Os desafios da mulher na diplomacia

  • Ana Clara Carvalho
    Ana Clara Carvalho
    08/03/2019 . 21 min de leitura
mulheres na diplomacia dia das mulheres

Quando o assunto é a presença feminina na carreira diplomática, o Itamaraty tem se tornado cada vez mais atento e não é para menos, já que em 2017, o Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD) obteve o maior número de mulheres aprovadas da história, sendo 36%. Já em 2018, 6 mulheres foram aprovadas no concurso.


Só para se ter uma ideia, existiam 355 mulheres diplomatas em atividade em 2016, mas para um total de 1.571. Portanto, apenas 22,6% dos diplomatas brasileiros eram mulheres.

A tendência, então, seria aumentar cada vez mais a presença feminina na representação do país no exterior, principalmente com o incentivo realizado nas campanhas pelo Ministério de Relações Exteriores em que as diplomatas em exercício contam suas experiências e incentivam as mulheres a participarem do concurso.

A disparidade de homens em relação às mulheres na diplomacia é algo que se repete em vários outros continentes. Com isso, acabamos encontrando questionamentos similares como “onde erramos?” e “onde estão as mulheres para representar o nosso país?”.

No conteúdo de hoje iremos desvendar o que está acontecendo no Brasil e no mundo em relação à presença das mulheres na carreira, além de trazer possíveis soluções apresentadas pelas próprias diplomatas. Confira!

Uma decisão judicial que muda tudo: a história da diplomacia brasileira

A carreira diplomática é historicamente masculina e perpetuou por vários anos tradições que vieram do patrono barão do Rio Branco.

Com o tempo, isso acabou trazendo três embates jurídicos interessantes de serem ressaltados. Dois ocorreram com o objetivo de admissão na carreira e um de promoção.

O primeiro deles foi realizado em 1918, por Maria José de Castro Rebello Mendes, que após ter a sua inscrição negada recorreu para conseguir fazer o exame. Na época, o então ministro Nilo Peçanha autorizou a participação mas apresentou a seguinte ressalva:

Não sei se as mulheres desempenhariam com proveito a diplomacia, vide tantos attributos de discrição e competência são exigidos, bem que não são privilégio do homem – e si a requerente está apparelhada para disputar um logar nessa Secretaria de Estado (…), o que não posso é restringir ou negar o seu direito… Melhor seria, certamente, para o seu prestígio que continuassem a direcção do lar, taes são os desenganos da vida pública, mas não há como recusar sua aspiração, desde que fiquem provadas suas aptidões.

Nilo Peçanha simplesmente utilizou de uma atitude machista para duvidar da capacidade intelectual da candidata que em contrapartida se tornou a primeira mulher diplomata brasileira. 👏

A situação rendeu várias inserções tanto positivas quanto negativas na imprensa da época. O jornal Carioca A Noite, publicou no dia 2 de setembro de 1918 uma charge criticando a situação do Itamaraty e dando um conselho para Adão “colocar as barbas de molho”.

a noite mulher diplomacia diplomata cacd

Já a Revista da Semana, no dia 7 de setembro de 1918, apoiava plenamente o direito de Maria José de Castro Rebello Mendes de pleitear uma vaga no cargo de diplomata. O título da matéria publicada foi: “Uma victoria do feminismo” e criticava o fato do ministro ter considerado como o lugar de mulher ser apenas dentro de casa. (Leia a edição completa da Revista da Semana).

mulheres na diplomacia

Após Maria José de Castro Rabello, outras 18 mulheres ingressaram na carreira diplomática entre 1919 e 1938. Naquela época, a carreira diplomática era diferente para homens e mulheres, já que elas não possuíam uma carreira diplomática, apenas consular.

Quase uma década após a aposentadoria da primeira diplomata mulher, em 1926, duas mulheres, que já desempenhavam outras funções no Itamaraty, foram nomeadas como 3º oficial da Secretaria, sendo elas Wanda Vianna Rodrigues e Celina Porto Carrero. No ano de 1931, após ser transferida para a carreira consular, Rodrigues seria a próxima mulher a dar uma entrada com um processo na justiça pela nomeação errônea de outra pessoa ao cargo que, na verdade, deveria ser dela.

