Entrevista com aprovado em 2º lugar no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD)

  • Clipping
    09/01/2019 . 9 min de leitura
aprovado cacd

Amigos do Clipping, o papo agora é com o Angelo Paulo, que passou em 2º lugar no CACD e estudou durante 3 anos para o concurso. Após ser o primeiro de fora em 2017, Angelo continuou firme, arregaçou as mangas e garantiu a sua vaga em 2018 acompanhado pelo seu primo, Francisco que foi influenciado por ele a seguir a carreira diplomática. Angelo tem muito o que falar sobre a rotina de pai de família e de estudos para o concurso. 

Trocamos uma ideia com o Angelo que explicou melhor como foi toda a sua preparação, confere aí!👇


Bate papo com Angelo Paulo

Clipping: Você foi aprovado no CACD 2018 em segundo lugar apenas atrás do seu próprio primo, o Francisco (!). Começando pela mesma pergunta que fizemos ao seu primo: como foi essa curiosíssima situação de não só estudar para o CACD “em família”, mas também conquistar a vaga no mesmo ano dividindo as primeiros duas posições?

Angelo: Foi uma experiência muito proveitosa, sem dúvida. Foi muito bom para os estudos, pois eu, Francisco e alguns amigos fizemos um “grupo” para constante troca de informações e de motivação. Além disso, foi pessoalmente muito gratificante, pois, até iniciarmos a preparação para o CACD, eu e Francisco não éramos muito próximos, até pela diferença de idades. Estudando juntos, acabei ganhando um grande amigo e nossa aprovação coroou essa amizade.

Além disso, fico muito feliz, pois acredito ter sido uma influência para o Francisco decidir-se pela carreira de diplomata; por isso, a nossa aprovação no mesmo ano foi uma recompensa para essa nossa “aposta”. Finalmente, é muito bom ver nossos pais e familiares comemorarem juntos nosso sucesso; isso só reforça o sentimento de que todo nosso esforço valeu a pena.

Clipping: Outra curiosidade nesse caso de família é que você tirou 78 na prova de Línguas e seu primo 77.  Até na nota das línguas estrangeiras vocês estavam colados. São notas bastante expressivas. Como foi a estratégia sua para as provas de Francês e Espanhol?

Angelo:  Na verdade, não pensei uma estratégia específica para francês e espanhol. Assim como as outras matérias, fiz aulas e exercícios durante quase toda a preparação; no caso do francês e do espanhol, tentei ser disciplinado com os exercícios semanais, pois sempre entendi que o aprendizado de línguas depende de prática constante. Uma convicção que tive, durante esse tempo, é de que o estudo devia ser pragmático, com enfoque em exercícios que simulassem as provas ao máximo. O resultado foi realmente muito satisfatório e só posso agradecer o apoio das minhas professoras, que trabalharam comigo nesse período.

Clipping: Você começou a utilizar o Clipping em 2016 e o manteve na sua rotina de estudos desde então. Poderia nos dizer como ele se encaixou na sua rotina de estudos nos diferentes momentos da preparação?

Angelo:  Eu demorei um pouco para entender como eu podia aproveitar melhor o Clipping; nesse sentido, foi muito importante o depoimento da Marianna Brück, que foi aprovada há uns 2 anos, eu acho; se me lembro bem, ela disse que lia o clipping à noite, como última tarefa do dia. Depois de conhecer a experiência dela, passei a tentar manter a disciplina de “passar os olhos” pelo Clipping todas as noites, lendo pelo menos uma matéria. Muitas vezes, ia fazer minha filha dormir e aproveitava para ler no telefone, enquanto ela adormecia. Além disso, fui aos poucos aproveitando outras ferramentas disponibilizadas pelo Clipping, como o planejador de estudos e mesmo algumas aulas. Desse modo, o Clipping foi gradativamente se encaixando na minha rotina de estudos, geralmente como a última tarefa do dia.

Clipping: Ano passado, você ficou no 23o lugar, menos de dois pontos atrás do último dos aprovados. Nessas situações “na trave”, muitas pessoas se frustram e não encontram forças para retomar os estudos para o ano seguinte. Qual foi sua fórmula para superar esse momento “na trave” em 2017 e seguir firme até conquistar o segundo lugar em 2018?

Angelo:  Inicialmente, devo dizer que essa situação não é fácil, sendo natural o sentimento de tristeza e angústia após a divulgação do resultado final. No meu caso, curti um pouco o “luto”, enquanto me conformava com o fato de que, para que 23 fossem aprovados, fatalmente haveria o 24º lugar, que fui eu, infelizmente. Além disso, eu nunca deixei de falar abertamente sobre o que ocorreu comigo, até como uma forma de espantar esse “fantasma”.

Eu tinha muito claro o objetivo de passar o CACD e, por isso, não vi outra alternativa senão a de retomar os estudos, com a consciência de que eu havia “batido na trave”.

Durante o ano, muitos colegas e professores me diziam que o meu resultado demonstrava que eu estava bem preparado e que a minha aprovação seria um caminho quase “natural”. Eu achava que era gentileza deles, com o objetivo de me reconfortar. Mas o meu resultado em 2018 acabou provando que eles tinham razão, não é verdade? Assim, acho que os candidatos em situação semelhante não podem deixar a “peteca cair”, pois a tendência, se mantiverem um ritmo bom de estudos, é só de melhorarem suas chances de aprovação, que já são grandes.

