Clipping CACD entrevista Diretor do Instituto Rio Branco

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    25/04/2017 . 34 min de leitura

Quando sai o Edital do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) 2017? O que vai mudar? Como será a prova de línguas?

Quando surgiu a incrível oportunidade de entrevistar pessoalmente o Direito do Instituto Rio Branco (IRBr), a equipe do Clipping não hesitou em pegar imediatamente a ponte aérea BH-Brasília rumo ao DF para tirar a limpo essas questões.

Aterrizando sob o sol de Brasília, atravessamos o plano piloto, deciframos a geografia de Brasília e em poucos minutos estávamos no SAFS, quadra 5, lotes 2/3, logo atrás do prédio do STJ, e às portas do Instituto Rio Branco, onde Clipping foi  gentilmente acolhido pelo Oficial de Chancelaria Carlos Considera, que nos levou até a sala do Diretor Instituto Rio Branco, o Embaixador José Estanislau.

Ao  longo de agradabilíssimos 40 minutos de conversa, tivemos essa sorte incrível falar muito sobre o CACD com quem é diretamente responsável pelo processo seletivo. Quando sai o Edital? O que vai mudar no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) de 2017? Tudo isso incluímos na pauta. Confira aqui o que rolou.

Instituto Rio Branco

Clipping: O Instituto Rio Branco tem essa dupla função de cuidar tanto do processo seletivo quanto da formação do diplomata brasileiro. Quais são hoje os principais desafios identificados pelo senhor para modernizar o Instituto Rio Branco em cada uma dessas frentes que o Instituto atua?

Embaixador José Estanislau: O Instituto Rio Branco (IRBr) tem 70 anos, completados em 2015. Foi criado com a missão de profissionalizar o serviço diplomático brasileiro e suas principais funções são essas mesmas: recrutar e formar diplomatas. No Instituto, recrutamos os diplomatas; outras áreas do Itamaraty organizam os concursos públicos para as demais carreiras do serviço exterior brasileiro.

Ser o braço de recrutamento de diplomatas do Itamaraty, ir ao mercado de trabalho anualmente para atrair e selecionar jovens de talento, talvez seja a tarefa mais estratégica do IRBr. Pois não há curso de formação posterior que possa corrigir as falhas de um sistema de seleção ineficaz.

Além do curso de formação, que se segue à admissão dos jovens diplomatas, o Instituto oferece treinamento em diferentes estágios da carreira. Um na primeira metade, que é o Curso de Aperfeiçoamento de Diplomatas (CAD); e outro na metade mais avançada da carreira, que é o Curso de Altos Estudos (CAE).  Ambos são requisitos à promoção às classes respectivamente de Primeiro Secretário e Ministro de Segunda Classe.

No entanto, quero focar-me no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) e no Curso de Formação.

Embaixador José Estanislau: Um primeiro comentário que faço é de que, nos últimos anos, alterou-se o perfil das pessoas que são aprovadas no concurso, o que traz desafios à estruturação do Curso de Formação. O concurso é cada vez mais concorrido, por uma série de fatores, tais como o valor do salário inicial atraente quando comparado aos oferecidos no setor privado e a crise da economia brasileira, que reduziu a oferta de trabalho no setor privado ou mesmo em outros concursos públicos.

O fato é que, nos últimos anos, o Itamaraty tem atraído muita gente, e os concursos são muito disputados. Em consequência, os candidatos aprovados, quase sem exceção, passam na segunda, terceira ou quarta tentativa. É raríssimo ter alguém que passe na primeira tentativa. Além disso, é necessário ter curso superior completo. O resultado é que os jovens aprovados no concurso  são atualmente muito bem qualificados, trazem experiência profissional prévia e têm um perfil etário mais avançado, na média de 30 anos de idade.

Eu entrei no Rio Branco no começo da década de 80. Na época, bastavam dois anos de curso superior, e os aprovados tinham média de idade consideravelmente inferior.  Na minha geração, as pessoas entravam, em média, com 24 ou 25 anos.

Evidentemente que um curso de formação para alunos com grau de maturidade comparativamente mais elevado pede ajustes importantes.  O desafio que eu tenho aqui no Rio Branco é o de adaptar o curso para esse novo perfil do diplomata aprovado, que é muito mais exigente. Dois ou três desafios se impõem. O primeiro é não repetir no curso aquilo que já é exigido no concurso, procurando manter a motivação dos alunos.

O segundo é trazer matérias que despertem no aluno a vocação para a política internacional, para o mundo e não apenas para dentro do Itamaraty. O terceiro desafio é o conhecimento da realidade brasileira. Explico-me: muitos aprovados mudam-se para Brasília trazendo na bagagem pessoal a sua perspectiva local. O que vem da Bahia tem uma realidade, o que vem do Pará tem outra.

É aqui em Brasília que a maior parte deles vai adquirir o sentido da nacionalidade brasileira. Por isso, estamos reintroduzindo no curso de formação as viagens de estudo, que promovem o conhecimento das múltiplas dimensões do Brasil. Isso vale frequentemente mais do que aulas em classe.