A justificativa do consultor jurídico do Ministério das Relações Exteriores da época, Clóvis Beviláqua, foi justamente o fato de que ela não poderia concorrer à vaga por não estar em uma carreira diplomática, mas sim consular.

Essas carreiras só se uniram depois de um Decreto-lei nº  791, de 14 de Outubro de 1938 estabelecer que a carreira diplomática era apenas para homens.

Art. 30. A admissão à carreira de “Diplomata” será para a classe J, mediante concurso de provas ou de títulos.

Parágrafo único. A esse concurso só poderão concorrer candidatos do sexo masculino.

Uma das justificativas dadas, segundo o site do Itamaraty, por exemplo, está diretamente ligada ao fato de que alguns postos de trabalho no exterior serem considerados de alto risco para mulheres.

Apenas 16 anos depois, em 1953, ocorreu a terceira ação judicial feita pela candidata Maria Sandra Cordeiro de Mello. Ela foi aprovada na prova mas impedida de iniciar os estudos no Instituto Rio Branco. Sendo assim, ela conseguiu efetivar a admissão após liminar que a ajudou a frequentar a primeira aula.

Mas essa luta não parou por aí não, outras mulheres já foram impedidas de seguirem a carreira justamente devido aos outros “mecanismos” para evitar que entrassem no Itamaraty, como denota o autor Danilo Sorato, em seu blog pessoal “Histórias e Conversas Diplomáticas”. Segundo Sorato, um desses métodos era o alistamento militar, já que é algo direcionado somente para os homens, impossibilitando a entrada de mulheres ao cargo.

A união faz a força

O grupo “Mulheres Diplomatas Brasileiras” foi criado em 2013, mas apenas nas redes sociais. Isso possibilitou que diplomatas em missões em outros países pudessem se organizar e discutir sobre a carreira e realmente se unirem.

Já no ano seguinte, ocorreu a mobilização de mais de 200 mulheres para a criação de um comitê para combater a discriminação de gênero e raça no Ministério das Relações Exteriores. Efetivado em setembro daquele ano.

Art. 1º – O Comitê Gestor de Gênero e Raça (CGGR), instituído pela Portaria nº 491, de 12 de setembro de 2014, e reestruturado pela Portaria nº, de julho de 2015, ambas do Ministro de Estado das Relações Exteriores, atua como instância colegiada, de caráter consultivo, com o objetivo de coordenar, no âmbito do Ministério das Relações Exteriores, o Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça (PPEGR), de acordo com as competências abaixo descritas.

(DOU de 23/09/2015 (nº 182, Seção 1, pág. 41)

Quais as principais críticas referentes à falta de mulheres na diplomacia?

Provas difíceis?

No livro “Diplomata: Substantivo Comum de Dois Gêneros. Um Retrato da Presença Feminina no Itamaraty no Início do Século XXI”, Viviane Rios Balbino tenta encontrar algumas respostas para as baixas taxas de aprovação feminina no CACD.

Dentre as possibilidades são citadas as questões de interesse pela carreira, do longo período de estudo dos homens se comparado à preparação das mulheres e até do formato da prova.

A crítica, por exemplo, foi referente ao modelo de exame que possuía a avaliação da banca como critério para entrada na carreira, que ocorrera até o ano de 2004. O que talvez não seja o caso, visto que em 2004 os dois primeiros lugares do concurso eram ocupados por mulheres e somavam-se no total 9 aprovadas dentre 30 vagas, sendo 30% de mulheres naquele último ano com prova oral.

Preconceito no cargo?

A Diretoria de Relações Internacionais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) realizou um evento com quatro cônsules para destacar o crescimento da presença feminina na Diplomacia, em março de 2018. Após o evento, a Cônsul da Itália, Aurora Russi, concedeu uma entrevista à TV UFMG e abordou os preconceitos que passou no cargo, confira abaixo:

Na entrevista, Russi aponta um certo incômodo com o tratamento dado à ela tanto aqui quanto em outros postos em que representou a Itália. Abordagens como “menina” e alteração dos cargos para o feminino – de cônsul para consulesa – foram exemplos dados pela diplomata.

