Jornada CACD | Ep. 07 – Profissão Diplomata

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    Clipping
    18/11/2020 . min de leitura

No dia 11 de novembro tivemos o episódio 07 do Jornada CACD, onde tivemos um bate-papo com o professor e diplomata Bruno Rezende, aprovado no CACD no ano de 2010.

Esse, que foi o sétimo episódio da Jornada CACD, uma série de conversas orientada para os pessoas que pretendem ou que acabaram de começar a estudar para o concurso. Ao longo das últimas semanas,  fizemos um verdadeiro Raio-X do CACD, conversamos sobre a realidade de quem tem de estudar para a faculdade ou tem de trabalhar, enquanto se prepara para o concurso, e também discutimos os erros e os acertos de duas candidatas que passaram por diferentes fases da preparação. Vocês podem conferir os episódios anteriores aqui no Blog do Clipping mesmo. 

E caso esteja sem tempo ou a conexão da internet está te deixando na mão, não precisa se preocupar, porque o Clipping transcreveu para você o bate-papo entre o Romeu e o Bruno.

Confere aí!

Veja como foi a conversa

Apresentação

Romeu: Boa noite, amigos e amigas do Clipping. Estamos começando mais um episódio do Jornada CACD. 

Caso você tenha caído aqui de paraquedas, gostaria de informar a vocês que o Clipping é a plataforma mais completa para quem deseja estudar para a carreira diplomática. Focamos na democratização do acesso ao CACD e por isso buscamos auxiliar a todos com autonomia e gastando o menor valor possível. Esse é o sétimo episódio do Jornada, uma série de conversas direcionadas, voltadas para pessoas que pretendem estudar ou acabaram de começar a estudar para o concurso.

Temos abordado vários assuntos durante todos os episódios e vocês podem assistir todos na íntegra em nosso canal no Youtube.

Hoje, no nosso último episódio, abordaremos o tema: “Profissão diplomata”. Nosso convidado é o professor e diplomata Bruno Rezende.

Bruno, se apresente para o pessoal. De onde você é? Enfim, fale sobre você.

Bruno: Boa noite para todos! Primeiramente, Romeu, quero agradecer pelo convite.

Sou Bruno, de Lavras – MG.  Sou formado em Relações Internacionais pela UNB. Sou diplomata da turma de 2011 do Instituto Rio Branco e, estou atualmente na embaixada de Washington, nos Estados Unidos.

Romeu: Um dos postos mais cobiçados por todos que entrem no Instituto.

Descoberta da carreira

Romeu: Bruno, gostaria de entender um pouco sobre o que te levou de fato a querer ser um diplomata?

Bruno: Muitas pessoas acham que por eu ter feito RI eu já sabia que queria ser diplomata. Pelo contrário, eu nem sabia quase nada sobre isso quando estava no início da faculdade. Como disse, sou do interior de Minas Gerais. Não conhecia nenhum diplomata.

Fiz RI e pensava em trabalhar em uma multinacional. Ao longo do curso, fui conhecendo a profissão por intermédio de diplomatas que davam palestras na faculdade e por amigos estudavam para o concurso. Comecei a orientar meu estudos para o concurso somente no final da graduação.

Romeu: Hoje que você já é diplomata, existe algo da carreira que te chamou atenção? Algo que você nem imaginava que seria como é? Algum choque de realidade que você teve?

Bruno: Não tinha contato direto para saber a vida de um diplomata. As pessoas trocam informações por um grupo no ORKUT. Eu não tinha ideia de como era o dia a dia de um diplomata. Não sabia exatamente o que fazia.

A realidade do trabalho de um diplomata só peguei a partir do momento em que entrei mesmo.

O começo da carreira

Romeu: Bruno, essa primeira mesa que você sentou no ministério, como seu nome escrito e tudo, qual foi o ministério?

Bruno: Foi a assessoria de imprensa do Gabinete. Atualmente faz parte do departamento de assessoria de comunicação social. 