Socialização desses recém-ingressados na carreira diplomática

Clipping: Costuma-se dizer que um dos pilares do Instituto Rio Branco é a socialização desses recém-ingressados na carreira diplomática. Na prática, além das viagens ao Brasil, como que isso acontece?

Embaixador José Estanislau: Por socialização costuma-se entender a iniciação dos novos recrutas nas práticas e tradições do Itamaraty, as quais, por sua vez, estão em perpétua transformação. Isso ocorre de diversas formas.

Primeiramente, pelo simples contato pessoal. A maior parte dos professores do Rio Branco são diplomatas e muitos deles trazem a seus cursos palestrantes do Itamaraty. Pelo contato durante as aulas, vai-se criando um diálogo que é parte importante do processo de socialização.

Algo que havia no passado, mas não hoje, é a proximidade física, já que o Instituto Rio Branco, embora perto, não está exatamente dentro do Itamaraty. Então, os alunos não circulam tanto dentro do Ministério. Por isso, sempre trazemos as altas chefias da casa para falar aos alunos.  Quando há oportunidade, convidamos também ministros e altas autoridades estrangeiras para que façam palestras aos alunos do Rio Branco, o que  gera ocasiões de socialização fora dos quadros do Itamaraty.

Num outro plano, criamos recentemente, junto com a FUNAG, uma série de encontros, a que chamamos “Percursos Diplomáticos”, com o objetivo de trazer ao Instituto Rio Branco nomes do Itamaraty de reconhecida trajetória intelectual e profissional para que para exponham aos alunos  seu perfil, sua trajetória, seu itinerário diplomático. O primeiro convidado dessa série foi o Embaixador Rubens Ricúpero, que veio no final de março e falou, com agenda livre, por cerca de duas horas sobre sua experiência diplomática. O próximo será o Embaixador Marcos Azambuja. Ao longo do segundo semestre, continuaremos trazendo outros nomes para continuar promovendo essa transmissão de conhecimento e de experiências entre as gerações.

Por essas distintas vias, e como os alunos têm muita curiosidade, eles acabam absorvendo tudo como uma esponja na verdade. Como eu absorvia no meu tempo. Você presta atenção, olha, incorpora, ou não, rejeita, é dessa maneira que se dá a socialização. Depois de um ano eles estão absolutamente prontos para começar a trabalhar.

Preparação para o CACD

Clipping: Seguindo até essa linha de compartilhar as experiências, todo diplomata já foi candidato um dia. O senhor foi aprovado em segundo lugar no concurso de 82 e foi também primeiro lugar da sua turma no curso de formação. Fazendo jus ao prêmio Lafayette de Carvalho e ao Prêmio Rio Branco. Na banca examinadora do certame daquele ano estavam figuras conhecidas de quem se prepara para o concurso público hoje, como Amado Cervo, na banca de História Mundial, Aziz Ab’Saber, na banca de Geografia do Brasil, e o Rezek na banca de Direito. Após todos esses anos, que lembranças, anedotas ou mesmo traumas o senhor guarda daquele movimentado contexto de preparação?

Embaixador José Estanislau: Meu processo de preparação foi sui generis, porque foi feito em primeiro lugar com meu irmão, Rodrigo, que hoje é Embaixador nas Filipinas. Nós temos diferença de idade de exatamente um ano e nos preparamos juntos. Mas ele passou na primeira vez e eu passei na segunda tentativa, no ano seguinte. Recebemos ambos o Prêmio Rio Branco em anos consecutivos.

Havia um terceiro candidato que se preparava conosco, nosso colega Orlando Scalfo, já falecido. Nós estudávamos entre amigos. Então para nós havia uma boa dose de prazer. Cada um fazia suas leituras, mas na hora do almoço ou jantar, sentávamos e ficávamos falando sobre História Mundial, que sempre foi minha seara predileta, História do Brasil vinha em segundo lugar. Foi ademais um processo tranquilo, sem traumas, de estudo com regularidade e constância. Não me lembro de ter passado noites em claro, mas de ter estudado todo dia, um número determinado de horas. Se eu tenho uma história para contar, é essa. Eu tive a sorte de me preparar com um grande amigo e com um irmão. Não é todo mundo que tem essa chance. Sou grato.  O Orlando também foi reprovado no primeiro ano e entramos juntos na segunda tentativa. Ele entrou em primeiro lugar; eu entrei em segundo.

Outro fato que me chamou a atenção na preparação foi o fato de ter de vir a Brasília. Na época não havia cursinho on-line, como hoje. Eu sou paulistano. Morava na maior cidade do país, onde ficam as melhores escolas do país, mas tive fazer cursinho aqui em Brasília. E na minha turma eram muitos poucos os paulistanos e paulistas. Havia uma concentração muito grande de candidatos de Brasília, não necessariamente nascidos aqui, mas que se prepararam aqui. Outro contingente grande vinha do Rio. Isso já mudou muito.

