Palácio Itamaraty: coisas que você precisa saber sobre seu futuro local de trabalho

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    18/03/2017 . 9 min de leitura

Para candidatos ao concurso de admissão à carreira de diplomata (CACD), uma visita ao Palácio Itamaraty pode ser um divisor de águas na preparação. De acordo com o depoimento de muitos candidatos aprovados no concurso da diplomacia, mais do que um passeio de fim de semana, a visita representa um momento transformador, capaz de contribuir de forma ativa para a decisão de seguir se lançar de cabeça na preparação para o concurso de admissão à carreira de diplomata (CACD).

Provavelmente, Oscar Niemeyer não tinha noção do efeito  inspirador que o Palácio Itamaraty exerceria sobre as futuras gerações de candidatos a diplomata.

Na ocasião em que o Palácio Itamaraty completa 50 anos, vale a pena dar uma olhada mais de perto nos mistérios do Palácio e da sua história.

Clipping CACD - Estudos para diplomata

Dividimos esse post em 4 partes:

1. Como diplomatas participaram da obra do Palácio  Itamaraty? 

2. Como são os principais lugares do Palácio  Itamaraty?

3. Como agendar visitas ao Palácio  Itamaraty?

4. Como saber mais sobre o Palácio  Itamaraty?

1. Como diplomatas participaram da obra do Palácio Itamaraty?

Está rolando esse ano, comemorações do aniversário de 50 anos do Palácio Itamaraty e boa parte da história dos bastidores de sua construção ainda permanece desconhecida do grande público.

Com essa necessidade de recuperar e preservar a memória do papel dos diplomatas na obra, constata-se hoje certa ênfase nas pesquisas recentes apoiadas pelo Ministério das Relações Exteriores sobretudo no que se refere à importante atuação que os diplomatas tiveram envolvidos junto a Niemeyer no projeto de construção do Palácio do Itamarary. Vamos desvendar um pouco mais esses mistérios…

O que pouca gente sabe é que tanto no planejamento quanto na execução da obra, o Palácio  Itamaraty seguiu uma lógica muito distinta da que orientou a construção dos demais prédios públicos da Esplanada, cujos projetos foram desenhados sem se saber exatamente como seriam usadas, quantas salas abrigariam, etc.

Diferentemente, o Palácio do Itamaraty foi projetado nos mínimos detalhes em estreita coordenação com a Comissão de Transferência do Ministério das Relações Exteriores do Rio de Janeiro para Brasilia.

Essa Comissão, chefiada pelo diplomata Wladimir Murtinho teve uma importância enorme na criação do Palácio Itamaraty sobretudo na transposição para o plano da arquitetura da riquíssima simbologia histórica e política que o Itamaraty carrega.

Arquiteto Eduardo Rossetti - Itamaraty

É verdade que a autoria do projeto é inegavelmente de Oscar Niemeyer, mas o diplomata Wladimir Murtinho e outros como Olavo Redig, chefe do setor de Patrimônio do Itamaraty, tiveram uma participação fundamental na obra, no sentido de garantir que a criatividade de Niemeyer e a dos demais artistas envolvidos no projeto pudesse estar sistematicamente a serviço das demandas dos seus usuários finais – os diplomatas.

Vale lembrar que esse projeto foi desenvolvido para ser o prédio que receberia visitas oficiais de autoridades estrangeiras e imprensa sob os cuidados do diplomata.

A funcionalidade dos espaços do Palácio era, portanto, fundamental e sua implementação dependia, em grande medida da participação ativa dos membros da Casa. A casa da diplomacia brasileira deveria refletir nos seus  espaços as demandas das intrincadas regras hierárquicas e deveria estar à altura dos desafios logísticos que perpassam a rotina dos cerimoniais diplomáticos.

Por exemplo, as comitivas não poderiam se perder em filas de elevadores, autoridades de idade avançada não poderiam ser forçadas a subir longos lances de escada, etc.

Isso ocorreu previsto? Vejamos no próximo tópico, por meio de um passeio virtual pelo Palácio  Itamaraty.

2. Como são os principais lugares do Palácio  Itamaraty?

Fachada do Itamaraty

Não por acaso, o primeiro nome para o edifício seria “Palácio dos Arcos”. A grande inovação dessa construção em relação ao Palácio do Planalto e a Alvorada são suas arcadas.

