Jornada CACD | Ep. 06 – Depois do CACD – Instituto Rio Branco

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    Clipping
    10/11/2020 . min de leitura

Não conseguiu acompanhar a conversa ao vivo? Está sem tempo, ou a conexão da internet está te deixando na mão? Não se preocupe, porque o Clipping transcreveu para você o bate-papo entre o Romeu, o Victor e a Carolina.

Esse foi o sexto episódio da Jornada CACD, uma série de conversas orientada para os pessoas que pretendem ou que acabaram de começar a estudar para o concurso.

Ao longo das últimas semanas, fizemos um verdadeiro Raio X do CACD, conversamos sobre a realidade de quem tem de estudar para a faculdade ou tem de trabalhar, enquanto se prepara para o concurso, e também discutimos os erros e os acertos de duas candidatas que passaram por diferentes fases da preparação.

Vocês podem conferir os episódios anteriores no nosso canal do youtube.   

O título do sexto episódio da série é “Depois do CACD – Instituto Rio Branco”. Nossos convidados foram aprovados recentemente no concurso. Enquanto ela passou em 2019, ele foi aprovado em 2018.

Ambos compartilharam um pouco da rotina dos “Rio Branquinos”, os diplomatas que estudam no Instituto Rio Branco.

Não conseguiu assistir? Não tem problema. O vídeo completo está em nosso canal e transcrevemos a conversa para vocês.

Confere aí!

Veja como foi a conversa

Apresentação

Romeu: Boa noite, amigos e amigas do clipping. Estamos começando mais um episódio do Jornada CACD. Hoje, nosso tema será “Depois do CACD –  Instituto Rio Branco”, e nossos convidados são a Carolina e o Victor que falarão sobre o dia-a-dia no  instituto Rio Branco. Victor, boa noite. Se apresente para o pessoal, por favor.

Victor: Boa noite, pessoal! Primeiramente gostaria de agradecer ao Clipping pela ajuda, desde a época que me preparava para o concurso e fico muito feliz em poder participar desse bate-papo.

Sou de Petrópolis, Rio de Janeiro, mas agora estou morando em Brasília. Acabei de me formar no Instituto e estou iniciando trabalhos práticos por agora. O curso terminou em julho, mas a formatura foi agora, há duas semanas. 

Romeu: Victor, qual curso você cursou na faculdade?

Victor:  Estudei Direito, na PUC do Rio de Janeiro. Fiz um intercâmbio e aos poucos fui conhecendo o Itamaraty.

Depois que concluí a graduação, ainda permaneci com muitas dúvidas a respeito do concurso, mas no final comecei a estudar e percebi que atravessaria uma longa jornada bem árdua. Foi mais ou menos assim o meu caminho.

Romeu: A trajetória é árdua, mas vale a pena. Carolina, agora é sua vez. Fale um pouco mais sobre você. De onde fala, quantos anos, qual curso fez na faculdade? 

Carolina: Boa noite a todos que estão nos assistindo. Bom, sou maluca por diplomacia desde os meus 15 anos de idade. Sou de Brasília e tenho 31 anos de idade.

Passei em 2019. Sou formada em Relações Internacionais pela UNB. Concordo plenamente com tudo o que o Victor falou. É uma carreira fantástica! Estou no instituto há dez meses e as possibilidades de desenvolvimento e de atuação são incríveis.

Foi uma batalha árdua para eu passar na prova. Foram 7 anos me dedicando em um certo nível. Até trabalhei em outras áreas, mas a diplomacia sempre foi o que realmente quis.

Victor: Eu também estudei por muitos anos, mas valeu a pena. No último ano em que fiz a prova, pensei que se eu não passasse eu não faria mais a prova. Durante o processo, aprendemos muitas coisas.

É um processo longo, mas que te engrandece muito. Estudei 5 anos e meio. Quase seis anos na verdade. Fiz minha primeira prova em 2013. Foram seis provas que fiz. Trabalhei nesse meio tempo. Cometi muitos erros e como falei, durante o processo a gente aprende muito com os erros.

Descoberta da carreira

Romeu: Carol, você comentou que desde os 15 anos você já queria ser diplomata. Como foi isso?

Carolina: Isso mesmo. Está bem relacionada à minha escolha de curso da faculdade também. Comecei a pensar isso desde muito jovem até mesmo por influência do meu pai.