Clipping: Mas até bem pouco tempo ainda esse fluxo de pessoas vindo para Brasília para estudar ainda era considerável…

Embaixador José Estanislau: Vinham para fazer um dos cursos preparatórios. Mas até isso está mudando. Outro dia eu vi no “Youtube” um vídeo que mostrava que, nessa última turma, vários se prepararam pelo curso on-line. Assisti a uma entrevista com uma das aprovadas, de Juiz de Fora, uma cidade de porte médio.  Ela se preparou lá. Há 30 ou 20 anos atrás, uma pessoa que estava em Belo Horizonte, ou Curitiba, ou Porto Alegre, tinha dificuldades de se preparar adequadamente. Mudou muito essa estória.

Uma preparação cada vez mais democrática

Clipping: Torna um pouco mais democrático o acesso à preparação, não é? 

Embaixador José Estanislau: Acho que os meios de comunicação contribuíram para acelerar um processo que já estava em curso e vinha conduzindo o concurso para uma abertura cada vez maior ao conjunto da sociedade brasileira. O fato de que o concurso hoje em dia seja feito em todas as capitais estaduais e no Distrito Federal também ajudou a democratizar o acesso. Um exemplo: os filhos de diplomatas são hoje em dia contingente reduzido. Na minha turma, e nas turmas da minha geração, eles representavam um porcentual importante dos aprovados. Hoje em dia não. Na turma que entrou nesse ano não há nenhum filho de diplomata. Na turma anterior havia apenas dois.

Clipping: E de que forma as próximas provas do CACD tendem a refletir as novas expectativas que o governo tem para a ação diplomática brasileira? Por exemplo, especificamente no que se refere à ênfase no incremento do comércio exterior brasileiro? 

Próximas mudanças no CACD

Embaixador José Estanislau: Eu não posso e não devo adiantar o que poderá estar no certame desse ano. Limito-me a dizer o seguinte: sempre há mudanças no concurso, mas se examinarmos sua evolução nos últimos 30, 40 anos, os elementos de permanência são muito mais importantes do que os de mudança.

O concurso do Itamaraty, é óbvio, e é bom que assim seja, tem ênfase em Línguas Estrangeiras, Português, História, Geografia e, em menor grau, Economia e Direito. Isso define o desenho do concurso desde sempre e não muda, porque essas disciplinas são as ferramentas essenciais com que um diplomata deve contar. O que pode se alterar é uma ênfase pontual aqui ou ali. Pode-se, digamos, reequilibrar dentro de uma mesma equação essas disciplinas, com pesos um pouco diferentes. De modo que, sem adiantar nada, posso dizer que o exame tenderá a ser muito similar ao que sempre foi. Desse núcleo de matérias ele não sai. Não tem por que sair.

Diplomatas no Campo

Clipping: Na prova do concurso de 82, em que o senhor foi aprovado, o tema da dissertação de português, da prova de português, foi “Brasil, um país agrícola”. Curiosamente, uma das primeiras mudanças introduzidas pelo senhor à frente da diretoria do Instituto Rio Branco foi a de promover um contato mais direto dos jovens diplomatas com a realidade do setor agropecuário brasileiro por meio do programa Diplomatas no Campo. Como funciona o programa e qual a avaliação do senhor sobre esses primeiros meses de Diplomatas no Campo?

Embaixador José Estanislau: É verdade. Não lembrava que o tema tinha sido “Brasil, um país agrícola”. Naquela época o Brasil tinha ambições de industrialização talvez maiores do que as que têm no presente. O Brasil é hoje, mais do que em 1982, uma potência agrícola, muito mais.

Esse nome “Diplomatas no Campo” é na verdade uma criação da CNA – Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária. O programa de palestras e visitas a fazendas responde a preocupação maior nossa, que é a de que os diplomatas tenham contato com o setor produtivo brasileiro. Não apenas no que se refere à agricultura, mas também com relação à indústria.

Foi por isso nós montamos um programa de visitas e viagens dos alunos ao campo, organizados em cooperação com a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária e com o MAPA. Há um outro capítulo que inclui visitar as indústrias, o qual foi viabilizado e estruturado pela Confederação Nacional da Indústria – CNI. Os alunos do Instituto Rio Branco viajaram para três estados brasileiros (Amazonas, Santa Catarina e Bahia) para conhecer a diversificada indústria nacional. Também organizamos dois dias de seminários e palestras no SEBRAE e uma semana inteira na APEX.

O objetivo desse programa multifacetado foi o de fazer com que os alunos, mesmo aqueles que depois não tenham interesse em trabalhar no setor econômico, tenham uma visão de como funciona o setor produtivo brasileiro. É bom lembrar que uma das peculiaridades do Brasil é o fato de que o Itamaraty sempre teve peso importante na formulação e execução da política de comércio exterior e de promoção comercial. Isso não é necessariamente verdade em outros países.