Aurora Russi tenta explicar que esse tipo de discriminação não deve ser aceita pelas mulheres.

A mesma situação foi vivida pela primeira embaixadora mulher, Odette de Carvalho e Souza, que foi chamada de Dona Odette excluindo a nomeação de ministra de primeira classe.

Elas são ouvidas?

No mês das mulheres de 2018, a Embaixada dos EUA no Brasil reuniu quatro diplomatas Americanas para contarem as suas experiências como mulheres nessa carreira. Assista ao vídeo completo abaixo:

Um ponto em comum citado por todas as diplomatas no vídeo foi a vontade da mulher de ser ouvida e de ter seus pontos de vista conhecidos. Ann E. DeLong revela que muitas têm medo de expressar opiniões e outras acabam sendo reprimidas ao se expressarem.

Outro elemento importante, citado pela diplomata americana Naomi Fellows, se baseia na expectativa que há em cima das mulheres, por exemplo, quando passam uma mensagem, até mesmo quando é uma informação muito importante e forte, existe uma expectativa de que ela sorria, de que seja bonita, risonha e até sedutora ao falar. Agora, a questão é, por que isso também não é esperado dos colegas homens?

Essa mesma experiência também já foi ressaltada no TEDWomen de 2010, em que a ex-Secretária de Estado Norte-americana Madeleine Albright, foi em sua primeira reunião na Organização das Nações Unidas (ONU) e deixou de lado aquela primeira reação de sentir o clima da sala, de saber se as pessoas gostam dela ou não e de se questionar sobre tentar dizer algo inteligente, e passou a pensar que estava ali representado os EUA e se ela não falasse naquela reunião o país que ela representa não seria ouvido. Confira abaixo toda a participação dela no TED.

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Já Diplomata americana Juliana K. Ballard mostra que essa falta de abertura às mulheres pode ser notada quando outra pessoa, geralmente um homem, apresenta a mesma ideia ou opinião que uma mulher e é levado mais à sério que ela. Para completar, Ballard ainda se questiona o motivo de nos EUA, as mulheres representarem 47% da força de trabalho, mas quando os assuntos são diplomacia e relações exteriores o mesmo não ocorrer.

As diplomatas finalizam o vídeo ressaltando que é um ótimo momento para ser mulher, mas a luta para garantir igualdade está apenas começando.

👉 No canal do YouTube da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil você também encontra outros vídeos dessas mesmas diplomatas dando conselhos para incentivar o empoderamento feminino.

Assédios no Itamaraty?

Mesmo depois de tanta luta feminina para ingressar na carreira diplomática, ainda é possível notar alguns empecilhos no caminho.

Em reportagem do jornal O Globo, de 2015, foi relatada a criação de um movimento interno de mulheres diplomatas contra o assédio. Elas reuniram 108 casos e apresentaram ao Secretário Geral do Itamaraty na época, Sérgio Danese, que preferiu tratar do assunto internamente, já que não queria ser um alvo da imprensa. Em reportagem feita pelo Isto É, em 2017, o tema foi retomado e fontes informaram que nada fora resolvido até aquele momento.

O assunto entrou à tona após suspeitarem de casos de assédio realizados pelo embaixador João Carlos Souza-Gomes, até então responsável por chefiar a Delegação Permanente do Brasil na Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em Roma. Os casos foram denunciados por servidoras do órgão multilateral que eram diplomatas subordinadas à ele.

O caso foi tratado inicialmente em segredo pelo Ministério, que, segundo a Folha de S. Paulo, abriu processo disciplinar e afastou o diplomata por 60 dias. O caso só foi finalizado no ano seguinte com a remoção do diplomata em Portaria do dia 13 de Março de 2018, no Diário Oficial da União, feita por Aloysio Nunes Ferreira, até então Ministro das Relações Exteriores.

