Como ganhar pontos nos recursos?

  • Clipping
    21/07/2015 . 22 min de leitura

Atenção amigos do Clipping que fizeram o concurso da ABIN, o post abaixo este post é o 2º post mais lido da História do Blog e por meio dele você compreenderá como recorrer contra a banca para aumentar a sua nota. É preciso entender que recorrer contra o CESPE requer planejamento estratégico e domínio de alguns macetes que farão a diferença na análise dos recursos para a banca. O conteúdo aqui foi construído pensando em candidatos ao Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), mas pode ser usado com muita eficiência para candidatos a qualquer concurso público.

Esse post é divido em 2 partes: 

Independente de qual é o seu intuito, aconselhamos fortemente uma leitura na integra!

Antes de iniciar a leitura desse post, aconselhamos também que você confira as notas ideais a serem atingidas pelos candidatos e as discussões das questões do CACD 2017 no projeto Depois da Prova

*Disclaimer: Todos os espelhos utilizados neste post tiveram o uso expressamente autorizado pelos candidatos que gentilmente os cederam. 

 

 

1. Como saber se vale a pena recorrer?

Na prova objetva, é possível que apenas cerca de 10% dos candidatos inscritos no CACD cheguem a recorrer ao CESPE. Grande parte dos candidatos entrega-se sem lutar após constatar que ficou naquela zona cinzenta, ligeiramente  abaixo da nota de corte estimada, o chamado "limbo". 

Vale a pena recorrer contra a banca?

É claro que vale!  

O nível de preparação dos candidatos ao Concurso e Admissão à Carreira Diplomática (CACD) e em concursos em geral chegou a um ponto em que é cada vez mais difícil a banca dar um gabarito sem que o candidato consiga levantar bibliografias que contradigam a banca. Resultado: a cada ano cresce o número de alterações de gabarito concedidas pelo CESPE.

Quando vale a pena recorrer no CACD?

Sempre!

Ah mas eu não vou recorrer nessa questão aqui. Eu admito que errei e não vou advogar causas em que não acredito.

O Clipping aprecia seu desprendimento e seu espírito esportivo. Seria incrível se todos candidatos pensassem assim como você. Mas infelizmente não é assim que as coisas funcionam no fantástico mundo do CACD.

Você pode não recorrer contra um gabarito que você errou. Mas seu concorrente vai fazer de tudo para reverter o gabarito daquela questão que ele errou de bobeira e que você, com todo o mérito, acertou. Se ele conseguir (e, acredite, não raro ele consegue) você terá errado agora 2 questões e não somente 1. 

Muitas vezes para ficar com a mesma nota na prova objetiva, você precisa, sim,  recorrer, pois várias questões que você acertou serão anuladas ou, pior, terão o gabarito alterado.

Aceite: recorrer faz, sim, parte das regras do jogo! Não se sinta culpado por recorrer. E também não se sinta ressentido com o concorrente que conseguiu anular aquela questão com um argumento extremamente picuínha. 

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Afinal, o concorrente "recurseiro" não é o vilão da história. Ele só está tentando, assim como você, sobreviver ao  TPS, que, como sabemos, não é lá a fase mais justa do processo seletivo.

 

2. Como recorrer em questões objetivas?

Recorrer no CACD é a "arte do possível".

O prazo dado pelo Edital do CACD é curto: você tem 2 dias úteis para recorrer de uma prova que tem 73 questões, com 4 itens cada. Isso soma nada menos do que 292 itens. Então, seja pragmático. Foque em apenas algumas questões. Mais vale fazer 5 recursos bem fundamentados do que fazer 10 recursos medíocres. 

Por agora, chamamos atenção para essas 3 palavrinhas mágicas que você deve ter em mente enquanto faz seu recurso.

  • Clareza
  • Consistência
  • Objetividade

Não é o Clipping que inventou essas palavrinhas mágicas, mas o próprio Cespe/Unb. Veja o que está dizendo o Edital do CACD:

8.4.  O candidato deverá ser claro, consistente e objetivo na elaboração de seu recurso. Serão preliminarmente indeferidos recursos extemporâneos, inconsistentes e/ou fora de qualquer uma das especificações estabelecidas neste edital.  

Vamos ver em detalhes agora cada uma dessas palavrinhas mágicas

 

3. Como fazer um recurso objetivo?

O maior erro dos "recurseiros" é falta objetividade.

Por mais diligente que seja a banca, não vamos fingir que ela terá toda a paciência do mundo para ler seu recurso, ok?! 

Imagine o ânimo do avaliador com o fato de que terá que enfrentar milhares de recursos começando todos com chavões e rodeios do tipo: "Respeitosamente, venho por meio deste…".