Por fim, não se pode esquecer que a diplomacia não é algo etéreo, algo que exista no vácuo. Ela é feita da defesa de interesses reais. Os diplomatas em geral têm uma inclinação natural para as humanidades e muitas vezes desconhecem por completo como funciona a economia real. Por isso, o conhecimento direto dos alunos com o setor produtivo mereceu tanto cuidado. O feedback que tive deles foi muito positivo, assim como igualmente positivo foi o feedback que recebi das entidades que representam o setor produtivo brasileiro. Era esse o objetivo.

“Defesa, Segurança e Política Externa”

Clipping: Outra inovação introduzida no Instituto Rio Branco foram a disciplina “Defesa, Segurança e Política Externa”. De tantas disciplinas que poderiam entrar no programa, por que a opção por essa disciplina nesse momento?

Embaixador José Estanislau: Entraram várias outras disciplinas. Fizemos algumas adaptações. Por exemplo, Economia era dada em um semestre só; expandimos para dois semestres. Introduzimos uma disciplina de Política Internacional, de dois semestres. Tivemos várias modificações na grade curricular.

Quanto à matéria citada, recordo que fomos procurados pelo Ministério da Defesa que nos propôs, digamos, introduzi-la. É crescente a colaboração e interação entre o Ministério da Defesa e o Itamaraty, inclusive Academia Diplomática, ou seja, o Rio Branco, e as Academias Militares. Os papéis da diplomacia e das forças armadas são distintos, mas convergem para um objetivo comum, que é a defesa do país, a manutenção da soberania no plano internacional

Contradições das novas mudanças

Clipping: Pode-se dizer que a introdução do programa Diplomatas no Campo e também essa disciplina de Política, Segurança e Defesa Externa são novidades afetas ao campo da Geografia e da Política internacional, ou não respectivamente?  Paradoxalmente, essas duas disciplinas tiveram o peso reduzido na nota final do concurso. Antes tínhamos uma prova discursiva específica para Geografia outra específica de Política Internacional valendo 100 pontos cada. Agora temos uma prova que mistura Política Internacional e Geografia no valor de 100 pontos. Não haveria uma contradição entre aumentar o peso de temas afetos a essas disciplinas no processo de formação de diplomatas e reduzir o peso desses temas no processo de seleção de diplomatas?

Embaixador José Estanislau: Não vejo as coisas exatamente da maneira como foram formuladas no enunciado da questão. O programa a que a CNA deu o nome “Diplomatas no Campo” não tem nada a ver com geografia, mas antes com a necessidade de que os diplomatas estejam familiarizados com o setor produtivo brasileiro. Da mesma forma, o vetor que motivou a criação de uma disciplina intitulada “Defesa, Segurança e Política Externa não foi a política internacional, objeto, como já disse, de um novo curso à parte, mas tem a ver com a integração e a interação crescentes entre Forças Armadas e Diplomatas.

Finalmente, não acho que deva haver correspondência ou simetria entre o que se pede no concurso e o que se oferece aos alunos no curso de formação. Uma coisa é o concurso. E outra é o curso de formação. Não reside contradição alguma aí. Reuni-me com os alunos do Instituto Rio Branco mais de uma vez, e uma das críticas mais frequentes que escutei foi justamente a de que se evitasse redundância entre o que se exige na entrada e o que se dá durante o curso. No limite, nada impediria que o concurso pedisse A, B e C e fossem lecionados aqui no curso de formação D, E e F. Não é necessário que haja uma correlação estreita ou uma fórmula matemática que preveja uma equiparação entre as duas etapas. Não acho essa premissa verdadeira. O que não significa necessariamente que Geografia e Política Internacional não mereçam uma prova individual, mas isso é apenas uma especulação. Estou apenas tratando de dissociar as coisas. Há uma tentação de ver as coisas como se fizessem parte de um grande esquema sistematicamente organizado.  Prefiro vê-las mais soltas, mais livres. É  a minha forma de pensar.

Provas de línguas

Clipping: Está esclarecido. O ex-diretor do Instituto Rio Branco, André Amado, conta no livro Por dentro do Itamaraty que durante sua gestão quase foi ejetado da cadeira de diretor do Instituto Rio Branco após a exclusão da prova de Francês do concurso. Historicamente, a estrutura da prova de francês e espanhol são as que costumam mais sofrer alterações com a mudança na direção do Instituto Rio Branco. Para ficarmos em um exemplo recente, na gestão do Embaixador Gonçalo de Barros, as provas de francês e espanhol deixaram de ser discursivas para serem de múltipla escolha. Qual a perspectiva do senhor sobre os diversos modelos de avaliação já adotados?

Embaixador José Estanislau: Quando o Embaixador André Amado foi Diretor do Instituto Rio Branco, eu era professor de Política Externa Brasileira e examinador da prova de Português. Conheço-o bem. Naquela época, eu trabalhava na assessoria internacional do presidente Fernando Henrique.

Eu me lembro de uma curiosidade. Era “notetaker” de uma reunião do presidente Fernando Henrique com o Presidente Jacques Chirac, em Paris, em 1996. E eu lembro perfeitamente bem que o presidente francês tinha entre os seus pontos de conversação um que era relativo justamente à eliminação do idioma como prova eliminatória do concurso do IRBr. Eu entendo que ele tenha feito essa observação.

