Entrevista com aprovado em 1º lugar no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD)

  • Clipping
    13/12/2018 . 11 min de leitura

Amigos do Clipping, o papo é com o Francisco, que cursou Direito pela UFMG e estudava para o concurso da Magistratura até 2 anos atrás, antes de ser introduzido pelo seu primo, Angelo, no universo de preparação para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) . Após bater na trave na primeira tentativa em 2017, Francisco lacrou o  primeiro lugar no CACD 2018, acompanhado logo em seguida pelo seu primo, que chegou uns pontinhos depois na segunda posição no concurso mesmo ano (!)  #truestory 

Trocamos uma ideia com o Francisco que explicou melhor essa história, confere aí!👇


Bate-papo com Francisco Santos:

 

Clipping: Você passou em primeiro lugar e seu primo passou em segundo no CACD. Esse feito épico já coloca a família Santos nos livros dos recordes como a única família a acumular 2 medalhas Lafayette de Carvalho e Silva, premiação destinada pelo Itamaraty ao primeiro e ao segundo lugar no CACD. Como foi CACD acabou virando um  “caso de família” na história de vocês?

Francisco: Eu hesitei bastante antes de decidir finalmente estudar para o CACD. O Angelo me ajudou bastante, acabando de convencer-me a embarcar nessa empreitada e dando-me algumas direções para iniciar os estudos.

Também ao longo da preparação, nós trocávamos várias ideias e impressões acerca da prova, o que, imagino, tenha sido proveitoso para nós dois. O Angelo sempre foi muito próximo do meu irmão mais velho, mas, ao longo dos estudos, aproximamo-nos bastante, de forma que, mais que um primo, ganhei um grande amigo.

Sendo a prova específica como é, acho que é sempre importante ter alguém com quem conversar sobre todas as dúvidas e dificuldades acerca do CACD – e, além do meu primo, tenho amigos que foram extremamente prestativos, inclusive para elevar o moral em momentos de desânimo.

Clipping: Outro ponto bem curioso na sua história… Você fez seu primeiro CACD em 2017 e tirou a segunda nota mais alta no TPS (!). Você fez seu segundo CACD em 2018 e tirou o primeiro lugar geral no concurso (!!). É uma trajetória bem atípica, já que a maioria dos aprovados tem levado 4 anos em média antes da aprovação. Embora seja importante fazermos aqui aquela ressalva de sempre de que “não tem receita e bolo para aprovação… cada um é tem seu caminho, etc”,  você parece ter descoberto em pouco tempo algo que funcionou muito bem para você em termos de estratégia. Conta aí um pouco da sua estratégia…

Francisco: Falar de uma estratégia é até um pouco difícil, porque nem tudo foi planejado de antemão! Muito dos meus estudos foi feito a partir de percepções casuísticas e pontuais. Um exemplo: no primeiro ano de estudo, a matéria da qual eu certamente tinha menos conhecimento prévio era economia; logo, essa foi a matéria na qual eu aloquei mais horas de estudo.

Já no segundo ano, tendo tido a experiência do CACD anterior, percebi que a matéria na qual deveria mais investir tempo era História do Brasil, porque as chances de aumentar a nota com mais horas de estudo me pareciam maiores. Outra constatação que surgiu da situação: tendo tido um bom resultado no TPS anterior, dediquei menos tempo a questões fechadas e a História Geral; em contrapartida, ao longo desse segundo ano, fiz muitas questões abertas, para habituar-me ao máximo às exigências formais e práticas da segunda e da terceira etapa, para além do conteúdo.

Alguns outros aspectos mais gerais: eu preferia deixar para assistir a vídeo-aulas como primeira ou última coisa do dia; as horas de estudo diárias variaram conforme o maior ou menor cansaço de determinada época, mas eu tinha como parâmetro as oito horas líquidas de estudo por dia.

Nem sempre foi possível, mas eu tentava reservar alguns dias exclusivamente para ler. Sei que isso é muito pessoal, mas para mim ler tanto meus próprios cadernos quanto livros de referência é essencial na fixação e no aprofundamento do conteúdo.

