Ondjaki: o escritor angolano que caiu na prova de diplomata

  • Avatar
    Clipping
    29/06/2022 . 1 min de leitura
Ondjaki

Quem é Ondjaki?

Onjaki, como é popularmente conhecido Nadou de Almeida (1977), é um poeta e escritor angolano. Suas obras retratam de forma autobiográfica histórias vividas na infância e juventude com pano de fundo Angola.

Ondjaki viveu um tempo no Rio de Janeiro em 2007, fã da literatura brasileira, sobretudo da obra de Clarice Lispector e Guimarães Rosa, Manoel de Barros entre outros. Vencedor de uma série de prémios literários, como o Prémio Jabuti (2014, 2010) e Prêmio José Saramago (2013), deixou sua marca também no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) com uma polémica passagem.

Entenda mais em detalhes abaixo.

Como o autor caiu no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD)?

Em edições passadas, já foi comum se esperar nas provas de Português do concurso da diplomacia a cobrança questões baseadas em trechos da obra de escritores lusófonos de outras nacionalidades que não a brasileira. Em 2009, tivemos um trecho de “Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra”, do moçambicano Mia Couto. Em 2011, foi a vez de “Os da minha rua”, do angolano Ondjaki. 

Bom, fato é que o que parecia uma tendência – a presença de escritores de outras nacionalidades que não a portuguesa e brasileira no concurso – acabou não se confirmando no longo prazo. O ano de 2011, com Ondjaki, foi a última vez que vimos na prova objetiva de Português cair uma questão baseada em obra de escritor que não seja brasileiro.

Segue um trecho cobrado de “Os da minha rua” e a respectiva questão:

questão sobre obra de Ondjaki

A polémica questão do “bué de lágrimas” teria sido anulada pela banca sob a seguinte justificativa:

A palavra “bué” tanto pode ter sido empregada, no texto, como vocábulo do português brasileiro de origem onomatopeica quanto pode ter sido empregada pelo autor angolano, com o sentido de “muito”, “grande quantidade” (vocábulo de origem portuguesa ou, talvez, originária do quimbundo, língua falada em Angola). Dessa forma, opta-se pela anulação do item.


Teria a polêmica sobre o significado de regionalismos como o famigerado “bué de lágrimas” levado a banca a não mais se aventurar para além das fronteiras nacionais? Difícil saber…

Fato é que após a questão Ondjaki em 2011 passaram-se 10 anos e nunca mais topamos com uma questão tirada da obra de um autor que não seja brasileiro na prova objetiva.

Reza a lenda que um familiar de um candidato, assistindo a um workshop ministrado por Ondjaki na França, poucos dias após o TPS de 2011, fez ali mesmo, da salinha do coffe-break, um vultoso interurbano para consolar o candidato, reprovado no CACD, com as palavras com que o angolano abriu o workshop:


“Este era para ser um workshop sobre escrita. Mas não vamos falar sobre escrita. Vamos falar a leitura. Vejam vocês que um texto meu foi cobrado em processo seletivo para um cargo de alto escalão no Brasil. Fico lisonjeado. Mas o problema é que quem elaborou a prova não entendeu bem o que eu estava a dizer…”.

As questões do CACD são polêmicas por natureza. Ainda mais polêmicas as questões de interpretação. E ainda mais polêmicas as questões de interpretação em que se cobram regionalismos. O que dizer então das questões de interpretação formuladas pela banca que cobram regionalismos de Angola, ou Moçambique? Penosa essa nossa vida de candidato, não?

Às vezes, dá até vontade de chorar… 


  • Avatar
    Clipping

    Uma plataforma de estudos capaz de te ajudar a estudar com autonomia, através de planos de estudo, roteiros de leitura, mapas mentais, resumos e simulados.


Avatar
Clipping

Uma plataforma de estudos capaz de te ajudar a estudar com autonomia, através de planos de estudo, roteiros de leitura, mapas mentais, resumos e simulados.