A defesa da língua, da francofonia é peça essencial da política externa francesa. A bem da verdade, porém, o francês nunca deixou de ser uma prova importante no exame. Simplesmente deixou de ser considerada eliminatória durante a gestão do André Amado.

Quanto às mudanças no critério de avaliação, se a prova é discursiva ou de múltipla escolha, são naturais. Mas uma coisa eu preciso deixar muito claro: eu acho que o domínio pleno de línguas estrangeiras é uma prioridade para diplomatas. No caso do Brasil é fundamental, sobretudo porque a nossa língua não é uma língua internacional. O português é falado em  alguns países.

Mas não é uma língua amplamente divulgada no mundo. Portanto, o domínio de línguas estrangeiras é essencial aos diplomatas brasileiros, é ferramenta sem a qual não se pode trabalhar. Independentemente do método de avaliação, é prioridade do diplomata saber línguas, a começar pelo Inglês.

Programa de Ação Afirmativa

Clipping: Esse ano tivemos mudanças profundas também no programa de Ação Afirmativa, que concede, desde 2002, bolsas para candidatos negros e pardos. O que é mais notável nessas mudanças é que as notas no CACD do ano anterior torna-se o critério principal para a seleção dos bolsistas. Qual é a lógica por trás dessas mudanças no programa de bolsas? Por que o Itamaraty optou por usar esses critérios?

Embaixador José Estanislau: Essa é uma conversa longa.

Meu primeiro comentário é o seguinte: o Itamaraty é pioneiro nessa área. O programa de Ação Afirmativa foi criado pelo Itamaraty em parceria com três outros órgãos, em 2002, ainda no último ano do governo Fernando Henrique. Outros parceiros do Programa são a Fundação Palmares, que pertence ao Ministério da Cultura, a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, que é um órgão da Secretaria de Direitos Humanos e o CNPq, que é quem operacionaliza o programa. Essa é uma parceria que foi criada muito antes da Lei de 2014, que criou a reserva de vinte por cento de vagas para negros no concurso. Esse programa foi criado então com esse objetivo de financiar candidatos negros que tinham planos de estudos para prestarem concurso.

Uma primeira crítica que se poderia fazer ao formato do Programa é o da eficiência do gasto público. Ao longo de 14 ou 15 anos, foi um valor muito grande dispendido para o resultado obtido. Havia candidatos bolsistas que receberam a bolsa 5 vezes, sem nenhuma contrapartida. Não havia um acompanhamento muito grande dos candidatos e também, muitas vezes, as bolsas eram dadas para candidatos que talvez não tivessem condições de ser aprovados. Tivemos, em 14 anos de existência do programa anterior, 26 bolsistas aprovados, ao custo individual de cada um, se nós somarmos valor dispendido no programa todos esses anos e dividirmos pelos 26 bolsistas que foram aprovados, um valor aproximado de R$ 400 mil. É mais ou menos esse o valor por candidato aprovado. O que, do ponto de vista de gestão dos recursos públicos, é insustentável.

O segundo elemento que contribui para reformular o Programa foi a Lei de 2014. Nesse ano de 2017, faremos o terceiro concurso dentro dessa Lei. Com a acesso aos negros já assegurado, buscamos  otimizar o uso dos recursos existentes,  com a finalidade até de aumentar o ingresso de negros. O novo desenho do Programa foi aprovado por todas as entidades que representam o movimento negro fora do Itamaraty, assim como pelo Comitê Gestor de Gênero e Raça do Ministério.

O terceiro fator para a reformulação do Programa são as restrições orçamentárias, que nos afetam a todos nós, a todas as agências públicas.

Qual a principal novidade do Programa de Ação Afirmativa no novo modelo? Todos os anos nós temos um número grande de candidatos que obtêm a média mínima para entrar, mas que não são classificados porque outros tiveram médias mais elevadas. Vários desses são negros, outros não.  A ideia é dar a bolsa a esses que não passaram por pouco e que, portanto, já foram testados,  para que possam, quem sabe,  entrar pela ampla concorrência, com isso até aumentando o número de negros além das quotas.

Foi esse tripé que levou ao novo modelo e que recebeu muitos elogios do próprio movimento negro.

Tutoria Diplomática

Clipping: Uma das ações menos conhecidas em apoio ao programa Ação Afirmativa é a tutoria diplomática, ou uma espécie de coaching, em que os bolsistas do programa são acompanhados por diplomatas voluntários nos estudos. Como surgiu esse modelo da tutoria e por que o Instituto Rio Branco decidiu retomá-lo? 

Embaixador José Estanislau: Na verdade eu não acompanhei o Programa quando foi lançado. Mas havia previsão de que houvesse acompanhamento, monitoramento dos bolsistas, mas não “coaching” desses candidatos. Isso foi implementado num certo momento, mas depois foi abandonado. Não sei exatamente quando.

