Os 4 tipos de provas de francês do concurso da diplomacia

  • Clipping
    03/04/2016 . 5 min de leitura

 Como é a prova de francês do concurso de diplomata? As provas de francês do concurso de diplomata (CACD) são antes de tudo instáveis, podendo variar o formato radicalmente de uma ano para outro. Essa instabilidade torna-se uma verdadeira pedra no sapato dos candidatos. É difícil se preparar para uma prova cujo formato você desconhece.

Ok, Clipping, mas vale a pena focar em dissertações, em questões de múltiplas escolhas?

É uma pergunta frequente que tem sido feita ao Clipping. Falando pragmaticamente o que vale a pena é entender os 4 tipos de provas de francês adotados pelo Cespe nos últimos anos. E ninguém melhor para falar disso do que a Professora Mariana Lima no texto abaixo.

Ah, 2 lembretes rápidos antes de entrar no assunto>

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Os 4 tipos de provas de Francês do concurso de admissão à Carreira Diplomática – CACD

*por Mariana Lima

 

Para planejar os estudos de francês para o CACD, nada melhor do que entender a evolução da prova ao longo dos últimos dez anos. Vamos conhecer mais detalhadamente a prova que vocês querem prestar?

 

#1. A prova objetiva de francês para o concurso de diplomata – CACD

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Como era: Vários textos de referência para 25 questões objetivas, cada uma com quatro itens do tipo CERTO ou ERRADO. 

Quando ocorreu: Concurso de 2015 e 2014

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Este é o modelo de prova mais rápido, fácil e barato de se corrigir, vantagem inestimável para a banca organizadora. 

A partir da publicação do edital do CACD de 2014, muita gente boa achou que a prova ia ficar mais fácil. Mas as estatísticas do DataLascala provam que não: como de costume, apenas os candidatos mais competitivos tiveram alto desempenho em francês e espanhol em 2015 e 2014. Confiram a imagem que vale mais que mil palavras (post na íntegra):

cacd-itamaraty-diplomata

 

Isso acontece porque, nas provas do CACD, os conhecimentos avaliados costumam exceder o nível de dificuldade dos conteúdos de cursos convencionais de francês como língua estrangeira (FLE), devido à importância dos idiomas como ferramentas de trabalho da carreira diplomática.

Na minha opinião, a prova objetiva é menos excludente, pois avalia as competências que levam menos tempo para ser adquiridas pelo falante não nativo: leitura, compreensão de textos e conhecimento das regras gramaticais. Mas isso não torna a prova mais fácil. Os textos históricos, filosóficos, literários e acadêmicos, além dos tradicionais artigos da imprensa francesa que predominaram no CACD até 2012, exigem desenvoltura, rapidez e profundidade na compreensão e interpretação textual. Aliás, devido às características dos textos, as questões de gramática e vocabulário também se tornaram mais complexas, muito além do que se estuda em cursos focados na comunicação informal em francês corrente.

 

#2. A prova discursiva de francês para o concurso da diplomacia – CACD

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Como era: Um ou dois textos de referência para dez questões discursivas de cinco linhas cada.  

Quando ocorreu: Concursos de  2009 a 2013

cacd-itamaraty-diplomata

Nessa época, a prova de francês do CACD adquiriu feição própria, pois deixou de usar modelos de outros testes como referência.

Na prova discursiva, a principal vantagem é ter controle total sobre a formulação da resposta. Você tem liberdade para deixar de lado aquele ponto de gramática que você não domina direito, aquele verbo difícil de conjugar…, contudo, mesmo os candidatos mais preparados correm o risco de perder pontos devido a erros de ortografia, concordância ou uso de maiúsculas, dificuldades comuns até entre falantes nativos.

 

#3. A prova mista de francês para o concurso da diplomacia – CACD

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Como era: Cinco a seis questões discursivas e cinco questões objetivas (de equivalência e de múltipla escolha).

Quando ocorreu: Concursos de 2005 a 2008

3

 

Pouca gente lembra disso, mas as questões objetivas já fizeram parte desse formato mais antigo da prova. Nessa época, a quarta fase do CACD era nitidamente inspirada das provas convencionais de proficiência em língua francesa, um misto das seções “Compréhension des écrits “   e ” Production écrite “do DALF ou DELF.

 

#4. A prova de francês instrumental para o concurso da diplomacia – CACD

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Como era: Textos de referência para perguntas de compreensão de leitura; respostas completas (verbo, predicado, complemento) dadas em português.

Quando ocorreu: Concursos de 2003 a 2004

cacd-itamaraty-diplomata

 

Quando o CACD passou a ser organizado pela banca CESPE, experimentou-se a prova de idioma instrumental, ou seja, com foco na compreensão da leitura por indivíduo não falante, baseada em estratégias facilitadoras. Esse tipo de avaliação, característico das seleções de mestrado e doutorado, não tem relevância para o CACD e foi rapidamente abandonado pela banca examinadora.

 

#5. Concluindo

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Invistam na preparação para questões objetivas, mas não custa nada revisar, de vez em quando, as páginas 189 a 220 do Manual do Candidato (FUNAG, 2012), para maior segurança.

Não é possível prever mudanças específicas como a volta da prova discursiva, mas é certo que tanto os critérios de avaliação quanto o modelo de prova têm sido renovados periodicamente. Essas alterações não são, contudo, aleatórias; certos temas, técnicas de elaboração de enunciados, tópicos de gramática específicos ou mesmo palavras (rayonnement, donne, enjeux…) são recorrentes ao longo dos últimos dez anos.  É possível, portanto, conciliar preparação eficiente e serenidade diante da alta probabilidade de mudanças com base no conhecimento da evolução da prova de francês do CACD.

Bonne étude à tous, 

Mariana Lima

 

diplomata-cacdMariana Lima é especializada na preparação para o CACD. Após cursar o ensino médio no CES Villeneuve de Grenoble, começou a lecionar francês ainda aos 15 quinze anos de idade na Alliance Française. É graduada em Francês pela Université de Nancy II , concluiu mestrado pela New School, em Nova York, e doutorado pela Catholic University of America, em Washington/DC. Tem vasta experiência em tradução literária e técnica. Atuou como tradutora e consultora de idiomas no Brasil e no exterior, em instituições como o National Health Institute, Petrobras, BNDES, Banco do Brasil e Vale.

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