A princípio, o Itamaraty seguiria o mesmo padrão desses edifícios e teria em linhas gerais a mesma estrutura que eles: a de uma “caixa de vidro” totalmente transparente ao observador externo.

Posteriormente, veio a ideia dos arcos, que funcionam dando uma sensação de se abrir e fechar ao olhar do observador e dando ainda mais força quando há seu espelhamento na superfície das águas, relevando um planalto flutuante em pleno cerrado. Veja o desenho:

Oscar Niemeyer - Palácio do Itamaraty

Ah Clipping, mas e a escultura do Meteoro que tanto amo? Não vi ela na imagem aí acima… 

Então, curiosamente, a escultura do meteoro que hoje é praticamente o símbolo do Itamaraty, nada tinha a ver com o desenho original de Niemeyer.

A propósito, essa escultura esculpida em 50 toneladas de mármore de Carrara encomendada pelo Itamaraty ao artista Bruno Giorgi foi vista com muita reserva por Niemeyer, que temia que a peça prejudicasse o delicado efeito visual dos arcos da fachada.

O arquiteto foi convencido por Olavo Redig, o arquiteto-chefe do Setor de Conservação do Patrimônio do Itamaraty já mencionado acima. Durante uma discussão com Niemeyer, o diplomata diplomaticamente amassou uma bolinha de papel, colocou-a diante da maquete do Palácio, para provar que as formas não criariam conflito.

O resultado dessa estratégica “articulação de consensos”  é a imagem clássica da fachada que hoje embala corações dos candidatos a diplomata, mas que você deve estar tão cansado de ver que nem vamos colocar aqui no post.

Ah Clipping, mandou bem… Já vejo muitas fotos da fachada do Itamaraty, queria conhecer mais do interior

Ok. Só mais uma curiosidade sobre o exterior antes de passarmos para o interior… Como dissemos acima, a tendência seria que o Itamaraty seguisse o padrão “caixa de vidro” dos outros prédios. Mas para o diplomata Wladimir Murtinho essa opção eventualmente significaria riscos para autoridades. Murtinho exigia maior resguardo e maior segurança na entrada.

Foi dessa exigência de Murtinho que surgiu o jardim aquático, de Burle Marx, que isola a entrada do Palácio de forma análoga à forma como se protegia as entradas dos castelos medievais.

Essa foi uma solução provou-se extremamente funcional em 2013 na contenção de certos manifestantes no que foi até o momento a única tentativa na história de invasão do Palácio Itamaraty.

tentativa de invasao itamaraty - fonte O Globo

Passemos ao interior do Palácio  Itamaraty…

Dentro do Itamaraty

A fachada externa do Palácio chama atenção por sua beleza, mas quando se conhece seu interior, não há como não se impressionar. Para entrar no local, os visitantes precisam se dirigir à lateral do edifício. A entrada principal é reservada apenas a solenidades oficiais. A visita, sempre guiada, começa no salão de entrada do Palácio.

O espaço impressiona sobretudo conhecedores da arquitetura por não ter pilares de sustentação. Trata-se de um dos maiores vãos abertos sem sustentação do mundo, com 2.200 metros quadrados sem uma so coluna de sustentação. Nesse espaço, localizam-se 2 obras que com certeza você já deve conhecer por fotos: a escada helicoidal e o jardim aquático de Burle Marx.

Palácio Itamaraty. Escada helicoidal.

Burle Marx, Jardim Aquático - Palácio do Itamaraty

Jardim aquático de Burle Marx – foto Edgard Cesar/Vogue

Para quem gosta de guardar recordações, aproveite esse momento para fotos. Afinal, apenas em dois espaços são permitidas fotos, um deles é essa entrada lateral.

Vale registrar não apenas sua arquitetura, mas a importância funcional do local. É nesse hall em que acontecem as recepções de autoridades internacionais. Muitas autoridades já pisaram nesse espaço, como a Rainha da Inglaterra, Elizabeth II, cuja visita ao Itamaraty, em 1968, ensejou a instalação de um corrimão móvel na escada helicoidal (cuja foto você viu acima).

Além dessa famosa escada, esse andar abriga ainda o Setor de Protocolo e Cerimonial e Assessoria de Imprensa do Ministério, não contemplados na visita. Não é possível também visitar o auditório Wladimir Murtinho (que como vimos acima foi um dos interlocutores fundamentais do MRE com Niemeyer) que fica no subsolo, e é usado em eventos com representantes de países visitantes.