Nossa ideia é retomar em parte essa prática porque é uma prática boa, por dois motivos: permite verificar se o recurso está sendo bem empregado ou não orientar os estudos do candidato que é bolsista.

Redes sociais do MRE

Clipping: Recentemente o Itamaraty vem inovando bastante em termos de diplomacia pública, sobretudo nas redes sociais. O Ministério das Relações Exteriores tinha até poucos anos um tradicional programa por meio do qual ele enviava diplomatas de carreira para divulgar o concurso nas principais capitais. Na sua avaliação, a eficiente presença do Ministério nas redes sociais tornou obsoleta essa divulgação corpo a corpo?

Embaixador José Estanislau: Nunca pensei muito bem sobre essa questão para ser muito honesto. Mas, obsoleto, o corpo a corpo nunca é. Nada substitui a presença física e pessoal. Aliás, por esse motivo estou dando entrevista presencialmente a vocês, porque acho que com isso eu alcanço o público interessado e isso é importante.

Por outro lado, o universo limitado de pessoas que se pode alcançar versus o custo envolvido em cada contato pessoal requer o uso de redes sociais. Vamos supor que o IRBr enviasse diplomatas a cada estado brasileiro para divulgar o concurso. O custo com passagens e diárias para atingir um público reduzido seria muito elevado.  Os interessados no concurso já vão aos cursinhos especializados, leem os blogs especializados, vão à página do Itamaraty. Nós, esse ano, criamos uma página do Instituto Rio Branco no Facebook. Está ainda no primeiro mês, mas está com muitos acessos.  Quando for lançado o concurso desse ano, evidentemente nós esperamos que aumente muito o número de acessos. No fundo é muito mais eficaz do ponto de vista custo-benefício. No entanto, sempre que sou procurado por alguém, um conhecido de um conhecido, atendo sem hesitar. Sempre que tenho chance de falar sobre o concurso, não a desperdiço. Todos aqui no IBRr encaramos isso como missão.

Inovação na carreira diplomática

Clipping: Temos aquela frase clássica de Azeredo da Silveira de que a melhor tradição do Itamaraty é saber renovar-se. Essa máxima, de diferentes formas, é muito comumente invocada nos discursos oficiais para falar dos esforços do Itamaraty para modernizar-se e atender e acompanhar as mudanças do mundo. Mas como abrir espaço para inovação e mudança em uma carreira profundamente marcada pela hierarquia e pela tradição?

Embaixador José Estanislau: É verdade. Essa frase do chanceler Silveira é muito citada porque essencialmente é uma boa frase. É uma frase que concilia tradição e inovação. Ele encontrou uma forma muito feliz de se expressar a respeito. Eu diria que a carreira está se renovando. Tomo como pulso da situação o Rio Branco, que é a porta de entrada para a carreira. Mudou o perfil do diplomata que está entrando hoje em dia no Instituto.

Eles vêm de diferentes partes do Brasil, em primeiro lugar, quando antes se concentravam nas famílias do Rio.  Vejo até pelos sobrenomes. Se se analisarem os sobrenomes dos candidatos atuais e os de duas gerações atrás,  é fácil dar-se conta de que o Itamaraty passa cada vez mais a representar as verdadeiras cores do país. Há pessoas com sobrenomes que refletem a diversidade brasileira.

Descendentes de europeus, de eslavos, de sírios, libaneses, japoneses, judeus, passaram a conviver com sobrenomes de famílias portuguesas, que já foram maioria esmagadora no Itamaraty,  quase que 100% do Itamaraty. Os novos diplomatas vêm de classes sociais muito diferentes. E nos últimos anos mudou também a cor. Se você pegar uma foto de turma do Rio Branco atual e uma foto de turma do Rio Branco de 20 anos atrás, mudou a cor dos alunos na média.

Dentro da tradição, as coisas vão, em suma, mudando, sem que se abra mão da hierarquia. Cadeia de comando existe em todas as organizações, privadas e públicas. Mas não há, eu posso estar enganado, posso estar refletindo a minha experiência, mas não há abuso de autoridade.  Enfim, acho que o desafio de modernizar a carreira existe e está colocado pra nós, não só no Rio Branco, mas para todos os chefes e para todos que exercem uma posição de liderança.

Há uma outra coisa que queria dizer sobre a mudança de perfil. Hoje em dia as mulheres têm participação cada vez maior na gestão do Itamaraty. O número de embaixadoras hoje em dia é incomparavelmente maior do que existia quando eu entrei, e muitas vezes ocupando posições importantes. Então tudo isso significa modernização. Se estamos em sintonia com o resto do Brasil em termos de modernidade, é complicado responder. Mas há um esforço permanente.

Quando sai o Edital do CACD?

Clipping: Bom… uma pergunta que talvez não possa responder, mas… há alguma previsão para o edital?

Embaixador José Estanislau: Há uma previsão de que o concurso saia esse ano. Isso é o que eu posso dizer.