Romeu: Que interessante! Todos os diplomatas que conversamos aqui no jornada, trabalham ou trabalharam na assessoria de imprensa. 

Bruno, você trabalhou na assessoria de imprensa e em quais outras áreas?

Bruno: Trabalhei na assessoria de imprensa no Itamaraty,  na secretaria de comunicação social da Presidência da República, trabalharei na assessoria internacional do Ministério da Saúde. Fiz uma transição na Argentina para cursar no que seria o Rio Branco de lá e, posteriormente, vim para embaixada em Washington.

Romeu: Legal!

O trabalho em Washington

Bom, sobre seu trabalho em Washington, você poderia falar sobre o que você faz por aí?

Bruno: Nosso trabalho muda bastante. Depende muito de onde você está.

Eu cheguei aqui e trabalhava na parte política da embaixada. Cuidava de saúde, direitos humanos e sociais.  Depois, fui convidado para ser chefe do setor cultural e fiquei por um tempo nesse posto. Posteriormente, fui convidado para assumir o cargo de chefe do gabinete do Embaixador. Cargo que possuo até hoje.

Nessa função, me compete inspecionar várias atividades que contribuem para a agenda do embaixador.

Romeu: Na semana passada conversamos sobre as formalidades do Itamaraty. Muitas pessoas ficaram impressionadas com isso. Hoje, aqui no chat, algumas pessoas estão perguntando sobre a burocracia e formalidade. O trabalho é mais burocrático do que se espera? Ou há mais equilíbrio?

Bruno: Depende muito da área de atuação, mas sempre haverá um certo nível de burocracia. Ninguém vira diplomata e fica 100% do tempo em negociações internacionais. Portanto, haverá sim um parte importante de trabalho burocrático, leitura de papel, preparação de documentos e etc. Obviamente, depende muito do local onde estará, mas sempre haverá um certo grau de trabalho burocrático.

Perguntas do chat

Romeu: Mais duas perguntas do chat:

  1. Quantos anos você tem?
  2. O diplomata sempre tem que estar de terno?

Bruno: Tenho 31 anos e sobre sempre estar de terno, não sei dizer se temos que, mas sei que sempre estamos. Sempre que estamos em exercício, para homem é preciso estar de terno e gravata. Para as mulheres é um pouco mais flexível.

Romeu: Bruno, você disse que já passou por dois países, mas a partir de qual momento você pode postular à um posto no exterior e se há um tempo mínimo que você precisa ficar em Brasília ?

Bruno: Sim. Quando terminamos o posto no Rio Branco, que pode variar entre um a dois anos, somos lotados em uma unidade de trabalho do Itamaraty em Brasília. Precisamos trabalhar nesse local por um período de tempo mínimo para podemos postular uma remoção para um posto no exterior. Então, caso queira ir para um posto C ou D, é preciso ter um tempo mínimo de dois anos de trabalho em Brasília. Caso queira ir para um posto B, no mínimo três anos e para o posto A, no mínimo 4 anos.

Os postos no exterior são classificados em A, B, C e D. Essa divisão é feita pelo Itamaraty e é feita levando em consideração o grau de representatividade da missão diplomática daquele local, as condições de vida naquele local e a conveniência do ministério sobre o grau de importância daquele local. 

Os países desenvolvidos e os mais próximos do Brasil são os postos A, por exemplo, a Argentina é um posto A, assim como todos os nos EUA e na Europa Ocidental.

De um modo geral, a classificação é dada respeitando alguns critérios do Itamaraty.

Romeu: Bruno, hoje você está em um pouco A, é possível ficar a vida inteira em um posto A?

Bruno: Por lei, o tempo máximo que alguém pode ficar em um posto A ou B é de 3 anos. Nos postos C e D é um tempo de dois anos.

Depois de postular em um posto A, você não pode postular em outro posto A. Portanto, minha alternativa aqui é ou ir para outro posto que seja B,C ou D ou voltar para Brasília.