Esse caso veio à tona justamente dias antes da criação da Cartilha contra o assédio moral e sexual feita pelo Itamaraty. Nela são analisados dados do estudo “Riscos Psicossociais do Trabalho no Itamaraty” realizado pela Universidade de Brasília (UnB) e no conteúdo, existe uma confirmação de que “não há ações institucionais efetivas para estabelecer parâmetros de relações profissionais saudáveis e harmoniosas [No Itamaraty]” e que a criação dessa cartilha seria um passo importante para “conscientizar, informar e responder parte das dúvidas dos servidores do MRE”.

No estudo, publicado em março de 2017, foram ouvidos 575 servidores, sendo 542 responsáveis por responder questionários on-line e outros 33 que foram entrevistados pessoalmente. Deste quadro sendo 55% de mulheres e com uma média de trabalho de 16 anos no MRE.

A mostra apontou que mais da metade, 54%, já testemunhou assédio moral no trabalho nos últimos seis meses. Quando aumentamos esse período para cinco anos, o número cresce para 80,3% dos servidores.

Veja alguns dos depoimentos presentes no documento:

  • “Ninguém quer apontar o problema nesse jogo de privilégios pra não perder suas chances”, quando são questionados sobre a possível possibilidade de pedir ajuda quanto ao assédio.
  • “Eu não fui promovida e sabe o que o cara me disse? Que eu não ia ser promovida porque eu era mãe”, apresentado como um motivo para as agressões a constituição da família.
  • “Você entendeu mal, você está muito estressada, nervosa, precisa relaxar, curtir mais. Quer uma viagenzinha? – é isso que eles dizem”, relatam quanto a opinião da instituição sobre os assédios.
  • “A gente não tem voz aqui dentro. É uma prisão. Uma prisão, onde você não tem a possibilidade de discurso. Não tem a possibilidade de verdade e você que é o louco”, quando questionados sobre os sentimentos negativos que sentem.

Maridos não acompanham mulheres na carreira diplomática

Você sabia que Maria José de Castro Rebello Mendes, a primeira diplomata brasileira, se casou com um diplomata? A melhor parte é que ele, Henrique Pinheiro de Vasconcellos, participou da banca avaliadora de Maria José anos antes, quando ela passou para ser diplomata.

A parte triste aconteceu 16 anos depois de virar diplomata, já que Maria José pediu aposentadoria do serviço público para acompanhar o marido nomeado conselheiro da embaixada brasileira em Bruxelas, na Bélgica.

Em reportagem publicada no jornal Folha de S. Paulo, em dezembro de 1995, foi levantada a crítica à normal prática da mulher do embaixador, chamada embaixatriz, de acompanhar o marido na carreira, em relação ao marido de uma embaixadora não largar o emprego para fazer o mesmo.

Isso é apontado como um dos motivos das diplomatas em pelo exercício na época terem intensificado a carreira somente após se divorciarem dos maridos, como foi o caso da embaixadora Vera Pedrosa e embaixadora Thereza Quintella, entrevistadas na época pelo jornal.

O mais engraçado de tudo é que mesmo após 62 anos da inserção feminina no cargo mais alto do Itamaraty, ainda não tenham colocado um nome para os maridos de embaixadoras, já que a primeira ministra de primeira classe Odette de Carvalho e Souza foi nomeada em 1956.

Imagine que em outubro de 2010, em entrevista à revista Época, a diplomata, que assumiria a Embaixada brasileira em Nova Délhi no ano seguinte, Vera Machado, levou o esposo para acompanhá-la. O engenheiro Ronald Machado, até se nomeou “embaixatrizo” para se contextualiza-se como esposo da diplomata.

Em 2015, em uma publicação do blog Diplo Wife, Diplo Life há um relato da esposa de diplomata Elisa justamente sobre a ainda falta de um nome para representar os esposos de diplomatas.

Mas a situação poderia não ser a mesma caso a embaixadora tivesse se casado com um diplomata, como foi o caso de Maria José. Na reportagem da Folha de S. Paulo, há uma explicação da assessoria jurídica do Itamaraty ressaltando que quando uma mulher era diplomata, sempre acompanhava o marido diplomata para as missões, porém isso fazia com que fossem descontados tempo de serviço dela e consequentemente eram adiadas as promoções da carreira. Esse processo era chamado de “agregação” ou “afastamento de exercício do cargo”.