Desafios como Embaixador

Clipping: Embaixador, não poderíamos deixar de falar um pouco sobre sua atuação como encarregado de negócios em Damasco, em 2013. Em plena guerra civil, o senhor foi um dos responsáveis pela logística do plano de retirada de cerca de 400 XXX, que moravam na época e que ainda residiam na Síria. Como o senhor recebeu essa missão e quais foram os desafios de atuar em cenário de administração de crise?

Embaixador José Estanislau: Isso é todo um capítulo à parte. Na verdade, eu cheguei a Damasco como Encarregado de Negócios em setembro de 2013, vindo de quatro anos de Genebra e três anos de Dinamarca. Era um mundo completamente diferente. Mas tive a sorte de ter lá o Encarregado de Negócios anterior,  o Secretário Bruno Carrilho, que eu trouxe agora para o IRBr e está do meu lado hoje. Ele foi quem tornou a minha vida muito mais fácil quando eu cheguei à Síria.

Cheguei logo depois do grande ataque de armas químicas em Ghouta, nos arredores de Damasco. Ghouta é uma uma vasta área de planície, de plantações. Houve ali um ataque de armas químicas, com grande número de vítimas civis. Foi quando o presidente Obama foi muito criticado por não ter feito cumprir “a linha vermelha” que estabelecera de retaliar com uso da força em caso de emprego de armas químicas. Naquele momento, diante da possibilidade de uma retaliação norte-americana ou ocidental, todas as embaixadas na Síria estavam fazendo planos de contingência para evacuar seus nacionais, não só a brasileira.

Quem tinha feito esses planos, no caso da embaixada brasileira, previamente à minha chegada, foi o Secretário Bruno. Nós validamos os planos e tivemos a sorte de não precisar utilizá-los, pois não se consumou a ameaça de um ataque dos EUA. Os britânicos também levaram a questão da intervenção ao parlamento em Londres que disse não; os franceses, que tinham um ânimo maior para intervir,  resolveram, diante da recusa americana e britânica,  não se lançar numa aventura sozinhos. Foi quando se encontrou a solução diplomática, proposta pelos russos, de desmantelar o arsenal de armas químicas sírias.

Nossa embaixada em Damasco nunca foi fechada. Os funcionários do quadro do serviço exterior, do serviço de carreira, foram todos evacuados para Beirute em meados de 2012. Mas a Embaixada sempre foi mantida com um grupo de funcionários locais, alguns dos quais com dupla cidadania síria-brasileira

O desafio que nós tínhamos era o de, morando em Beirute, ir a Damasco para manter a moral, conversar com os brasileiros, com os funcionários, fazer visitas aos colegas diplomatas de outros países que viviam em Damasco. Era um momento de muita violência do conflito nas redondezas de Damasco, mas íamos para lá com regularidade, por via terrestre, pela estrada. Era um risco calculado. Procurávamos ir num momento em que houvesse uma possibilidade menor de ataques de rebeldes. Esses ataques normalmente eram feitos por morteiros ou foguetes. Em geral não muito precisos. Foguetes pequenos, quase que artesanais. Mas, se caíssem no lugar em que você estava, “that would be the end of it”.

Havia uma outra missão  importante para a embaixada, que era a de dar os vistos humanitários aos refugiados sírios. O CONARE – Conselho Nacional de Refugiados –  adotou em setembro de 2013 uma resolução que permitia oferecer aos sírios afetados pelo conflito vistos facilitados para o Brasil. Aí nós tivemos que montar toda uma operação para entrevistar e dar os vistos. Foi um dos trabalhos mais complexos que já ajudei a implementar. Hoje em dia, os sírios formam o maior contingente de refugiados legalmente reconhecidos pelo Brasil.

Posso dizer que esse período me fez modificar muito a percepção da importância dos postos mais difíceis. Até então nunca tinha servido num posto difícil. E passei a apreciar e valorizar muito os colegas que estão trabalhando em postos com esse perfil. Porque não é fácil você estar lá, muitas vezes sozinho ou com um grupo pequeno de colegas. Brasília é muito longe e tem recursos limitados, e você está lá, levantando a bandeira do Brasil. Felizmente, na Síria, a bandeira do Brasil era muito apreciada.

Lembro-me de um episódio curioso, em 2014, durante a Copa do Mundo, depois que o Brasil perdeu de 7 a 1 para a Alemanha. Os sírios e os libaneses adoram futebol, mas não têm equipe nacional na Copa. Então eles torcem para outras seleções e se dividem entre as favoritas. Não torcem para perdedor, não. Torcem para ganhador.  Eles torcem para países como Alemanha, Argentina, França, Itália, Brasil. Num dia logo depois da derrota do sete a um pra Alemanha, eu tinha uma viagem marcada para a Síria e fui. Havia ali nas barragens de controle de segurança, já em território sírio, com os  soldados fortemente armados, um que me conhecida e sempre me cumprimentava. Pois bem, ele parou o carro, já conhecia o carro do Brasil, e disse em árabe, em tom sério, para o motorista, que me traduziu:  “Embaixador, por favor, nos dê um time melhor na próxima copa porque nós torcemos para o Brasil contra a Alemanha, e realmente não deu nem para a saída”.

