EUA: Choque Institucional, Crise Econômica e Eleições: Resumo da aula

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    Clipping
    13/07/2020 . min de leitura
EUA: Choque Institucional, Crise Econômica e Eleições

Olá amigos do Clipping, como visto nas duas aulas gratuitas que rolaram anteriormente no nosso canal do Youtube, trazemos aqui um resumo da última aula: EUA: Choque Institucional, Crise Econômica e Eleições.

Além disso, trazemos aqui, todas as informações sobre o curso lançado pelo Petit Journal em parceria com o Clipping: A erosão da democracia liberal

Matrículas disponíveis nesse link.


Então vamos lá, pessoal. Novamente, o post foi dividido em assuntos específicos e à partir dos subtítulos, vocês podem ir se guiando dentro da aula.

1. Resumo da Aula

Cenário Internacional (4:26)

  • Eleição para presidente dos EUA, em novembro de 2020, é decisiva para a política internacional, pois pode impulsionar ou arrefecer o movimento de políticos nacionalistas de direita no mundo.
    • Para compreender o cenário atual, deve-se, antes, entender o cenário em que Donald Trump foi eleito, em 2016.
  • Contexto eleitoral de 2016: as consequências políticas e econômicas da crise de 2008, que teve início nos EUA e que afetou, sobretudo, economias desenvolvidas, ainda geram grande insegurança entre o eleitorado norte-americano.
    • Offshoring + automação + migração = medo de perder o emprego. 
    • Eleitorado de renda média buscava um presidente forte, que protegesse seus empregos.
    • Rivalidade com a China, destino de grande parcela dos empregos que deixaram os EUA, sobretudo do setor industrial.
    • Nacionalismo + Isolacionismo = America First: ganha força o discurso de que o dinheiro do contribuinte norte-americano não deveria ser utilizado para a manutenção de um sistema internacional que passou a beneficiar a China.
      • Forte crítica à globalização e aceno ao eleitorado que se sentia excluído pelo desenvolvimento recente.

Eleição de 2016 (22:30)

  • Principais temas e características da eleição presidencial de 2016: saúde, terrorismo, política externa, controle de armas, tratado de minorias étnicas e redes sociais.
    • Saúde: enquanto Democratas defendiam o Obamacare, a ampliação dos subsídios para acesso da população aos serviços de saúde pública, os Republicanos argumentavam que se tratava de “socialismo na saúde”. O sistema de saúde nos EUA é majoritariamente privado, o que dificulta o acesso de indivíduos sem seguro.
    • Terrorismo: Trump associava os atos de terror ao Islã. Uma de suas primeiras ações, uma vez eleito, foi proibir a entrada nos EUA de nacionais de países majoritariamente muçulmanos.
    • Política externa: como lidar com uma Rússia fortalecida e seus aliados no Oriente Médio, como Irã e Síria? Forte crítica ao acordo nuclear firmado por Obama com o Irã, o Joint Comprehensive Plano Action.
    • Controle de armas: a defesa do direito de os cidadãos terem armas é uma agenda tradicional dos Republicanos. Obama buscou aumentar os controles sob a venda e a posse de armas de fogo, o que foi criticado por Trump.   
    • Tratamento de minorias: Trump critica os migrantes, sobretudo os centro-americanos, considerando-os uma ameaça aos empregos de cidadãos norte-americanos.
    • Mídia e redes sociais: depois do Brexit, a vitória de Donald Trump pode ser considerada o principal exemplo de mobilização de redes sociais em campanhas eleitorais. Por meio desses meios, a campanha de Trump conseguiu criar consensos acerca do medo do Comunismo, do medo dos migrantes e da necessidade de um presidente forte. Ao mesmo tempo, há uma tentativa de questionar os meios tradicionais de comunicação, taxando-os de “fake News”. 
  • Resultado da eleição
    • Donald Trump ganha no colégio eleitoral, mas perde no voto popular. 
      • Colégio eleitoral
        • Trump: 304 votos
        • Hillary: 225 votos
      • Voto popular
        • Trump: 62,984,828 (46,1%)
        • Hillary: 65,853,514 (48,2%)
Resultado das Eleições 2016
  • “Swing States”: são aqueles estados onde o eleitorado não tem uma preferência partidária bem-definida. Em um ano, podem dar mais votos ao Republicanos, mas, na próxima eleição, podem preferir os Democratas. Donald Trump venceu nos swing states, ainda que por uma margem muita pequena. A vitória nos swing states foi que possibilitou que Trump tivesse mais votos no colégio eleitoral.
  • Quem votou em Trump?
    • Brancos: 58% (a base de Trump é o eleitorado branco de classe média baixa.) 
    • Negros: 8%
    • Hispânicos: 29%
    • Asiáticos: 29%
Quem votou em Donald Trump?