Sem contar o fato de que muitas mulheres desistem de seus cargos na diplomacia para se casarem com diplomatas, já que o Decreto-Lei nº 9.202, do dia 26 de abril de 1946, proibia o casamento entre diplomatas e servidores públicos.

Art. 3º Os funcionários da carreira de “Diplomata” só poderão casar com pessoas de nacionalidade brasileira e mediante prévia autorização do Ministro de Estado.

1º A transgressão da norma, artigo, devidamente comprovada determinará a exoneração do funcionário.

2º Quando a esposa fôr servidor público, terá que exonerar-se cargo ou função.

Ao longo do século XX, foram retiradas essas leis que dificultavam a carreira diplomática das mulheres, tais como a proibição do casamento entre diplomatas, que foi revogada em 1961 pelo então presidente Jânio Quadros, e o tão esperado fim da agregação que fez com que grandes diplomatas mulheres não conseguissem grandes cargos pela dependência de acompanhar o marido diplomata nas missões.

Como inserir mais mulheres na carreira diplomática?

Conscientizar as mulheres desde sempre

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) promoveu uma palestra com a Ministra e Chefe da Missão Diplomática da Embaixada de Bangladesh em Brasília, Nahida Rahman Shumona, com a temática Empoderamento Feminino Global, em novembro de 2017. Após o evento, a Ministra concedeu uma entrevista à TV UFMG sobre a situação da mulher. Confira na íntegra abaixo:

A partir dessa entrevista é possível notar que a representação feminina ainda é algo em constante crescimento pelo mundo, já que nem todo país conseguiu consumar isso ainda. E, dessa vez, garantimos um exemplo vindo de Bangladesh, no Sul da Índia, que tem feito leis e garantido o direito das mulheres nas últimas décadas.

Nessa entrevista, a Ministra cita algo importante para a maior inserção da mulher como representante do seu país pelo mundo, para ela, é preciso existir uma conscientização, mobilizar mais mulheres desde cedo para que já notem ali um objetivo, para que se insiram mais dentro das questões sociais e políticas e, assim, cheguem a se interessar pela diplomacia e pelo dever que possuem para com o seu país.

Retirar o “mito da impossibilidade de constituição de uma família”*

*Termo utilizado por Viviane Rios Balbino

A Diretoria de Relações Internacionais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) realizou um evento com quatro cônsules para destacar o crescimento da presença feminina na Diplomacia, em março de 2018. Após o evento, a Cônsul da Itália, Aurora Russi, concedeu uma entrevista à TV UFMG em que abordava situação das mulheres na diplomacia e como isso poderia ser melhorado, confira abaixo:

Apesar de apontar uma esperança sobre a igualdade de gênero em sua entrevista à TV UFMG, a Cônsul Italiana Aurora Russi, apresenta que existem pesquisas que ainda mostram um longo caminho a percorrer, sendo até 217 anos para a paridade. Em seguida, Aurora revela a situação da Itália quanto à presença feminina, sendo de apenas 30% de mulheres diplomatas.

Algo que ela aponta como possível problema que dificulta a inserção das mulheres no cargo é a família. Segundo Russi, é preciso que tenha alguma política de ajuda, já que muitas diplomatas também são esposas, mães, filhas para, assim, conseguirem conciliar o trabalho com a vida pessoal.

A Conselheira Adriana Sader Tescari, por exemplo, é casada com um diplomata e tem dois filhos. Ela participa dos vídeos da campanha do Itamaraty de 2018 e tenta desmistificar o fato de que a carreira não é compatível com uma vida familiar.

Além disso, na entrevista que a diplomata concedeu à TV NBR em julho do mesmo ano, ainda completou dizendo que esse desafio de ter uma família e ser diplomata vale a pena e é algo que se transforma em uma experiência enriquecedora tanto para os filhos quanto para os pais. Confira abaixo:

Indicações de leitura

Quer entender ainda mais como é a situação da mulher na diplomacia? Te ajudamos nisso! Fizemos uma lista com livros e artigos para você ficar por dentro do assunto.