Resumindo: não é fácil ficar como o primeiro de fora, em um concurso tão disputado como o CACD; mas, sem dúvida, ninguém chega a essa posição se já não estiver bem preparado, circunstância que deve servir como motivação para a retomada dos estudos. Sei que é difícil, mas acho que meu exemplo mostra que é possível superar essa frustração.

Clipping: Você é pai há três anos. Seu filho nasceu mais ou menos na época em que começou a estudar para o CACD. Como foi conciliar os estudos para o CACD e como andam agora as negociações tripartites junto à família para essa transição BH-Brasília?

Angelo: Minha filha nasceu em novembro de 2015 e eu decidi dedicar-me aos estudos para o CACD em dezembro daquele ano. Na verdade, o nascimento dela foi um dos principais estímulos para que eu efetivamente optasse por correr atrás do sonho de tornar-me diplomata, então não foi tão difícil conciliar a paternidade com os estudos.

É certo que os “compromissos” familiares limitaram um pouco minha capacidade de estudos, mas nada que comprometesse minha preparação. É bom ressaltar que eu contei com um enorme apoio de minha esposa, circunstância que facilitou extremamente essa convivência entre paternidade e estudos. Mais ainda, o fato de estar estudando (e não trabalhando) permitiu que eu acompanhasse os 3 primeiros anos da minha filha bem de perto, o que tem sido muito gratificante para mim. No final, a minha filhinha acabou até ficando conhecida de alguns colegas e professores, pois, às vezes, aparecia repentinamente no meio de algumas aulas.

Quanto à mudança, ainda estamos nos acostumando com a minha aprovação, mas essa transição para Brasília já foi conversada desde o primeiro momento em que decidi me dedicar ao CACD. Sem dúvida, é uma grande reviravolta em nossas vidas, mas tenho certeza de que valerá muito a pena.

Clipping: Nesses anos de preparação para o CACD, os candidatos passam por grandes transformações intelectuais e pessoais. O volume de conhecimento e informações adquiridos é enorme, as provações são diversas… Qual foi a disciplina que gerou maior dificuldade para você dentro do CACD? E como você fez para superar suas deficiências?

Angelo: Economia foi a disciplina que mais me desafiou nesse concurso, pois meus conhecimentos anteriores na matéria eram quase inexistentes. A minha opção foi aumentar o tempo de dedicação semanal à matéria; no primeiro ano, fiz um curso que me deu uma boa base inicial e, no meu segundo ano de preparação, optei por fazer um acompanhamento mais próximo, com a professora me orientando acerca de como estudar a matéria, indicando textos, estabelecendo prazos e objetivos e realizando testes periódicos. O resultado foi muito bom, pois minha nota cresceu significativamente, tanto na 1ª quanto na 3ª fase; em 2018, aliás, foi minha maior nota nas provas discursivas.

Clipping: Corrija-nos se estivermos errados. Sua jornada até a aprovação durou cerca de 3 anos, certo? Se você pudesse dar uma dica para o CACDista que está começando a preparação agora, qual seria?

Angelo: Sim, comecei meus estudos em dezembro de 2015.

Uma primeira dica é ter paciência, pois a preparação toma tempo, sendo que cada candidato tem seu ritmo… Não adianta ficar se comparando com o colega, pois as experiências pretéritas, os modos de estudo e o ritmo de aprendizagem são diferentes. Outra dica é não deixar de praticar questões abertas, pois não adianta passar na 1ª fase e não dar conta das 2ª e 3ª fases; nesse sentido, é extremamente importante trabalhar para ter um texto bem redigido, de acordo com o “jargão” de cada disciplina.

Finalmente: o concurso é muito difícil, mas não é impossível, tanto assim que, todo ano, uma turma é aprovada; acredito que o candidato deve ter isso sempre em mente, para se manter motivado. Com esforço e um estudo inteligente e pragmático, uma hora chega a vez do candidato que tem perseverança; o importante é manter uma disciplina de estudo, de forma pragmática e inteligente.

Clipping: Anima um bate bola, clássico?

Cruzeiro ou Atlético?

Galo, é lógico.

Um artista:

Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim

Um diplomata (barão não vale):

Nossa, há muitos… Paulino José Soares de Souza, Honório Hermeto Carneiro Leão, Oswaldo Aranha, Afonso Arinos, Araújo Castro; fora a turma da literatura, João Cabral de Melo Neto, Vinícius de Moraes, Guimarães Rosa (que ainda era mineiro e atleticano).

Mas, para citar apenas um, vai Duarte da Ponte Ribeiro.

Um hobby:

Música e camisas de equipes de futebol

Um ponto do Edital:

Ponto 5 de História do Brasil – O Segundo Reinado (1840-1889).


Pessoal, pedimos para quem leu e curtiu a entrevista que ajude, na medida do possível a divulgar para outras pessoas que tenham interesse na carreira e nos grupos do facebook.

Obrigado pela leitura e deixe abaixo um comment!👇


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