O que Guimarães Rosa diria sobre o CACD?

  • Clipping
    05/02/2015 . 3 min de leitura

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Sabe aquela pergunta clássica que fazemos a todos nossos entrevistados pelo Clipping CACD: "se lhe fosse dada total autonomia para reestruturar o CACD o que mudaria e o que ficaria"? Já tivemos as mais variadas sugestões dos mais variados convidados.

João Daniel do Curso Clio, defendeu uma reformulação radical do processo seletivo, com dinâmicas de grupos e provas práticas. Maurício, do Atlas, diplomaticamente, defendeu as linhas gerais do CACD, com a ressalva de que o Espanhol deveria constar no TPS. Matias Spektor não concorda sobre a sobreposição das leituras que se faz na preparação para o TPS e no IRBr.

Fato é que, em se tratando de CACD, todo mundo sempre tem uma ou outra crítica ou sugestão a fazer.

O que aconteceria se Guimarães Rosa fosse chamado a opinar sobre o CACD?

Mas que hipóstese mais absurda, não?

Bem, até que não… Na verdade já aconteceu! Não que tivemos a honra de entrevistar o diplomata autor de Grande Sertão: Veredas. Mas Rosa já foi chamado a colaborar na preparação do CACD, que à época era ainda chamado Concurso de Provas do Instituto Rio Branco (CPIRB, um acrônimo nada amigável!).

Então, ao Sr. Conselheiro Rosa, que à época já colhia os louros pela publicação de Sagarana, atribuiu-se a formulação de um parecer sobre a prova de Cultura Geral. 

E o que aconteceria se tivéssemos prova de Cultura Geral no CACD hoje?

Mas que hipóstese mais absurda não? Bem… (de novo): até que não! Na verdade isso também já aconteceu. Ou melhor: acontecia há até pouco tempo atrás. Você, que está em ritmo de revisão de conteúdo fazendo muitos exercícios e provas anteriores,  já deve ter reparado que o TPS de 2003 e 2004 tem seções específicas para Cultura Geral. De acordo com os  Editais de 2003 e 2004, 10 itens deveriam ser sobre Cultura Geral.

Mas e como era a prova de Cultura Geral formulada por Guimarães Rosa em 1952? 10 itens de C ou E também?

Na verdade, Guimarães Rosa tinha uma ideia diferente sobre como deveria ser a prova de Cultura Geral para o concurso de admissão à carreira diplomática. A premissa de Rosa era a de que:

"se deve evitar tudo o que tende a induzir ou facilitar aos candidatos o estudo utilitário, para exame, as leituras apressadas, adrede feitas, a memorização artificial interessada.”

Na visão de Guimarães Rosa, como esse "estudo utilitário" poderia ser evitado? Simples: fazendo com que a Parte de Cultura Geral colocado no Edital de forma mais ampla possível:

 

gsv

 

Na verdade ele não sugeriu a inclusão de todos esses 8 tópicos na prova de Cultura Geral. Isso já existia, porém cada tópico tinha inúmeros desdobramentos em subtópicos, como o Edital que conhecemos hoje. Dessa forma, na opinião de Rosa a subdivisão em subtópicos facilitava o "estudo utilitário" ( vulgo "decoreba" ) e deveria, portanto, ser condenada.

Veja que curiosa crítica Rosa faz à forma como o Edital antigo dividia "História do desenvolvimento das ciências" nos seus vários tópicos:

 

ci

 

Semelhante crítica é feita à enumeração em vários tópicos da prova de "Literatura Mundial":

fil

 

Essas enumerações feitas pelo Edital, de acordo com Rosa, em nada contribuiam para esclarecer o conteúdo da prova (que deveria ser o mais amplo possível). Para ele, quanto mais objetivo e mais especificado o Edital, mais se estaria contribuindo para a "fornecer eventualmente aos examinandos presunções de equívocos, alegações de indução em erro por parte do Instituto, e motivos para increpações e recursos".

Assustado com a prova de Cultura Geral propugnada pelo Sr. Rosa?

Bem, fique tranquilo… Ela não existe mais.

Mas sabem o que é o  mais curioso de tudo nessa história?  As provas de Cultura Geral, nos Edital de 2003 e 2004, NÃO tinham qualquer programa explícito no Edital. Ou seja: no Edital de 2003 e 2004, cobrava-se Cultura Geral da forma defendida por Guimarães Rosa: da forma mais ampla possível. A única coisa que constava no Edital era que seriam 10 questões de C ou E sobre Cultura Geral. Veja só:

ed

 

Será que os formuladores do Edital de 2003 e 2004 tinham em mente algo do que dizia aquele parecer de 1952 feito por Guimarães Rosa? 

Como o próprio Rosa dizia: "Tudo é a ponta de um mistério". O CACD inclusive.

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