Ao subir a escada, chega-se ao mezanino, local onde fica a Sala dos Tratados, em cujo centro fica a mesa em jacarandá em que a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea.

Nessa mesa carregada de simbolismo é que são firmados e assinados os acordos internacionais. Simbolicamente, a mesa fica de frente para o Ministério da Justiça. As paredes de vidro simbolizam a visão da Justiça brasileira como testemunha sobre todos os tratados firmados pelo Brasil.

Mesa dos tratados - Itamaraty

Mesa dos Tratados – foto de Edgard Cesar/Vogue

Neste andar ficam o gabinete do Ministro de Estado e do Secretário Geral, que não podem ser visitados. Há também diversas obras de arte, como Metamorfose, de Franz Weissmann, e o painel que representa os povos que formaram o Brasil, de Athos Bulcão.

Vale mencionar que o acervo do Palácio Itamaraty, a propósito, é um espetáculo a parte. Levantamentos recentes apontam para cerca de 580 obras presentes no espaço do Palácio, somando 92 pinturas, colagens e desenhos; 450 gravuras; 18 esculturas; 10 painéis e azulejos e 10 tapetes que estão exibidos pelas paredes do Palácio.

O terceiro andar abriga diversos salões decorados com obras de arte do Brasil e do mundo, recebidos como presentes, e reservados para festas de recepções das comitivas. Mas o espaço que mais chama a atenção é a varanda…

palacio do itamaraty varanda

Jardim suspenso de Burle Marx-foto Diego Paiva

A varanda se torna um ambiente especial na dinâmica das cerimônias do Palácio do Itamaraty.

Os hábitos e os modos de vida informais, inerentes à convivência específica das varandas, contribuem para alterar o perfil comum de funcionamento do Ministério, assinalando outras possibilidades de sociabilidade e convivência nesses espaços.

Neste sentido, o diplomata Leite Ribeiro considera que “…reuniões descontraídas facilitam a vida profissional…” pois quando “…despidos da formalidade, relaxados, [os diplomatas ficam] propensos a confidências e trocas de informações…”

 (Eduardo Rossetti – A Arquitetura do Palácio do Itamaraty)

Vídeo sobre o Palácio Itamaraty

Antes de você partir para o próximo tópico deste post, a Folha produziu um excelente vídeo de 5 minutos sobre o Palácio  Itamaraty que vale a pena conferir clicando abaixo. É bastante curto e muito explicativo. O Clipping sugere a você conferir:

3. Como agendar visitas ao Palácio  Itamaraty?

As visitas guiadas duram cerca de 1 hora e podem ser feitas guiadas nas línguas: português, francês e inglês.

Confira abaixo os horários e os dados disponibilizados no site do Itamaraty ou acesse essas informações diretamente o site do Itamaraty clicando aqui 

Horário das visitas no Palácio Itamaraty:

  • De segunda a sexta-feira: às 9h, 10h, 11h, 14h, 15h, 16h e 17h.
  • Sábado, domingo e feriado: às 9h, 11h, 14h, 15h e 17h.

O agendamento pode ser feito pelo email [email protected] ou telefone +55 61 2030 8051.

4. Como saber mais sobre o Palácio  Itamaraty?

Para fechar o post em alto estilo, compilamos algumas fontes para você que quer mergulhar mais fundo nos aspectos arquitetônicos e simbólicos do Palácio.

  • Sobre aspectos arquitetônicos vale a pena ver o artigo de Eduardo Rossetti, professor da Unb cuja tese de doutorado versa sobre o Palácio  Itamaraty que pode ser gratuitamente acessado clicando aqui.
  • Essa matéria da Casa Vogue tem belíssimas fotos, algumas das quais utilizamos aqui no post. Confira aqui
  • Sobre o cinquentenário do Itamaraty, você pode conferir esse texto do site do MRE clicando aqui.
  • Para ver mais fotos oficiais, feitas pelo próprio Ministério das Relações Exteriores, você pode acessar o Flickr do MRE.

Faltou alguma informação interessante? Tem algum dado curioso que não foi mencionado ou foi tratado de forma imprecisa no post? Reporte ao Clipping! E se tiver curtido o post, por favor, deixe um comentário ou compartilhe com um amigo. O combustível do Blog do Clipping CACD, que é gratuito e sempre será, é o boca a boca de vocês. 


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