Sou a primeira pessoa da minha família a estudar em uma universidade federal. Ele me incentivou bastante quanto a isso. Quando busquei sobre qual curso estudar, vi Relações Internacionais e me indaguei sobre o que poderia fazer, após ter terminado o curso.

Na verdade, nem me lembro como cai na site do Instituto Rio Branco. Comecei a ler sobre a carreira  e achei a minha cara. Com 15 anos passam, várias coisas na cabeça. Escolhi RI porque me ajudaria na minha carreira.

Romeu: Algumas pessoas no chat estão até impressionadas por ouvirem você falar que com 15 anos já queria ser diplomata. Victor, como foi com você?

Victor: Minha história é bem parecida com a da Carol, mas nessa parte é diferente. Nunca passou pela minha cabeça estudar para o concurso com essa idade. Entretanto, eu era e sempre fui apaixonado pelo mundo.

Me lembro que fiz uma viagem quando tinha 18 anos. Convidei meu amigos para visitarmos alguns consulados para saber como funcionavam os processos para estudar fora. Fui para os EUA e lá arrumei um estágio na embaixada do Brasil.

Não foi algo que tenha nascido comigo, mas talvez essa curiosidade sobre o mundo tenha me ajudado a me encontrar.

A aprovação

Romeu: Carol, você disse que foi a primeira da família a passar em uma universidade federal. Imagino a felicidade. Quando você passou no concurso, a sensação foi parecida?

Carolina: Para mim, depois de ter estudado tantos anos e de ter sido quase aprovada tantas vezes, foi mais um alívio. Foi um sentimento de ‘’overwhelming”. Me senti em algo que era muito maior que eu.

Romeu: Como foi com você, Victor? Como foi seu primeiro dia no Rio Branco?

Victor:  Acho que nossa experiência foi muito parecida, Carol. A gente percebe que aquilo é o resultado de um trabalho de anos. Conheci pessoas com experiências de vida bem diferentes das minhas, mas com o mesmo sentimento pela profissão.

Fui uma das pessoas mais otimistas entre os meus colegas. Me sentia muito privilegiado por ter entrado lá. Hoje, meu trabalho é na assessoria de imprensa. Entro pelo palácio mesmo, que é lindo. Todo dia que entro eu me sinto fazendo parte de algo maior do que eu. É o Brasil. O Itamaraty.

Instituto Rio Branco

Romeu: Victor, alguém aqui no chat gostaria de saber como é a rotina de estudos no Rio Branco. Você pode falar um pouco mais?

Victor:  Bom, quando entramos no Rio Branco, a gente entra extasiado e bem cansado. A fase final do concurso é muito pesada. Muitas pessoas acham que o Rio Branco é tão difícil quanto o concurso, mas eu discordo. Não existe a pressão e a cobrança.

Apesar disso, a quantidade de aulas no instituto é muito grande. É muito cansativo. No concurso, caso você se canse, você pode se dar o direito de descansar.

No Rio Branco não é bem assim. Você não pode faltar aulas. Por outro lado, o grande ganho do Rio Branco é a convivência com os colegas. Você acaba fazendo amizades que são para a vida inteira. É algo que acho que não tem preço.

Romeu:  Victor, o Carlos aqui no chat, está perguntando justamente isso. Vocês acabam tendo relações com outros colegas diplomatas por lá? Há relações entre a turma atual com a antiga? Como é?

Victor: Então, houve várias mudanças no Rio Branco. Em tese, nós estaríamos convivendo com a turma posterior. Porque tem a prova todo ano. Entretanto, com a pandemia, tivemos pouca convivência.

Não há um “trote”. O que tem é uma festa anual e um churrasco. A festa é aberta para todo o Itamaraty. A turma que vai ser formar faz uma festa para a nova turma. Mas, com a pandemia não aconteceu dessa vez.

Romeu: Carol, o Victor comentou sobre as aulas e sobre a cobrança, a Carla aqui no chat gostaria de saber mais sobre as matérias no curso de formação.

Carolina: Como o Victor falou, são muitas matérias. É um grande mix. Há matérias bem diferentes que durante os estudos para o concurso a gente não vê. Por exemplo, linguagem diplomática. É uma matéria bastante interessante.

A gente aprende a escrever da forma que deve ser para o Itamaraty, em uma linguagem para o serviço público. Há matérias que são as mesmas que estudamos para o concurso. Há as línguas da ONU que precisamos escolher uma. Eu escolhi o russo.