Evite isso. Seja extremamente direto e certeiro. Dispense afagos e entre chutando a porta

 

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Você tem uma chance só para convencer a banca de que você tem um bom motivo que justifique a alteração do gabarito. Portanto, vá direto a ele.

Há outra razão pela qual você deve ser objetivo: Você tem um espaço limitado de cerca de 1500 caracteres para usar. Use esse espaço com conteúdo de qualidade, use-o com argumentos, não gaste caracteres tentando massagear o ego da banca. Isso raramente funciona ao se recorrer na prova objetiva, embora, em alguns casos, possa funcionar nos recursos para provas discursivas. (veremos sobre recursos para a banca da prova discursiva logo mais)

Atenção: não confunda ser objetivo com ser desrespeitoso, ok?! Falando em desrespeito, nunca é demais lembrar para quem não leu o Edital do CACD:

9.10. Recursos cujo teor desrespeite a Banca serão preliminarmente indeferidos

Confira aqui a anatomia de um recurso objetivo>>>

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Atenção: Não copie a estrutura desse recurso. Milhares de CACDista podem ter a mesma ideia e banca tende a desconsiderar recursos parecidos ou identicos.

Vamos agora dissecar esse recurso? 

>Na introdução: O candidato vai direto ao ponto dizendo que:  "Há 2 erros cronológicos na questão". É uma forma poderosa de se abrir o recurso. Em uma só frase, o candidato deixa claro que vai apresentar "2 erros cronológicos". Isso facilita para a banca visualizar o que será tratado no recurso.

>>No desenvolvimento: O candidto explica cada erro, um parágrafo para cada: "1- (…) 2-(…)". Busque dar espaçamento entre um parágrafo e outro, é extremamente difícil para a banca seguir é um fluxo contínuo de informações, sobretudo quando se tem centenas de recursos para analisar.

>>>No fechamento: o candidato diz o que quer da banca de forma bem clara. Ele está a pedir não a anulação do gabarito, mas a reversão do gabarito. Veja: "Pede-se, portanto, respeitosamente, a mudança de gabarito de C para E". 

Atenção: não adianta fazer uma mega argumentação e na hora H não deixar claro o que você quer. Anulação da questao é uma coisa, reversão do gabarito é outra. Portanto, deixe claro o que você quer da banca.

 

4. Como fazer um recurso consistente?

Um recurso consistente é um recurso bem fundamentado. Não basta dizer à banca que você discorda do gabarito. Desculpe a franqueza: a Banca não se importa com o que você tem a dizer, mas sim com o que autoridades no assunto tem a dizer. 

O trabalho de quem faz um recurso é, sobretudo, um trabalho de investigação. É preciso estar disposto a revirar livros, sites, dados oficiais, etc em busca de referências que contradigam o gabarito da banca.  

Como você pode ver, fazer um bom recurso dá, sim, uma trabalheira e você precisa de uma gama variada de material às mãos. Portanto, é altamente recomendável que, caso tenha oportunidade, tire o dia para fazer esses recursos em uma boa biblioteca. O melhor ambiente para se fazer um bom recurso é uma boa biblioteca com um bom sinal de wi-fi. 

Acredite: ter acesso rápido e fácil a material variado faz toda a difereça.

Vejamos o resultado de um bom trabalho de pesquisa>>>

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Atencao: Nao copie a estrutura desse recurso. Milhares de CACDista podem ter a mesma ideia e banca tende a desconsiderar recursos parecidos ou identicos.

É importante perceber que além do aspecto quantitativo das referências (quanto mais diversificadas melhor) o candidato deve estar atento ao aspecto qualitativo (quanto mais quente é a fonte melhor) . 

Há nada menos do que 5 referências para refutar a banca no exemplo acima.

Fica a lição: muito melhor do que ficar girando em torno da mesma referência bibliográfica, é buscar diversificar as fontes.

Veja também que, em se tratando de recursos, há uma hierarquia entre as fontes.

Há basicamente 3 tipo de fontes:

1) Fontes oficiais: São as fontes de hierarquia superior. O IBGE e o Itamaraty, fontes citadas pelo candidato no exemplo acima são exemplos de "fontes oficiais". Dificilmente o Cespe mantém um gabarito que esteja em desacordo com dados oficiais, sobretudo se esses dados são do Itamaraty. Afinal, estamos falando de CACD – um processo seletivo para a carreira diplomática. O CESPE tem uma preocupação grande em não publicar gabaritos que possam gerar uma situação política delicada para o Itamaraty. Para quem não lembra, no TPS 2013, uma matéria da  Folha sobre o gabarito divulgado pelo Cespe contribuiu, em grande medida, para a questão fosse anulada pelo CESPE antes mesmo de esgotado o prazo para apresentação de recursos. Leia a matéia aqui.