Ah, sim, e como última coisa do dia útil, eu percorria as atualidades do Clipping.

Clipping: Momento de “crise de preparação”  são um denominador comum aos candidatos (aprovados inclusive). Você teve o seu? Como foi?

Francisco: Acho que os momentos de dúvida, angústia e ansiedade são inevitáveis na preparação para o CACD. O primeiro desses momentos, inclusive, foi antes de decidir estudar para a prova! Enrolei um pouco antes de lançar-me aos estudos justamente por saber quão difícil é a prova e quão pouco é aproveitável o conteúdo para a maior parte dos outros concursos.

Durante o primeiro ano, ainda sem ter feito a prova, eu temia ter iniciado uma empreitada meio quixotesca; nesse sentido, o bom resultado no primeiro CACD me deu certo alento para estudar. Para além das dúvidas, volta e meia vinha uma exaustão quase intransponível. Mas não quero parecer muito pessimista.

Antes de resolver-me pela diplomacia, eu cheguei a estudar para Magistratura, e posso assegurar que nenhum concurso tem uma matéria tão estimulante quanto o CACD.

O guia de estudos de 2016 recebeu o nome de Texugo Melívoro, um animal que se alimenta de mel e de cobras – justamente os extremos entre os quais oscila o CACDista.

 

Clipping: Você estudou pelo Clipping desde o começo até o final da preparação. Cada vez mais a gente vê candidatos descobrindo novas formas de usar a plataforma que nem mesmo a equipe esperaria que fosse possível… É comum os candidatos enfatizarem algumas ferramentas em alguns momentos da preparação, outras ferramentas em outros momentos, etc.  Qual era o lugar do Clipping dentro da sua estratégia? 

O Clipping é uma ferramenta de apoio muito importante na preparação para o CACD. Afinal, além do front teórico, os estudos requerem uma constante atualização acerca dos acontecimentos. Nesse sentido, a compilação de notícias era uma aba do site utilizada diária e diuturnamente, fora as compilações semanais e os apanhados anuais antes do TPS. Além disso, os simulados de atualidades foram muito bons para uma revisão final antes das provas, bem como as aulas disponibilizadas antes das provas de 3ª etapa.

💡O que é o “quer pagar quanto”?

Concebido em parceria com o Prof. João Daniel, no projeto “Quer Pagar Quanto” o Clipping passou a disponibilizar aulas para o CACD em um modelo democratizante em que o aluno assiste as aulas e pagam o valor que julgarem justo por elas. O projeto está em versão beta e é restrito para assinantes da plataforma [ver em detalhes aqui…]

Ah, acho que vale ainda mencionar que, em meio aos estudos do Rio Branco, eu fiz uma pausa de algumas semanas para estudar para a ABIN. Meus estudos foram feitos quase que exclusivamente pelas aulas e materiais disponibilizados pelo Clipping especialmente para esse concurso.

De maneira geral, eu recomendo o Clipping a todos os que me vêm perguntar algo acerca da preparação para o CACD.

Clipping: Sua segunda maior nota foi História (88) e sua maior nota foi em Português (92). Você muito antes do flertar com a diplomacia, você já tinha um caso sério com a literatura e as letras em geral. Essa relação com as Musas te deram uma vantagem no CACD, sobretudo na terceira fase?

Francisco: O CACD é um concurso cuja matéria é muito extensa e, por conseguinte, parece-me que a trajetória pregressa do candidato pode facilitar bastante a preparação em si. Nesse sentido, eu tive algumas “sortes”:

as matérias exigidas constituíam, em geral, áreas de interesse minhas, e eu já dominava relativamente bem todos os idiomas da prova.

Durante a faculdade de Direito, interessava-me bastante por Direito Internacional, ainda sem saber que viria a prestar o concurso. Sempre gostei de escrever, de forma que o desafio maior foi moldar minha escrita à maneira das provas, tanto da segunda quanto da terceira etapa. Creio que o benefício dos hábitos de leitura e escrita extrapola a prova de redação; a capacidade de organizar ideias e formular textos bem escritos é um trunfo enorme, sobretudo em um concurso em que há muitos candidatos muito bem preparados.