Victor: Eu escolhi o russo, também. As aulas são bem cansativas, mas há partes bem legais. Eu continuo estudando russo e creio que vai demorar um pouco para pegar certa fluência nessa língua. 

Romeu: Alguma matéria que você gostou mais?

Victor: Sempre busquei dar o meu melhor em todos as matérias. Não saberia dizer qual a minha favorita. Também há muitas apresentações. Durante o concurso, a gente desenvolve bastante nossa capacidade escrita.

Durante o curso de formação, existem várias atividades orais. Particularmente, eu gosto muito. De certa forma, buscar fazer coisas que gosto em tudo que há ali.

O professor define alguns autores que você precisa estudar, dentre os autores você pode escolher aquele que você tem mais afinidade. 

Romeu: Carol, você teve algum choque de realidade? Algo que você não esperava?

Carolina:  Bom, acho que na linha que o Victor falou, eu diria que essa habilidade de expressão oral foi algo que nunca tive durante minha formação acadêmica.

Foi um choque de realidade para mim. Diplomata fala muito. Isso foi um desafio para mim. Ter compostura. Uma fala envolvente que pode convencer a todos. É importante desenvolver isso e o Rio Branco dá essa oportunidade em várias línguas. 

Romeu:  É possível ser reprovado no Instituto Rio Branco? 

Carolina: Então, sim. Existe essa previsão legal. Tem uma nota mínima que é de 60 pontos. Caso você reprove em alguma matéria, você deve fazer essa matéria tudo de novo. Eu nunca ouvi de algum caso de que alguém tenha reprovado.

Victor: O perfil das pessoas que passam na prova é bem alto. Então todos que entram se dedicam. Acho difícil alguém reprovar. Sobre choque de realidade, no meu caso, eu achei a formalidade muito pesada. Não sabia quase nada.

Quando a gente chega na sala, somos orientados a nos levantar quando o professor entrar, e só nos assentamos quando ele manda. Estudamos de terno, todos de social. Todos os dias. O ministério todo funciona assim.

Há um respeito à hierarquia. Respeito ao superior. Isso foi algo marcante para mim. No início fiquei meio preocupado, mas acabei me acostumando.

Romeu: Gostaria de fazer uma pergunta sobre o trabalho. É possível exercer alguma função, mesmo antes da formatura?

Victor: Temos algumas oportunidades durante o curso. Tive a oportunidade de fazer um estágio durante um mês. Mas, com a pandemia muita coisa mudou.

Tive a oportunidade de ajudar brasileiros que enfrentaram problemas durante a pandemia em outros países. Enfim, há oportunidade de estágio durante o curso sim.

Eu pude participar da Cúpula do Mercosul. Foi incrível. Fui o diplomata de ligação. Fiquei de contato direto com a Colômbia. Foi um experiência incrível.

Carolina: Bom, foi incrível para mim, também. Minha turma teve apenas duas semanas de aula. Mas, nossa turma se voluntariou para ajudar na repatriação. Foi algo extremamente desafiador. Não sabia nem como pedir ajuda a pessoas mais experientes. Mas foi um experiência fantástica.

Romeu: A pandemia alterou toda a dinâmica dos cursos, mas que bom que houve aulas online. Victor, você sabe dizer quanto tempo após a formatura no instituto o diplomata pode assumir um posto em outro país?

Victor: Sei sim. No caso da assessoria de imprensa, há muitas possibilidades de viagens. Qualquer viagem que o ministra faz, a gente acaba o acompanhando. Isso no período inicial.

Mas, ser removido para um embaixada em outro país é preciso respeitar um prazo legal. Existem os postos A,B,C e D. Não posso dizer exatamente, mas a partir de 2/3 anos você já pode ser removido para um posto C ou D.

De 4 a 5 anos para um posto de A ou B. Não é imediato, mas não quer dizer que você não vai fazer alguma viagem ao exterior. É uma vida de muito contato com o exterior. 

Romeu: Eu ouvi dizer que os precedentes são levados em consideração, também, não é? A nota no concurso, as notas no Instituto Rio Branco.

Carolina: Bom, talvez o Victor pode até ter um pouco mais de propriedade para falar sobre isso. O que sei é que há uma lista de antiguidade que leva em consideração a nota do concurso. Isso impacta nas suas promoções.

