Jornada CACD | Ep. 05 – O que eu faria de novo

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    Clipping
    30/10/2020 . min de leitura

No dia 27 de outubro tivemos o episódio 05 do Jornada CACD, onde tivemos um bate-papo com a diplomata Gabriela e o diplomata Gabriel, aprovados no CACD, respectivamente, nos anos de 2018 e 2019.

Esse, que foi o quinto episódio da Jornada CACD, uma série de conversas orientada para os pessoas que pretendem ou que acabaram de começar a estudar para o concurso. Ao longo das últimas semanas,  fizemos um verdadeiro Raio-X do CACD, conversamos sobre a realidade de quem tem de estudar para a faculdade ou tem de trabalhar, enquanto se prepara para o concurso, e também discutimos os erros e os acertos de duas candidatas que passaram por diferentes fases da preparação. Vocês podem conferir os episódios anteriores aqui no Blog do Clipping mesmo. 

E caso esteja sem tempo ou a conexão da internet está te deixando na mão, não precisa se preocupar, porque o Clipping transcreveu para você o bate-papo entre a Gabriela, o Romeu e o Gabriel.

Confere aí!

Veja como foi a conversa

Apresentação

Romeu: Boa noite, amigos e amigas do Clipping! Pela quinta vez, me apresento a vocês por aqui. Me chamo Romeu e também tenho o sonho de ser diplomata. Mais uma vez, vou conduzir um bate-papo super interessante sobre o CACD, seus desafios e seus segredos.

Hoje, nosso tema será: “O que eu faria de novo? – segredos da aprovação”. Para falar sobre esse tema, estou aqui com o Gabriel e a Gabriela.

Boa noite, Gabriel e Gabriela, tudo bem com vocês?

Gabriela: Boa noite. Estou muito feliz por estar aqui.

Gabriel: Boa noite.

Romeu: É uma honra para nós receber vocês aqui hoje. Gabriel, gostaria de começar por você com algumas perguntas bem curtinhas:

1)      De onde você é?

2)      Quantos anos você tem?

3)      Qual curso cursou na faculdade?

4)      Quanto tempo até a provação?

5)      Qual sua matéria favorita no CACD?

Gabriel: Bom, meu nome é Gabriel. Sou de Cuiabá e me formei em Relações Internacionais na PUC Minas. Depois da graduação continuei por aqui para estudar para o concurso. Tenho 28 anos de idade. Formei na faculdade em 2015. Desde então, comecei a tentar o concurso. Fiz até 2019, que foi o ano da minha aprovação. Sobre minha matéria favorita, sempre gostei muito de História. Para mim era o estudo mais prazeroso.

Romeu: Que legal! História é a minha favorita também. Quanto a economia, alguma dificuldade?

Gabriel: Tive duas dificuldade durante meus estudos. Direito, pela linguagem e por ter começado do zero. Economia fora a mais difícil para mim até porque nunca tive contato antes.

Romeu: Gabriela, sua vez agora:

1)      De onde você é?

2)      Quantos anos você tem?

3)      Qual curso cursou na faculdade?

4)      Quanto tempo até a provação?

5)      Qual sua matéria favorita no CACD?

Gabriela: Sou de São Caetano do Sul, em São Paulo. Tenho 28 anos de idade. Vim para Brasília quando passei no Vestibular da UNB para estudar Relações Internacionais, em 2011. Meu primeiro concurso foi em 2015, mas comecei a estudar no final da graduação, em 2014. Ao todo foram 4 anos de estudos até minha aprovação.  Minha matéria favorita era Economia. Foi o que me fez passar no concurso. Tive a maior nota na terceira fase e foi o que me ajudou a passar. Eu era monitora de Economia na faculdade. Já estava acostumada com linguagem e foi um diferencial que acabei desenvolvendo mais ainda.

Romeu: Caramba, realmente fora do padrão. A maiorias das pessoas acham Economia a matéria mais difícil. 

Descoberta do CACD

Romeu: Gabriela, como você descobriu que queria seguir a carreira diplomática. Foi na faculdade?

Gabriela:  Eu já sabia, antes mesmo da faculdade. Na verdade, a primeira vez em que ouvi falar sobre a profissão foi em um conversa com meu pai, quando ainda tinha 16 anos. Parei para pesquisar, vi as matérias e coloquei na minha cabeça que seria o que faria da minha vida. A partir de então, comecei a estudar. Passei no vestibular e tudo que fiz na faculdade foi para tentar auxiliar meu estudos. Até as monitorias me ajudaram. Os idiomas eu adiantei durante a graduação.