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1. Diplomata: Substantivo Comum de Dois Gêneros. Um Retrato da Presença Feminina no Itamaraty no Início do Século XXI – Viviane Rios Balbino

A primeira indicação de leitura é uma tese que se transformou em livro, escrita por Viviane Rios Balbino. A obra é intitulada “Diplomata: Substantivo Comum de Dois Gêneros. Um Retrato da Presença Feminina no Itamaraty no Início do Século XXI”. Para organizar o livro, a Chefe da Divisão de Paz e Segurança Internacional analisou a participação das mulheres no CACD entre os anos 1993 e 2003, além de entrevistar funcionárias do Ministério das Relações Exteriores.

2. Minha História das Mulheres – Michelle Perrot

Agora, se você quer se aventurar pelas conquistas e percalços da vida das mulheres, vale acompanhar o trabalho da historiadora Michelle Perrot, considerada hoje uma das mais importantes pesquisadoras da história das mulheres.

3. Reportagem Intrusas no Lago dos Cisnes – Natália Shimada

A reportagem, feita por Natália Shimada, aborda duas diplomatas entrevistadas na revista Lady, em 1959, e como se deu a vida delas após a entrevista. São histórias ricas de experiências dessas mulheres ao longo da carreira e que nos mostram plenamente a existência de leis capazes de dificultar a ascensão na carreira e, claro, o preconceito por serem mulheres. A reportagem foi feita para a Revista Juca: Diplomacia e Humanidade e publicada no ano de 2012.

📚 Leia aqui

4. Mulheres e Poder. Um Manifesto, da historiadora inglesa Mary Beard

O livro da historiadora inglesa Mary Beard é considerado um manifesto feminista que visa mostrar o fato das mulheres sempre serem impedidas de terem um papel de liderança na vida civil. Além de abordar como esse papel precisa ser reestruturado na sociedade atual. O livro é baseado em duas palestras proferidas por elas nos últimos anos.

5. Mulheres Diplomatas Brasileiras – Laura Berdine Santos Delamonica

Qual é o interesse das mulheres em seguir a carreira diplomática? A dissertação apresentada em 2014 por Laura Berdine Santos Delamonica, no curso de pós-graduação em Relações Internacionais da Universidade de Brasília, buscou resolver essa questão. Delamonica realizou  entrevistas com diplomatas brasileiras não aposentadas para tentar compreender esse papel da mulher na diplomacia. A dissertação é bem completa, traz a visão de cada uma delas sobre temas como vida pública e privada, relações de poder e prestígio, feminismo e até expectativas e sugestões de melhoria para a instituição.

6. Tensões e Desafios do Feminino nos consagrados espaços masculinos – Maria Elena Bernardes

Essa é uma leitura rápida para quem quer entender o contexto da entrada da primeira diplomata mulher, Maria José de Castro Rebelo, em 1918. Esse artigo se propõe a fazer uma retrospectiva analítica nos transpondo para uma época em que o Itamaraty era um espaço estritamente masculino.

📚 Leia aqui

7. Mulheres Diplomatas no Itamaraty (198-2011): Uma análise de trajetórias, vitórias e desafio – Guilherme José Roeder Friaça

Aposto que você ficou curioso para saber em detalhes como a igualdade de gênero é tratada pelo Ministério das Relações Exteriores, certo? A partir do livro “Mulheres Diplomatas no Itamaraty (198-2011): Uma análise de trajetórias, vitórias e desafios”, de Guilherme José Roeder Friaça você terá uma ideia de como tudo funciona. Ele teve a ideia de realizar uma pesquisa aprofundada a partir dos documentos administrativos da instituição para entender a história das mulheres no Itamaraty, desde o ano de 1918 até 2011.

Agora, me conta, o que você falaria para uma mulher que deseja seguir a carreira diplomática? Mande nos comentários e vamos incentivar cada vez mais que as mulheres embarquem nessa carreira.


  • Ana Clara Carvalho
    Ana Clara Carvalho

    Ana Clara é formada em jornalismo e trabalha na equipe de Marketing do Clipping. Aposto que você já assistiu algum vídeo com ela por aqui, certo? 😄


Ana Clara Carvalho
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