Além disso, o arcabouço cultural que se vai formando ao longo das leituras pode vir à mão em circunstâncias bem inusitadas. Se bem me lembro, as únicas citações que fiz ao longo das provas deste ano foram Nietzsche e Vinicius de Moraes (como compositor, não como diplomata).

Clipping: Em meio a sua rotina CACDística, rolava aqueles períodos de “détente” para lazeres, amigos, aquela típica boêmia belorizontina? Ou você seguiu a linha do “splendit isolation” ao longo desses 2 anos de preparação? 

Francisco: Os períodos de “détente” são essenciais. Mesmo nos momentos mais intensos da preparação, eu tirava o sábado à noite para sair e o domingo para não fazer nada. Não era nada raro que as pausas para o café acabassem se prolongando um pouco mais também… Acho que, pela intensidade da preparação, alguma forma de relaxamento é essencial, porque a cabeça é um fator que pesa muito na hora dos estudos e das provas.

Por experiência própria, sei que não se rende nada quando se está estafado; mais vale, às vezes, recuar para melhor avançar. Ademais, conquanto o CACD seja um concurso muito difícil, é necessário tocar em frente também a vida privada. Família, amigos, lazer e descanso, para além de fins em si mesmos, são essenciais na manutenção da garra para estudar!

Clipping: O processo de preparação para a carreira diplomática é transformador. Dificilmente alguém que tenha investido tempo, dinheiro e energia no CACD sai dessa experiência sem ter ganhado algumas coisas como conhecimento, amizades e perdido outras, como oportunidades profissionais, etc. Para além da vaga, o que estudar para o CACD te trouxe de bom e de não tão bom assim? 

Francisco: Concordo plenamente. Ninguém sai incólume, para o bem ou para o mal, de um concurso ao qual se dedica tanto tempo e energia como o CACD.

Como consequência positiva, enfatizo os próprios estudos: é gratificante aprender e adquirir maior domínio sobre temas que, antes da preparação, me eram nebulosos. De certa forma, sinto que a preparação para o CACD me legou uma visão mais abrangente de diversos tópicos. Talvez mais importante ainda, os estudos me inocularam o hábito da disciplina: eu nunca me dispusera até então a alocar tantas horas em prol de um objetivo. Por fim,

graças à prova, conheci professores e candidatos pelos quais nutro hoje enorme estima.

Como pontos negativos, eu mencionaria os mesmos de sempre: cansaço, ansiedade, dúvida…mas é fato que os pontos negativos estão um pouco ofuscados agora!

 

Clipping: Bate bola, clássico. Para fechar. Topa?

Cruzeiro ou Atlético?

Cruzeirense não praticante

Um livro de cabeceira?

Grande Sertão: Veredas, Dom Quixote e À Procura do Tempo Perdido, na impossibilidade de escolher um. Além desses cânones, A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera, é um dos livros mais bonitos que já li.

Um diplomata (barão não vale):

Outra pergunta difícil. Muitos são dignos de admiração e deram seu quinhão de contribuição à história da diplomacia brasileira. São muitos os que devem ser mencionados, tanto no Império quanto na República. Tendo que escolher um assim, de chofre, menciono Afonso Arinos, pela clarividência quanto aos rumos que deveria tomar a política externa.

Um bairro em Belo Horizonte:

Centro, sem dúvidas, principalmente para andar sem rumo pelas ruas ou para tomar um café no glorioso Kahlua.

Uma praia:

Caraíva, no sul da Bahia

Um posto no Itamaraty:

Também difícil, mas morro de saudades de Buenos Aires.


Pessoal, pedimos para quem leu e curtiu a entrevista que ajude, na medida do possível a divulgar para outras pessoas que tenham interesse na carreira e nos grupos do facebook.

Obrigado pela leitura e deixe abaixo um comment!👇


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