco-brasil de 98 pontos, em dezembro de 2019, para 355 pontos, em maio de 2020.  
  • Embora moedas também tenham-se desvalorizando frente ao Dólar, o Real é a moeda que mais se desvalorizou no mundo, de acordo com o Financial Times.
    • Considera-se que essa é uma consequência da crise política no país;
    • Enquanto o Real desvalorizou-se cerca de 50% no ano, o Peso argentino desvalorizou-se cerca de 20%;

Questão do petróleo (1:21:25)

  • O preço internacional do barril de petróleo nunca esteve tão baixo, o que se explica pela queda da demanda, consequência das medidas de isolamento impostas no mundo, bem como de uma guerra de preços entre dois dos principais produtores, Arábia Saudita e Rússia. Como esse cenário de oferta maior que a demanda, houve:
    • Aumento recorde dos estoques;
    • Cotação do petróleo advindo do Texas chegou a valer preços negativos, uma vez que era mais caro armazenar o barril do que o vender; 
    • Retração dos investimentos em energias sustentáveis, uma vez que o petróleo se tornou mais barato. Quando o preço do barril de petróleo está valorizado, investidores tendem a buscar alternativas sustentáveis;

⚠️ VALE LEMBRAR DO CLIPPING

Há mais de 100 países produtores de petróleo no mundo. Em 2019, o mercado de petróleo respondeu, sozinho, a mais de 4% do PIB global, movimentou US$86 trilhões e empregou 4 milhões de pessoas. Em esforço recente, para tentar minimizar a queda nos preços do barril de petróleo, o grupo conhecido como OPEP+, composto por membros da OPEP e por outros grandes produtores, como a Rússia e a Noruega, chegou a um acordo histórico para reduzir a produção mundial em 10%. O objetivo era que esse corte da oferta pudesse elevar o preço da commodity. Apesar disso, a retração da demanda mundial por petróleo, devido às paralisações impostas pela COVID-19, parece ter superado esse esforço dos países produtores, levando a queda de preços.

  • Impactos no Brasil
    • Balança comercial – Brasil é importador e exportador de óleos de petróleo;
    • Petrobras perde receita e capacidade de investimento;
    • Queda na arrecadação de impostos – muitos estados dependem do ICMS dos combustíveis;

Assista à aula na íntegra


2. Informações sobre o curso do Petit Journal

Nome do curso: Mundo em transformação: a crise do Coronavírus antes, durante e depois.

Professores

professor de economia para curso cacd

Professor Daniel Sousa é professor especializado no CACD há 17 anos. Atua também como comentarista da Globo News e Coordenador do Ibmec Rio de Janeiro e co-fundador do Petit Journal.

professor de política internacional para curso cacd

Professor Tanguy Baghdadi é professor especializado no CACD desde 2007. Também atua como professor do MBA do Ibmec, comentarista de política internacional da Globonews e co-fundador do Petit Journal.


Ementa

2020 não é um ano qualquer. As transformações que estamos testemunhando serão lembradas pelas próximas décadas e afetam a política, a economia, as relações sociais, a saúde e as democracias. Ainda não há clareza sobre o que nos aguarda no futuro próximo e como os acontecimentos deste ano nos impactarão no longo prazo, mas o exercício de olhar para o processo em curso nos ajuda a compreender o cenário como um todo.

Por isso, o Petit Journal, em parceria com o Clipping CACD, apresenta o curso Mundo em transformação: a crise do Coronavírus antes, durante e depois, no qual os professores Daniel Sousa e Tanguy Baghdadi abordarão, conjuntamente, o cenário contemporâneo, bem como os prognósticos para o futuro. O objetivo do curso é dar ênfase nas condições econômicas e internacionais do mundo atual, bem como apresentar prognósticos para o futuro.

Estrutura

O curso terá um total de seis horas de aula, divididas em 4 encontros de 1h30. As aulas poderão ser assistidas ao vivo, às terças-feiras, 21h; ou posteriormente, em até 3 meses a partir do início do curso. 

Público-alvo

Pessoas de qualquer idade, interessadas em história e política internacional contemporânea; estudantes de ensino médio, visando aos temas de atualidades para provas de vestibular e ENEM; estudantes universitários de qualquer curso de graduação; postulantes a uma vaga no Instituto Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores.

Cronograma

TemaProfessorData
Aula 1O mundo pré-pandemiaDaniel Sousa e Tanguy Baghdadi02/06/2020
Aula 2O Brasil em um mundo em ebuliçãoDaniel Sousa e Tanguy Baghdadi09/06/2020
Aula 3O mundo em transformaçãoDaniel Sousa e Tanguy Baghdadi16/06/2020
Aula 4Economia e política no longo prazoDaniel Sousa e Tanguy Baghdadi23/06/2020

Ementas por aula

Aula 1 – O estado da arte: o mundo pré-pandemia

Esta aula tem por objetivo desenhar o mundo que se apresentava antes da crise do coronavírus. Temas como a posição da China no plano internacional, movimentos nacionalistas, o cenário energético internacional, as principais tensões internacionais e o cenário financeiro internacional serão apresentados pelos professores, que apresentarão um contexto prestes a ser profundamente alterado pela crise sanitária, econômica e política deste ano de 2020.

Aula 2 – O Brasil no mundo contemporâneo

A segunda aula do curso tem por missão descrever a posição que o Brasil ocupa no cenário internacional. Para isso, construiremos um quadro geral sobre as condições econômicas do país, capacidade de atração de investimentos, cenário das contas públicas e a imagem que o Brasil projeta em sua política externa. Assim, conseguiremos vislumbrar como o Brasil chega na atual crise, quais são as suas condições de enfrentar as consequências da recessão que se avizinha e quais são os instrumentos políticos disponíveis para o Brasil no plano internacional.

Aula 3 – O mundo em transformação

O ano de 2020 vem sendo de intensas mudanças e este encontro apresenta aquelas que já podem ser vislumbradas. O mercado de trabalho, com as intensas modificações nas condições de trabalho, será um tema a ser abordado, juntamente com as condições mais imediatas da crise sobre a globalização, as relações políticas entre as grandes potências, o estado atual das principais negociações internacionais em curso e o cenário contemporâneo dos fluxos migratórios internacionais. 

Aula 4 – Economia e política a longo prazo

Grandes crises globais deixam consequências no mundo que nos rodeia. Algumas mudanças são temporárias, outras tendem a ser permanentes. Esta aula tem por objetivo imaginar as consequências de longo prazo para a crise, com base na realidade atual. Temas como energia, meio ambiente, democracia e multilateralismo estão passando por mudanças importantes e, nesta aula, os professores Daniel Sousa e Tanguy Baghdadi apresentarão as mudanças já em curso, para imaginar as alterações de longo prazo.

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