O soldado sírio, armado até os dentes, veio reclamar para mim do time do Brasil, mas com uma enorme simpatia. O ponto que estou levando ao contar essa estória é a simpatia que o Brasil desperta nesses lugares. Sendo um representante do Brasil eu não era alvo. Pelo contrário, ao dizer que era brasileiro, se abriam portas. Muitas vezes havia um sorriso. O momento na Síria foi muito especial na minha vida. Gostei muito.

Clipping: Tenho certeza que essa experiência, além de informar vai inspirar muitos candidatos. 

Embaixador José Estanislau: Eu espero que sim. Quando entrei no Itamaraty o destino natural dos diplomatas era começar a carreira por um percurso que mesclava as Américas e a Europa. Em geral, o diplomata começava com posto nos Estados Unidos ou na Europa. Depois, como segundo posto a América Latina. Era uma tradição brasileira. Pouco a pouco, a dimensão africana foi crescentemente sendo integrada entre as escolhas.  A Ásia era vista como algo um pouco mais distante, com exceção dos países mais importantes, Japão sobretudo, também pela presença da imigração japonesa.

Hoje em dia é importante que os jovens diplomatas, quando entram na carreira, tenham perspectivas de atuação em qualquer parte do mundo. Brasil tem missões e postos em todos os países do mundo.

Perguntas rápidas

Clipping: A gente costuma terminar nossas entrevistas com um bate bola rápido.

1. Um livro de cabeceira

Eu não tenho um livro de cabeceira, mas se eu tivesse que escolher, teria dois livros de cabeceira, um de ficção e um de não-ficção.  Eu gosto muito de história e dos historiadores britânicos. Há dois ou três que são meus prediletos, mas eu ficaria com Tony Judt, de quem li muita coisa. O livro de memórias, publicado em 2009 ou 2010, chamado ‘O Chalé da Memória’, é obra à qual eu volto sempre. Ele já estava doente, com doença degenerativa, quando escreveu o livro, que é um panorama, através de sua trajetória pessoal, da história do século 20. Ele era inglês e judeu. Morou em Israel, morou nos Estados Unidos e é um historiador da Europa do Leste. Tudo isso aparece. Ele é comparável a Eric Hobsbawm, outro historiador de que gosto muito. Mas ainda prefiro a escrita do Tony Judt, que tem um texto mais agradável, às vezes quase literário. O Chalé da Memória é uma obra-prima. Ler o original em inglês, “The Memory Chalet”, é melhor ainda.

E se eu tivesse que escolher um livro de ficção, ficaria com outro livro escrito na língua inglesa, mas por um autor norte-americano: ‘A Pastoral Americana’, de Philip Roth. É uma saga  também do século 20, um retrato  de Newark, New Jersey, através de três gerações. Uma família que vai da ascensão à queda. Mistura ficção, dos personagens, com observações sobre as transformações na realidade norte-americana.  Philip Roth é de Newark. Portanto é um lugar que ele conhece extremamente bem. É um livro extraordinário. Poderia escolher outros também do mesmo autor. Mas esse eu o reli pela terceira vez recentemente. Tenho o hábito de reler livros.

2. Um diplomata

Rubens Ricupero, um dos que mais me marcou. Foi meu chefe diversas vezes na carreira. Meu primeiro contato com ele foi como professor assistente dele aqui no Rio Branco. É um homem que continua com uma vida intelectual muito rica. Para mim é um exemplo pessoal e meu amigo. É um privilégio ser amigo dele.

3. Um lugar em Brasília

Eu acho o Palácio Itamaraty muito bonito. É o lugar de Brasília de que eu mais gosto. E nós devemos, em grande parte, ao embaixador Wladimir Murtinho, ex-diretor do Instituto Rio Branco no meu tempo e por acaso um grande amigo do Ricupero. O Murtinho transmitia para nós uma alegria de viver, um entusiasmo pela profissão. E Palácio do Itamaraty, que completou 50 anos atrás, agora um mês atrás, deve muito ao embaixador Murtinho.

4. Um momento marcante na história recente do Itamaraty

A campanha vitoriosa do Embaixador Roberto Azevêdo à Direção-Geral da OMC, em 2013. Eu estava na OMC, eu era segundo na missão brasileira. Nós fomos colegas de turma do IRBr, o  Roberto Azevêdo e eu. E a vitória dele foi uma lição de diplomacia, foi uma campanha extremamente bem conduzida. Os méritos podem ser igualmente creditados a ele como candidato e ao Brasil como ator diplomático.

5. Um bom hábito que um diplomata deve cultivar

Ter curiosidade pelas coisas, ter curiosidade. Ter curiosidade pelo mundo sobretudo. E olhar para o outro com empatia, tentar se por no lugar do outro. Fazer diplomacia passa frequentemente por tentar se colocar no lugar do outro.

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Quando sai o Edital do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD)? O que vai mudar? Quando surgiu a oportunidade de entrevistar o Diretor do Irbr
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