Entrevista com aprovado no concurso da diplomacia – Jônathas Silveira

  • Clipping
    07/03/2017 . 9 min de leitura

Jônathas Silveira, que veio do interior do Nordeste, precisou se valer de uma boa dose de criatividade e pragmatismo para contornar os desafios de estudar para um dos Concursos de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD). O ano de 2016 foi atribulado na vida pessoal e candidato já vinha por um tempo buscando outros concursos com alternativa ao sonho da diplomacia. Justamente quando chegou a pensar em desistir e abandonar de vez os estudos para o CACD, veio a aprovação. Hoje, Jônathas é diplomata e também Prof. de Política Internacional no Gran Cursos, um dos maiores cursos preparatórios especializados no CACD. Sorte? Genialidade? Para Jônathas, há uma outra explicação. Confira o bate-bapo para entender melhor essa história.

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Dividimos esse post em 3 partes:

#1. Raio X do candidato

#2. Vídeo depoimento

#3. Entrevista com o candidato

1. Raio X do aprovado

Vamos às informações sobre o desempenho da Jônathas Silveira no CACD:

  • Economia: desempenho de 67%
  • História do Brasil: desempenho de 89%
  • Direito Internacional: desempenho de 93%
  • PI e GEO: desempenho de 71%
  • Português: 76%
  • Prova Objetiva: desempenho de 65%
  • Francês e Espanhol: desempenho de 74%
  • Inglês: desempenho de 71%

🏆 Jônathas Silveira ficou em 22° lugar geral no CACD

#2. Vídeo depoimento

#3. Entrevista

Clipping: Você vem de uma pequena cidade no interior do Rio Grande do Norte chamada Macau. Geralmente, nessas pequenas cidades, quando alguem  passa em um concurso de destaque a repercussão é muito grande. Como Macau recebeu a notícia da sua aprovação? 

Jônathas: Macau recebeu a notícia da minha aprovação com muito orgulho e entusiasmo. Minha mãe fala que, até hoje, as pessoas, quando a encontram no trabalho, ainda dão parabéns. Sinto-me muito honrado em ter sido motivo de orgulho para o povo macauense. Macau é a cidade onde vivi a maior parte da minha vida e onde a maior parte da minha família ainda mora, inclusive meus pais.

Clipping: Por estar isolado dos grandes centros de preparação, você recorreu a muitas estratégias de estudo colaborativas e autodidatas para estudar para a diplomacia. Uma delas foi a participação em um Grupos de Estudo com mais 2 colegas. Curiosamente  todos participantes desse grupo de estudos foram aprovados. Por que grupos de estudos dão tão errado para uns candidatos e no caso de vocês deu tao certo? Qual é a receita secreta desse seu grupo?

Jônathas: Na verdade, o grupo de estudos era composto por mais 3 colegas. Dos 4, todos foram para as últimas fases do CACD, em 2015 e em 2016. Infelizmente, um ainda não consegui ser aprovado, mas nós do grupo seguimos dando todo o apoio a ele. Nosso lema sempre foi “leave no man behind”. Eu acredito que os principais fatores para o excelente resultado do meu grupo de estudos foram a humildade intelectual, o respeito e o pragmatismo. Ou seja, quando havia qualquer dúvida ou quando alguém corrigia o outro, a gente sempre aceitava numa boa. Ninguém estava preocupado em mostrar que era melhor que ninguém. A gente também respeitava muito o potencial um do outro, de modo que ser corrigido pelos outros membros do grupo era algo natural para nós.

Além disso, somos muito pragmáticos. A gente sabia separar bem o tempo dedicado às tarefas do grupo e ao estudo individual.  Outra fator fundamental foi termos formado uma espécie de “support group”. Sempre tirávamos algum tempo de nossas reuniões para compartilharmos medos, anseios, dificuldades. Às vezes, quando a preparação de algum entrava em crise, a gente fazia reunião extraordinárias para trocar impressões sobre o que fazer.

Clipping: Pergunta clássica: como o Clipping te ajudou para o CACD? E para outros concursos que caíram atualidades, como o do TCU e o TCE ?

Jônathas: O TCE-CE não caiu atualidades, mas o Clipping foi útil em outros concursos, como o do TCU. Manter-se atualizado não é algo fácil, diante da quantidade excessiva de informação que se produz a cada segundo. Uma ferramenta como Clipping ajuda a selecionar os temas mais relevantes no momento. Embora eu não lesse o Clipping todos os dias, eu sempre tirava alguns momentos da semana para verificar o que que achava mais interessante, mesmo quando eu havia parado de estudar para o CACD e decidido focar em outros concursos.

Clipping: Em depoimento ao Diálogo Diplomatico, do Prof. Maurício Costa, você disse que, ironicamente, sua aprovação ocorreu quando  você decidiu despriorizar sua preparação para o CACD e voltar a investir em outros concursos. O que te levou a quase desistir do CACD? 

Jônathas: Não sei se me expressei bem naquela entrevista, mas o que eu quis dizer foi que, em 2016, um dos anos mais atribulados da minha vida, no qual eu cheguei a pensar em desistir do concurso, eu consegui ser aprovado no CACD. Na verdade, 2015 foi o ano em que deixei o CACD de lado para fazer outros concursos. Ironicamente, naquele ano, fui aprovado no TCE-CE e também cheguei à última fase do CACD. Até então, eu nunca havia sido aprovado nem mesmo na prova objetiva.  O que me levou a deixar o CACD de lado em 2015 e a quase desistir do concurso, em 2016, foi o custo da preparação e a minha insatisfação com meu antigo emprego.