Romeu: Nas últimas semanas, conversamos com alguns candidatos sobre essa conciliação entre o CACD e a faculdade, que é bastante complexa. Mas, da forma como você fez, foi bem interessante. Te ajudou bastante na prova.

Gabriel, e no seu caso? Na faculdade, você já foi se orientando? Pegou alguma monitoria? Como foi?

Gabriel: Minha história foi bem parecida com a da Gabriela, mas diferente em um ponto específico. Eu fiz um intercâmbio de ensino médio. Foi um dos motivos que me levaram a escolher estudar Relações Internacionais. Comecei o curso e, com 1 ano de estudos, comecei a fazer estágio. Pensei em trabalhar no setor privado e, no final da graduação, decidi estudar para passar no concurso. Comprei alguns livros aleatoriamente, o que não recomendo.

Romeu: No caso dos dois, o intercâmbio de certa forma acendeu aquela faísca de querer ser diplomata, não foi? Mas o que realmente motivou vocês a se tornarem diplomatas? Em outras conversas, as respostas foram muito parecidas. As escolhas foram pela vontade de representar o Brasil lá fora. É assim para vocês também?

Gabriela: Acho que é um pouco disso. Mas, quero trazer uma coisa nova. Um aspecto que percebi depois de ter entrado é o dinamismo da profissão, a capacidade de mudança e a exigência de adaptabilidade. O Itamaraty é um mundo. Você pode trabalhar com patrimônio histórico, RH, eventos, com coisas que não tem nada a ver com política externa. Tem de tudo. Você pode até mesmo trabalhar em outros ministérios, sem mencionar a oportunidade de ir para o exterior e servir fora. Na verdade, por mais que seja um serviço burocrático, é preciso que você se adapte às mudanças. Vai ter de estudar tudo de novo. Estou na assessoria de imprensa. Uma área fora da minha zona de conforto. Constantemente, preciso fazer contato com pessoas e me adequar a tudo isso. Essa possibilidade diferencia a diplomacia dos demais concursos.

Romeu: Muito interessante! Inclusive, pessoal, se vocês forem ler algumas notas oficiais, possivelmente poderá ter sido a Gabriela quem escreveu. Como é isso? Toda nota oficial é você quem escreve?

Gabriela: Na verdade, a maior parte dos textos não costuma ser feita por nós. As áreas geográficas são as responsáveis por isso, porque acompanham diariamente tudo. Tem um editor especial que passa tudo por ele. Tudo isso, para que não ocorra equívocos da nossa parte. É uma atenção muito grande. Mandamos tudo aos jornalistas, também, e quando há eventos televisionados pela imprensa, nós temos que credenciar os jornalistas e os correspondentes. Tem as redes sociais de igual forma. Enfim, tudo que acontece a gente está envolvido. Eu acabo estando na assessoria, acompanhando tudo que está acontecendo no ministério. Isso é muito interessante.

Romeu: Gabriel, o que te motivou a buscar essa carreira?

Gabriel: Acho que foi bastante parecido com os pontos que a Gabriela ressaltou. Essa questão da multiplicidade de áreas e a questão de morar no exterior é algo que sempre quis para minha vida.

Romeu: Gabriel, semana passada você teve um gostinho de trabalhar no cerimonial da formatura da Gabriela. Como funciona? Foi algo que você tinha experiência prévia?

Gabriel: Não. Foi a primeira vez que fomos convocados a um serviço externo ao Instituto Rio Branco. Foi uma correria muito grande. É uma área muito detalhista. O arranjo que está na mesa é algo que as pessoas olham. É um trabalho interessante para quem é detalhista.

A preparação

Romeu: Imagino a quantidade de regras a serem seguidas. Gabriel, perguntaram aqui no chat como você superou o Francês? Procurou algum professor específico?

Gabriel: Eu estudei bem direcionado ao concurso. Em todos os idiomas, é preciso estudar para o concurso de forma específica. Fiz um curso de Francês instrumental e fazia vários exercícios sobre a prova.

Romeu: Uma coisa é saber falar inglês, francês e espanhol, outra coisa é saber fazer a prova de inglês, francês e espanhol para o CACD. Gabriela, como foi essa parte de línguas para você? Teve alguma dificuldade?