Relação EUA-China (52:10)

  • A contenção da China pelos EUA é uma pauta bipartidária. Tanto Republicanos quanto Democratas concordam que a China traz prejuízos para os EUA.
  • Evolução do déficit comercial: o déficit dos EUA com a China passou de US$227 bilhões, em 2009, para US$420 bilhões, em 2018. 2019 foi o único ano em que se registro uma queda do déficit norte-americano, que alcançou US$345 bilhões. Donald Trump iniciou uma guerra comercial, para tentar resolver o problema da balança comercial com a China.
  • Guerra Comercial: foi iniciada em 2018, restrita aos setores de aço e de alumínio e sob o argumento de segurança nacional. Desde então, ampliaram-se os setores, mas o argumento fundamental foi mantido. Washington anunciou a aplicação geral de sobretaxas, impactando diferentes países, mas visando, sobretudo, às exportações chinesas, que os EUA identificavam como ameaça à produção doméstica. Até janeiro de 2020, os EUA promoveram 4 rodadas de imposição tarifária, todas respondidas pela China, que também acionou a OMC. Houve momentos de trégua, anunciadas durante as reuniões do G20 em Buenos Aires e em Osaka, mas negociações subsequentes fracassaram. 
    • Praticamente todo o comércio bilateral entre EUA e China foi sobretaxado, resultando em impactos econômicos significativos.
    • Tarifas norte-americanas: concentram-se em setores de aço e alumínio, de telecomunicação, de eletrodomésticos e de painéis solares.
    • Tarifas chinesas: afetaram, sobretudo, o setor agrícola dos EUA, produtos químicos, motocicletas e whisky. Pequim também buscou sobretaxar importações advindas de setores e de estados relevantes para o partido Republicano.

⚠️ VALE LEMBRAR DO CLIPPING

Além da guerra comercial, a corrida pela liderança da internet 5G tem sido motivo de atritos entre a China e os EUA. Na atual era da informação, a tecnologia é considerada, especialmente nos Estados Unidos, estratégica e tema de segurança nacional. Os americanos temem à China, particularmente o grupo Huawei, pois afirmam que poderá haver compartilhamento de informações com o governo chinês, uma vez que a empresa possui vínculos com o Partido Comunista. Além da China e os EUA, Coreia do Sul e Japão também estão fortemente envolvidos no desenvolvimento dessa tecnologia.

Economia dos EUA (56:30)

  • A economia era o grande trunfo eleitoral de Trump. Até a pandemia, a economia norte-americana vivia um bom momento, crescendo, gerando empregos e com inflação baixa. A crise sanitária alterou completamente esse cenário.
  • A economia dos EUA está em recessão.
  • No primeiro trimestre de 2020, o PIB dos EUA caiu 32%.
Variação do PIB – EUA
  • A taxa de desemprego passou de 4% para 15%. Trata-se da maior taxa de desemprego dos EUA em décadas.
Taxa de desemprego nos EUA
  • Há tempo para a economia recuperar até a eleição, em novembro? Não.
    • Não é mais considerado um cenário de retomada da economia no segundo semestre e de plena recuperação em 2021. 
    • Atualmente, espera-se as sucessivas ondas de contaminação levem a lockdown intermitentes, de modo que a recuperação econômica só comece a correr em meados de 2021.

Eleições 2020 (1:16:40)