Voltando para Brasília, você pode ficar mais 4 anos e depois voltar para o posto A. Agora, imagino que a grande maioria que entra para carreira quer aceitar os desafios de servir em outro país.

Romeu: Recebemos muitas perguntas sobre se é possível o diplomata ficar só em Brasília e não ir para  o exterior. É possível?

Bruno: Boa pergunta. Para a promoção nessa carreira é necessário ter um tempo no exterior. A primeira promoção não é preciso ter tempo no exterior. A segunda, de segundo secretário para primeiro secretário ,precisa de 2 anos no exterior. Se você entrar no diplomacia e não for para o exterior, você não sairá do cargo de segundo secretário. 

Romeu: A gente recebe várias perguntar sobre isso e falamos a mesma coisa. Se a pessoa quer ser diplomata para ficar no Brasil apenas, talvez seja melhor fazer uma outra prova.

Bruno, você falou sobre esse tempo mínimo para receber promoções, mas a gente sabe que existe uma contagem diferente para os postos C e D. Você pode explicar um pouco melhor pra gente como funciona isso?

Bruno: Para se tornar primeiro secretário, mínimo de 2 anos no exterior. Conselheiro, mínimo 5 de exterior, Ministro de Segunda Classe, 7 anos e meio de exterior, Ministro de primeira classe ou Embaixador são 10 anos de exterior.

Esses anos correspondem a anos corridos em posto A e B. Nos postos C e D, existe uma contagem diferente unicamente para promoção. Posto C o tempo conta em dobro. Posto D conta por 3. 

Romeu: Bruno, vamos mudar um pouco de assunto, levando em consideração mais duas perguntas do chat.

  1. Como fica a situação da família, o diplomata pode vir ao Brasil visitar a família?
  2. O diplomata é obrigado a trabalha com regime de dedicação exclusiva?

Bruno: Boas perguntas.

Sobre regime de dedicação exclusiva, para a carreira diplomática, serve a mesma lei que é para servidor público. Então,  é uma carreira de dedicação exclusiva, exceto dar aulas. 

Sobre a questão familiar, todas pessoas que são registradas como dependentes possuem direitos de ganhar passagem de ida para o posto onde a diplomata está. Caso seja um posto A ou B, o dependente tem o direito de uma passagem de ida e outra de volta. 

Agora, para o diplomata visitar a família, ele precisa tirar férias. São 30 dias de férias como para qualquer outro servidor público.

Caso você esteja em postos C ou D, o ministério paga a passagem de ida e volta ao dependente uma vez ao ano.  Essas são medidas de incentivo para que pessoas queiram ir para os postos C e D.

Romeu: Bruno, está em seus planos ir para um posto C ou D?

Bruno: É o que quero fazer depois que sair daqui. Não dá para saber ainda as vagas que vão surgir, mas quero sim. Mas, não há nada específico que queira. Ninguém é obrigado a ir.

Romeu: Bruno,  o José Medeiros, participante do chat, quer saber o seguinte: Se o diplomata falar uma língua específica, ele pode ser priorizado para ir para aquele determinado país?

Bruno: O processo de remoção é definido por uma comissão em Brasília e a comissão leva em consideração diversos fatores. A conveniência da administração e o interesse da pessoa podem ser levados em consideração. A administração faz um filtro, levando em consideração a experiência de cada pessoa. Todas considerações podem ser levadas em conta, mas nada é garantia de nada.

Romeu: Pelo que entendo, a indicação ajuda bastante, também, não é? 

Bruno: Claro! Os chefes têm o direito de chamar quem eles quiserem para trabalhar com eles, mas é claro que a decisão é da administração. Bem como, se o seu chefe atual quiser ligar para o posto onde você pretende ir e fazer uma recomendação, ele pode.

Lembrando que a decisão final sempre vem da comissão de acordo com as regras que são sempre publicadas.

Romeu: Com relação a atuação do diplomata, ele deve fazer de tudo um pouco ou pode se especializar em um determinado tema?