Eu não tinha como bancar os cursos que a maioria dos meus concorrentes faziam regularmente e a empresa em que trabalhava estava passando por uma grave crise financeira. Eu precisava de um emprego melhor, e ingressar no serviço público, em uma carreira menos cobiçada, me pareceu a melhor opção, por isso resolvi focar em outros concursos.

Clipping: Tem uma postagem bem curisosa sua no face em que você enumera suas dezenas de reprovações nos mais variados concursos publicos TRT, CHESF, AL, etc. Uma das primeiras coisas que você deixou registrada nas redes sociais foi seu extenso historico de “fracassos” em outros concursos publicos. Por quê?

Jônathas: Depois que fui aprovado no concurso, muita gente veio me falar que eu sou gênio e que tenho muita sorte. Eu havia ralado muito para realizar meu sonho e sabia que o principal fator para minha aprovação tinha sido, na verdade,  a perseverança. Eu nunca fui de passar muito tempo reclamando do que eu não tinha. Sempre procurei fazer o melhor com as ferramentas de que eu dispunha para me preparar.

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Com aquela mensagem, eu quis mostrar aos outros candidatos que por trás daquela vitória há um histórico de muitas lutas, muitas derrotas. Gosto desta fase de Mandela: ” A maior glória da vida não está em nunca cair, mas em levantarmo-nos cada vez que caímos.”

diplomata-cacd-carreira-diplomatica*Post reproduzido do Facebook com autorizacao expressa do autor

Clipping: Falando ainda de seu histórico com outros concursos. Muitos candidatos a diplomata não gostam de ser identificados como “concurseiros”. Esse rótulo te incomoda? 

Acho engraçado que isso incomode alguns candidatos. Parece-me óbvio que todos somos concurseiros. Para ingressar na carreira, é preciso ser aprovado no CONCURSO de Admissão à Carreira de Diplomata. Para mim, quem dedica boa parte de seu tempo para ser aprovado em um concurso é, por definição, um concurseiro. Acredito que muita gente ainda não conseguiu obter êxito exatamente por que ainda não conseguiu raciocinar como concurseiro. Uma premissa básica para mim é

quem passa no concurso é o melhor concurseiro.

Você pode ter doutorado em Ciências Políticas na melhor universidade do mundo, mas se você não for um bom concurseiro, pode vir alguém lá do interior do Nordeste, com apenas graduação em uma pequena universidade estadual, e passar na sua frente. Vejo muita gente excelente que ainda não passou por que não entendeu essa premissa básica.

Clipping: A pressão que alguém sobre quem esta “só estudando” para concurso , sem emprego e sem uma perspectiva clara de quando vai ser aprovado,  é grande. Que tipo de cobranças e de questionamentos você mais escutava? Como você respondia a essas pressão?

Jônathas: Eu nunca estive “só estudando” para o concurso. Sempre trabalhei. Embora tenha trabalhado em outros setores, a maior parte do tempo fui professor de inglês. A minha principal cobrança vinha de mim mesmo. Eu sentia necessidade de me emancipar completamente. Eu morava só e bancava boa parte das minhas despesas, mas meus pais ainda precisavam fazer alguns sacrifícios para me ajudar. Eles moravam no interior e eu morava sozinho na capital. Meus irmãos já haviam saído de casa. Fui o primeiro da minha família a conseguir um nível superior. Para meus pais, eu já era “doutor”. Eles acreditavam que eu já poderia ser bem sucedido como advogado ou prestando outros concursos. Meus pais, com razão, me incentivavam a primeiro buscar um bom alicerce no “mundo real” para depois correr atrás dos sonhos. Eu também via meus amigos crescendo profissionalmente. Minha noiva, que é bem mais nova do que eu, já era concursada e a gente queria casar. Meu emprego permitia que eu me mantivesse, mas não era suficiente para dar um passo além no meu projeto de me tornar diplomata.

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Como eu respondi a essa pressão? Com muito foco e muita fé. Eu sempre acreditei que iria passar. Mesmo no começo da trajetória, quando a maioria das pessoas achavam que era um sonho inalcançável para mim, eu já fazia planos dizendo “ quando eu for diplomata…”

Clipping: Muitos aprovados relatam que, após as alegrias das comemorações pela aprovação, os primeiros dias no Instituto Rio Branco acabam sendo, para o bem e para o mal, um “choque de realidade”. O que vocé esperava encontrar nesses no IRBr que você nao encontrou e vice versa?

A experiência no Instituto Rio Branco é marcante para qualquer diplomata que por lá passa. Minha turma é muito boa. Tenho conhecido pessoas incríveis, e isso tem tornado a passagem pelo Rio Branco ainda mais enriquecedora. Os professores também são muito experientes e temos muito a aprender com eles.

Bate bola rápido com o Clipping:

Um livro: Bíblia

Um diplomata (não vale o Barão): Antonio Francisco Azeredo da Silveira

Um lugar no Rio Grande do Norte (não vale Macau): Pipa

Uma matéria que você odiou estudar: Contabilidade Nacional

Uma gafe que já rolou contigo: Puxei, sozinho, o aplauso para um professor substituto, achando que ele era convidado especial. A culpa foi de uma colega que me trollou.

Uma pergunta sobre o CACD que as dezenas de pessoas que te entrevistaram ainda nao fizeram: Como surgiu a ideia de se tornar diplomata?

Uma mensagem para quem esta pensando em fazer o concurso: “Sonhar um sonho impossível”, como já dizia uma música de Jaqcues Brel que sempre me inspirou:

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Depoimento de um aprovado no CACD | Cipping CACD
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Você quer passar no CACD? O que é melhor do ouvir alguém que foi de fato aprovado no concurso? Aprenda com um aprovado no CACD agora mesmo! Clique aqui!
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