  • Após terem errado em 2016, ao não preverem a vitória de Donald Trump, as pesquisas eleitorais vêm buscando ajustar algumas variáveis, realizar pesquisas estaduais, com maior enfoque nos swing states.
  • Pesquisa New York Times/Siena College
    • Biden: 50%
    • Trump: 36%
Eleições 2020
  • Exposição e pandemia: Trump está em evidência no noticiário, tendo de lidar com uma crise sem precedentes e sendo mal avaliado pela forma como vem conduzindo a resposta dos EUA à COVID-19.
  • Questão racial: tradicionalmente, Trump tem o suporte do eleitorado braço, enquanto Biden tem apoio do eleitorado negro, sobretudo por ter sido vice-presidente de Barack Obama. Apesar disso, Trump vem perdendo apoio de sua base, sobretudo após o assassinato de George Floyd.
    • Manifestações antirracistas: de modo geral, a população branca vem apoiando as manifestações, o que prejudica o sucesso da retórica de “Lei e Ordem” de Trump. 
  • Avaliação do governo Trump
    • Na economia: 50% positiva, 45% negativa
    • Na temática racial: 33% positiva, 61% negativa
  • Como estão as pesquisas nos swing states? Nas pesquisas, Biden lidera as intenções de votos em todos os swing states que Trump foi vitorioso, em 2016: 
    • Flórida
    • Iowa
    • Michigan
    • Carolina do Norte
    • Pensilvânia
    • Wisconsin 
Intenções de votos nos Swing States
  • Biden já ganhou? Não! Embora as pesquisas de intenção de voto, no momento, sejam muito favoráveis ao Democrata, ainda há muito tempo para a eleição, que ocorre em novembro. Em 2016, nesse momento, Hillary também liderava as pesquisas, ainda que por uma diferença percentual menor. Evitando ficar muito em evidência, Biden vem-se beneficiando da exposição da Trump, contudo, em algum momento, o candidato do Partido Democrata terá de se expor, sobretudo em debates.  
  • Variáveis
    • Impacto da pandemia no eleitorado idoso, que é mais favorável ao Trump. Os idosos vão arriscar expor-se à COVID-19, para votar? Biden tem o apoio de parcelas mais jovens do eleitorado.
    • Os estados governados por republicanos que vêm reabrindo suas economias, como o Texas e a Flórida, conforme orientação do presidente, passaram a apresentar grandes aumentos no número de novas infecções diárias. Caso reabertura precoce tenha efeitos negativos, Trump pode perder votos.
    • Republicanos tradicionais não votarem em Trump. O ex-presidente George Bush já afirmou que não votará no atual presidente. Muitos dessas figuras tradicionais discordam da pauta excessivamente conservadora de Trump, que mudou o perfil do Partido Republicano. 
    • Manifestações antirracistas: vão continuar ou arrefecer? Serão majoritariamente pacíficas ou violentas?

2. Assista à aula na íntegra


3. Informações sobre o curso do Petit Journal

Nome do curso: A erosão da democracia liberal

Professores

professor de economia para curso cacd

Professor Daniel Sousa é professor especializado no CACD há 17 anos. Atua também como comentarista da Globo News e Coordenador do Ibmec Rio de Janeiro e co-fundador do Petit Journal.

professor de política internacional para curso cacd

Professor Tanguy Baghdadi é professor especializado no CACD desde 2007. Também atua como professor do MBA do Ibmec, comentarista de política internacional da Globonews e co-fundador do Petit Journal.


Ementa

As democracias liberais se espalharam após a Guerra Fria, como em nenhum outro momento da história. Com variações entre os modelos, países ao redor do mundo passaram por consolidações democráticas, que criaram um padrão de democracias, aceitas internacionalmente.

Mas os últimos anos nos mostraram a ascensão de diferentes questionamentos às democracias liberais. Mesmo países que seguem democráticos não estão imunes aos debates acerca das bases nas quais se assentam as democracias. A erosão das democracias liberais é o tema deste curso do Petit Journal, em conjunto com o Clipping CACD.

Estrutura

O curso terá um total de seis horas de aula, divididas em 4 encontros de 1h30. As aulas poderão ser assistidas ao vivo, às terças-feiras, 21h; ou posteriormente, em até 3 meses a partir do início do curso. 

Público-alvo

Pessoas de qualquer idade, interessadas em história e política internacional contemporânea; estudantes de ensino médio, visando aos temas de atualidades para provas de vestibular e ENEM; estudantes universitários de qualquer curso de graduação; postulantes a uma vaga no Instituto Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores.

Cronograma

TemaProfessorData
Aula 1Boris Johnson: democracia liberal e nacionalismoDaniel Sousa e Tanguy Baghdadi14/07/2020
Aula 2O czarismo moderno de PutinDaniel Sousa e Tanguy Baghdadi21/07/2020
Aula 3Turquia e Hungria: democracias liberaisDaniel Sousa e Tanguy Baghdadi28/07/2020
Aula 4Venezuela: tradição democrática x Nicolás MaduroDaniel Sousa e Tanguy Baghdadi04/08/2020

⚠️ ATENÇÃO: Em respeito aos alunos e com o intuito de manter a qualidade das interações com os professores por meio do Clipping Chat, as vagas serão limitadas. Solicitamos aos interessados que façam suas inscrições o quanto antes pelo link. 

E aí, gostou da aula? E do curso? Compartilhe com um amigo que você acha que se interessaria. 😉


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