Bruno: Podemos direcionar quando há possibilidades de escolhas.

De acordo com sua pontuação no Rio Branco, você terá mais opções de escolhas. Há possibilidades de escolher um setor que é de seu interesse, mas é preciso ter a vaga e tudo passa pela conveniência da administração.

Romeu: Resumindo, o diplomata tem que saber navegar em todas essas possibilidades.

Desafios

Romeu: Bruno,  a Bárbara quer saber qual foi seu maior desafio na carreira?

Bruno: Não posso dizer maiores desafios, mas diria que já passei por alguns perrengues quando estava na assessoria de imprensa do gabinete, onde cuidados da parte de visita de presidentes no exterior. Lembro-me que fui à uma cúpula do G20 na Rússia, onde haveria um encontro entre chefes de estados. Estavam lá funcionários da embaixada chinesa em Moscou para combinar como seria o encontro. Ainda não havia chegado nenhum intérprete até então e ninguém falava inglês por lá.  Eu fiz dois anos de chinês no Rio Branco e tentei usar isso para poder conversar com eles. Claro que meu chinês não era bom, mas no final deu tudo certo. Mas no improviso a gente dá nosso melhor. Esse foi um perrengue que passei e tive que me virar.

Romeu: Bruno, como é esse contato com outros diplomatas de outros países? 

Bruno: Depende muita da área que você está trabalhando. Quando eu era chefe do setor cultural da embaixada, eu tinha contato com outros chefes de setores culturais de outras embaixadas. Fazíamos exposições juntos, eventos, festivais de filme e etc.

Enfim, depende muito do setor que estão.  Existe, também, um happy hour dos diplomatas latinos que a parte dos trabalhos, se encontram para algum lazer. Mas, não é sempre que acontece.

Romeu: Bruno, encaminhando para o final, queria pedir para você falasse um ponto positivo e um ponto negativo sobre a carreira.

Bruno: Acho que o ponto negativo e positivo acabam sendo a mesma coisa que acho que é a mudança em todos os sentidos.

O concurso para diplomata é um grande treinamento para a vida real. Você vai ser exposto a diversas situações que não está preparado para aquele momento e vai ter que saber lidar com isso. Estar preparado para situações inesperadas é algo que vai te ajudar. Claro que não é a regra, mas no final você acaba rindo da situação e tendo experiências futuras situações semelhantes.

Acho que o ponto principal é estar preparado para esse tipo de situação. Se lidar com coisas inesperadas te amedronta, talvez seja interessante repensar em sua escolha, mas se é algo que te estimula, acho que aí sim é algo bom e ruim da carreira.

Romeu: Bruno, muito obrigado pela conversa e por todas as informações. Tenho certeza que está todo muito muito mais motivado do que amedrontado.

Quero agradecer a todos que nos acompanham em todos os episódios da jornada e peço que deem dicas sobre quais conteúdos vocês gostariam de continuar ouvindo por aqui.

Bruno, quer deixar algum recado para o pessoal?

Bruno: Gostaria de lhe agradecer e a todos do Clipping pelo convite e parceria de sempre. 

Agradeço a todos que nos assistiram e estou a disposição para o que precisarem. Meu Instagram é: @curso.cacd ou meu pessoal @br_rez.  Fiquem a vontade para me escrever. Estou a disposição para tirar qualquer dúvida que me couber.

Obrigado por acompanharem esse bate-papo.

Romeu: Nós quem agradecemos.

Boa noite para você e para todos que nos assistiram.

Até a próxima!

Bruno: Boa noite.

Bate-papo completo na íntegra

E aí, gostou do bate-papo? Ele foi útil para você entender um pouco mais sobre o CACD e a carreira diplomática?

Então não perca os próximos episódios da série “Jornada CACD” e desbrave o mundo diplomático junto com a gente. 😀

Conhece alguém que iria adorar essas conversas? Compartilhe! 🧡


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