A nota do concurso é relevante para sua lotação. É feita uma lista com os postos disponíveis e os que tiveram as melhores notas podem escolher primeiro. 

Victor: É isso mesmo. A nota do concurso com a nota do Rio Branco forma uma lista de precedência. Existe uma segunda lista que leva em conta apenas a nota do concurso e apenas a nota do Rio Branco. No caso das vagas, a soma as duas ajuda. Quando você termina o Rio Branco, essa nota vai definir quando você pode escolher seu posto.

Exemplo, abrem-se 20 vagas para 20 pessoas escolherem. O primeiro colocado será o primeiro a escolher. O dia-a-dia da divisão leva em consideração o primeiro da precedência.

Isso é muito forte no Itamaraty. Essa precedência ajuda para poder escolher de forma mais rápida. Mas nem sempre é uma boa coisa, pois o primeiro colocado pode ter de ir em uma viagem que ele não gostaria.

Sobre a preparação

Romeu: Carol, quando você olha para trás, existe algo que faria diferente na sua preparação para o CACD?

Carolina:  Bom, o que eu mudaria na minha preparação, sem sombra de dúvidas, seria o preparo para a terceira fase. Estudaria com mais rigor as línguas. Meu esposo é estatístico e ele fez um estudo sobre isso. O maior diferencial são as línguas. Francês e Espanhol seriam minhas maiores dedicações. 

Romeu:  Victor, e no seu caso, tem algo que faria diferente?

Victor: Bom, acho que a estratégia é muito pessoal. Acho que cada um precisa definir sua estratégia e criar mecanismos de percepção sobre o que funciona e o que não funciona. Eu não conseguia contar palavras nos textos, por exemplo.

No ano em que passei, consegui contar cada palavra  em cada texto parágrafo que escrevia. É preciso encontrar seu caminho individual. Faça perguntas a si mesmo. Sempre falo que os alunos devem testar coisas para ver se funcionam ou não. 

Como a Carol, eu tive muito problema com as línguas. No meu caso, Francês foi uma pedra no meu sapato. Eu teria me dedicado mais às línguas, também.

Romeu:  Uma dificuldade que muitos CACDistas têm é a pressão e o desânimo. Como você lidava com isso, Carol?

Carolina: Eu levei 7 anos para passar. Vivi bem minha cota de ansiedade e de desânimo. Tenho uma amiga diplomata e conversávamos muito. Eu diria que é importante trocar ideias e informações com pessoas da área.

Lembrar que você só não vai passar se você desistir. Imaginar como vai ser quando estiver lá é muito importante e ajuda muito. Não se isole. Busque contato com outras pessoas e tenha sempre boas energias.

Romeu: Victor, e você? Teve algum problema com ansiedade?

Victor: Com certeza. Acho que todo mundo que estuda para o concurso tem essa dificuldade. Acho que todo mundo precisa trabalhar a ansiedade desde o início.

Meus pais me falavam para eu fazer terapia, meditação e exercícios e eu sempre achei que perderia tempo de estudo. Hoje, tudo isso faz parte do meu dia-a-dia. 

Romeu: Isso aí. Entender que você não está sozinho, mas que precisa encontrar seu caminho. Carol e Victor, muitíssimo obrigado pela conversa.

Quero agradecer a todos que estão nos assistindo e fazendo perguntas pelo chat. Vocês querem deixar alguma mensagem para quem está nos assistindo?

Carolina:  Agradeço a todos que nos ouviram. Espero que tenha ajudado e que mais mulheres se interessem pela carreira. É uma carreira para todos.  Espero ver mais mulheres passando no futuro.

Victor: Quero agradecer a todos do Clipping, a Carol e o Romeu pelo convite. Estou à disposição e aberto para conversar com todos os que queiram tirar dúvidas. 

Mais uma vez, agradeço ao Clipping por ser uma ferramenta fundamental para todos que estão estudando.

Romeu: Muito obrigado a todos! Semana que vem será nosso último episódio do Jornada. Espero todos vocês aqui.

Bate-papo completo na íntegra

E aí, gostou do bate-papo? Ele foi útil para você entender um pouco mais sobre o CACD e a carreira diplomática?

Então não perca os próximos episódios da série “Jornada CACD” e desbrave o mundo diplomático junto com a gente. 😀

Conhece alguém que iria adorar essas conversas? Compartilhe! 🧡


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