Gabriela: Francês era um pedra no meu sapato e ainda é. Estudei um pouco antes do concurso. Quando comecei a estudar a prova era de múltipla escolha. Quando a prova mudou, eu quase tive um infarto, porque não sabia escrever nada em francês. Sabia vocabulário, mas não sabia escrever. Comecei estudar com professores particulares para a prova. Em Inglês foi a mesma coisa. Já falava, mas estudei com professores específicos para o CACD. A minha trajetória no CACD foi um pouco doida, porque, na primeira vez em que fiz o TPS, passei no susto. Fui para a segunda fase sem saber nada. A segunda vez em que fiz a prova, sequer passei no TPS. Mas não foi por falta de estudo, porque eu devo ter estudado umas cinco vezes mais. Fiquei completamente tensa, passando mal de ansiedade. Não indico. Cuidem da saúde mental de vocês! Inclusive, na minha primeira terceira fase, fiz um tanto de burrice, coisas que eu percebi que não poderia repetir.

Romeu: Pode dar um exemplo para a gente?

Gabriela: Comecei a me preocupar com o detalhe, a cereja do bolo da questão, e não com o conteúdo. O que dá ponto na terceira fase é conteúdo. O corretor tem uma grade de conteúdo em que ele quer dar “check”. Tem coisa que não precisa focar. Eu fiquei preocupada em colocar nomes bonitos de autores, mas o conteúdo mesmo, não me importei tanto. Corri atrás, mas no final ficaram muitos buracos. Poderia ter revisado exaustivamente o grosso do conteúdo. Gastei muito tempo com aulas que não precisavam de tanta dedicação assim. Ficava lendo sobre algo que nunca iria cair na prova e o básico não tinha estudado. Quando fiz o concurso que fui aprovada, caiu uma questão sobre nacionalidade. Quem estuda direito, sabe que há nacionalidade no Edital. Você não precisa de um professor falando que vai cair. Está no edital e é só estudar. Fui percebendo que precisa de independência nos estudos.

Romeu: Você comentou sobre ansiedade, eu sempre fico ansioso perto das provas. Como é com você Gabriel?

Gabriel: Eu tive muito problema com isso. Na prova de 2018, eu errei uma folha inteira. Respondi a questão em outra folha. Não existe folha reserva. Fiquei pensando se sairia de lá ou se consertaria. Risquei o que tinha escrito e fiz no espaço que dava. Não adianta nada estudar bastante e chegar na hora ficar ansioso e não conseguir nem escrever na prova. No ano que passei, estudei menos, mas com um pouco mais de foco. Comecei a fazer exercícios. Corria pela manhã antes de estudar. Hoje posso dizer que menos é mais. Tentar ir com mais tranquilidade é mais importante.

Romeu: Tentar se conhecer para estudar da forma mais correta possível. Associar os estudos aos exercícios físicos. Gabriel, você disse que no ano que você estudou menos você passou. Teve algum tipo de estudo ou matéria que você priorizou?

Gabriel: Fiz 5 provas. A primeira nem estudei. As duas primeiras eu nem passei na primeira fase. Sempre fiz as discursivas mais cedo. Escrever traz um aprofundamento melhor sobre o assunto. Eu comecei a intercalar os estudos com exercícios específicos sobre os assuntos. Durante o ano eu fazia muitas provas objetivas e discursivas. Fazia questões de provas antigas e acho, inclusive, mais importante fazer as antigas do que questões inéditas de professores. Foquei bastante nas provas discursivas, até porque são as que contam mais no final.

Romeu: Gabi, estou vendo que você está concordando com o Gabriel, é isso?

Gabriela: Achei ótimo que ele falou sobre treinar discursiva antes do TPS. Eu sentia que para a terceira tinha pouquíssimo tempo. Isso me dava muita ansiedade. Como o Gabriel, eu também fazia várias questões de TPS. Quando passei a primeira vez eu vi era capaz de passar na prova, mas não estudei muito para ela. No ano que passei, fiz várias revisões e poucas provas discursivas, mas nos anos anteriores eu me joguei nas provas.

Romeu: Caramba! Confesso que nunca vi esse tipo de técnica. Como você já tinha feito muitas provas, sua opção foi só revisar o conteúdo. Que bom que deu certo. Não existe uma receita de bolo. Cada um tem sua realidade.

Gabriela: Foi um teste para mim também. Nos anos anteriores eu tentei outras coisas. Pegava várias matérias para estudar e mil coisas para fazer. Não dava conta de nada. Senti que faltava eu dar um salto de conteúdo e conseguir que o corretor marcasse na minha prova o conteúdo que o corretor queria corrigir. Muito melhor do que inventar teses maravilhosas e você saber usar bem o conteúdo que aprender na prova.

Conselhos para quem está começando

Romeu:  Pessoal, já falamos muito sobre o que deveria ser feito e não feito. Queria que pudéssemos falar sobre um conselho. Caso pudessem dar um único conselho para uma pessoa que está começando a estudar agora, qual seria?

Gabriel: O maior segredo para mim e que todos os aprovados repetem é o estudo constante. Nunca perdi uma noite de sono com o CACD. Nunca me afobei tanto. O mais importante mesmo é estudar todos os dias e tentar ter uma consistência até seu limite de estudos. Não faça pausas muito longas entre períodos de estudos, porque você começa a perder muito do que você estudou. Identifique quais são os seus caminhos e entenda que o é um projeto de longo prazo. 

Gabriela: Eu diria para a Gabriela do passada para cuidar mais da saúde mental. Tive vários surtos e passei muito mau no passado e aos poucos tive que aceitar que teria que fazer terapia. Até meditação comecei a fazer. Com relação aos estudos eu recomendaria que as pessoas fizessem um tipo de arroz com feijão.  Escolha muito bem o que vão ler. Existem listas impossíveis que as pessoas não precisam ler tudo para passar. Muito melhor sistematizar e ler o que abrange muitos mais pontos do que ler um livro gigante que abrange apenas um. Eu por exemplo, não li Milton Santos e muitas pessoas falavam que tinha que ler caso contrário não passaria na prova. Enfim, eu fiz aulas. Geografia é uma disciplina que é preciso ter professor porque é uma disciplina muito dispersa. Na verdade, essa avaliação vocês precisam fazer com as leituras. Leiam o que puderem e caso virem que não está adiantando, pegue e estude com um professor. Avaliem o que funciona e o que não funciona. Essa maturidade tem a ver com o conhecimento da prova.  Eu perdi muito tempo dos meu estudos lendo livros enormes e achava que eles agregariam aos meus estudos. Essa avaliação é pessoal. Se funcionar para você, tudo bem. Priorize o que for mais pragmático.

Romeu: Gabriela, aproveitando seu comentário, aqui no Clipping nós temos planos de estudos onde indicamos diretamente os livros, as páginas e os capítulos que os alunos devem ler, porque a gente também entende que os estudos devem ser bem pragmáticos mesmo. Enfim, muitíssimo obrigado! Acho que nossa conversa foi muito boa. Todo mundo super engajado aqui no chat. Teremos mais um episódio do jornada CACD e iremos explorar mais os postos e áreas de trabalho de um diplomata. Nessa próxima quinta estaremos com mais convidados para esse bate-papo. Gabriel e Gabriela, querem deixar algum recado final?

Gabriela: Se acalmem! É um processo. Como todo processo é muito difícil, mas vocês conseguem. As vezes pensava que não estava estudando direito e comecei, por recomendações da minha psicóloga, a perceber as coisas que eu fazia nos estudos e vi que estudava sim. Precisamos valorizar nosso esforço.

Gabriel: Valorizem o trabalho de formiguinha que vocês fazem todos os dias até o dia da prova. Você pode achar que não está acrescentando em nada, mas na verdade está sim. Mantenha a calma e saiba medir seus avanços. Valorize suas conquistas como a Gabriela disse.

Romeu: Confesso que até eu estava desanimado essa semana, mas depois desse papo estou mais animado e amanhã mesmo já irei me organizar para estudar melhor. Bom, pessoal muito obrigado pela conversa. Boa noite! 

Gabriel: Boa noite!

Gabriela: Boa noite!

Bate-papo completo na íntegra

E aí, gostou do bate-papo? Ele foi útil para você entender um pouco mais sobre o CACD e a carreira diplomática?

Então não perca os próximos episódios da série “Jornada CACD” e desbrave o mundo diplomático junto com a gente. 😀

Conhece alguém que iria adorar essas conversas? Compartilhe! 🧡


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