2) Questões do Cespe: Apesar de serem difíceis de se usar em recursos, questões anteriores do Cespe/Unb – a chamada "jurisprudência cespeana" – também pode ser invocada nos recursos, sobretudo em questões de Direito. É um recurso poderosíssimo!

3) Livros/artigos: Em se tratando de livros/artigos, a credibilidade da fonte depende em grande medida da credibilidade do autor. Você pode invocar que a fonte na qual você está se baseando fez parte da Bibliografia sugerida em anos anteriores ou mesmo que foi usada pelo próprio Cespe como trecho motivador de uma prova anterior. Mas veja que a banca não se "vincula" à bibliografia oficial. Na dúvida se uma fonte é quente ou não para ser invocada no recurso, consulte os professores. 

 

5. Como fazer um recurso claro?

Um recurso claro é um recurso fácil de entender.

4 coisas a se evitar na elaboração do recurso:

  • Frases longas e complexas (o risco da banca perder o fio da meada é grande)
  • Inversão de termos na oração (compromete a fluidez das ideias)
  • Voz passiva (deixa a leitura truncada)
  • Advérbios e adjetivos (acrescentam pouco e te fazem perder caracteres preciosos)

Os adjetivos passam, os substantivos ficam. (Machado de Assis, CACD 2012)

Nada de bancar o erudito, nada de prolixidade. Recurso bom é recurso simples.

Ernest Hemingway expunha ideias extremamente profundas com uma linguagem extremamente clara. Resultado: ganhou um Nobel. Você não vai ganhar um Nobel escrevendo um recurso para o CESPE, mas pode ganhar aquele ponto que falta para ficar acima do corte!

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6. Recursos por erro de língua portuguesa (tipográfico)

Para o Cespe, existem 3 categorias de recursos e, antes de começar a escrever seu recurso,  o site do Cespe pede que você classifique seu recurso nas categorias:

  • Recursos por discordância do gabarito
  • Recursos por erro de língua portuguesa:
  • Recuso por não constar a matéria no Edital 

Grande parte dos recursos são recursos por discordância de gabarito. É o tipo de recurso padrão em que você acusa que há um erro material no gabarito do Cespe e, portanto, você pode pedir ou a anulação ou a reversão do gabarito.

Nos recursos por erro de língua portuguesa, o que você ataca não é um erro material no gabarito, mas um erro formal na prova (falha na impressão da prova, erros de ortografia, pontuações e termos que geram ambiguidade, etc). 

Muitas vezes, o erro de língua portuguesa em questão é algo mínimo que não chega a prejudicar a compreensão do enunciado. Ainda assim, constatado esse erro, por mínimo que ele seja, a anulação é altamente provável.

Os recursos por erro de língua portuguesa funcionam muito bem, mas só quando realmente há erros formais. Não são poucos os candidatos que costumam forçar a barra para apontar erros formais onde não há.

Veja>>>

 

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Atencao: Nao copie a estrutura desse recurso. Milhares de CACDista podem ter a mesma ideia e banca tende a desconsiderar recursos parecidos ou identicos.

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Por favor, não perca seu tempo nem faça a banca perder o tempo dela com recursos como esse aí acima. Isso é justamente o tipo de coisa que não cola. 

 

7. Recurso por extrapolação do Edital

Ah, o CACD cobra TUDO! Qualquer coisa pode cair na prova e você tem que estar preparado para o que der e vier. Certo?!

Não, não é bem assim. Existe esse mito de que para a banca "vale tudo", ou seja, ela pode cobrar qualquer coisa. Não é verdade! Caso a matéria cobrada não conste no Edital há margens para pedir anulação da questão. 

Ah, mas a banca não defere esse tipo de coisa, né?!

Outro mito. Defere sim, vejamos uma questão anulada por não constar no Edital a matéria (Contas Externas Integradas):

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A justificativa do Cespe foi a seguinte:

O assunto cobrado no item extrapola os objetos de avaliação estabelecidos no edital de abertura do concurso. Por esse motivo, opta‐se por sua anulação.

Atenção, portanto que além de discordância de gabarito, são motivos de anulação de questõe do TPS:

  • Erro de lígua portuguesa
  • Extrapolação de Edital

Certifique-se que o tema cobrado realmente se encaixa, ainda de que maneira frouxa, em um dos tópicos do Edital.

 

8. Recorrendo em questões discursivas

Recorrer para a banca de 3ª fase é bem diferente do que recorrer para a banca de TPS.

Embora as 3 palavrinhas mágicas clareza, consistência e objetividade sirvam também para os recursos direcionados à banca de 3ª fase, há diferenças significativas. 

No TPS você recorre para anular ou reverter um gabarito enquanto na 3ª fase você recorre solicatando uma majoração da nota. No TPS você está adstrito a cerca de 1500 caracteres enquanto na 3ª fase você tem cerca de 2500 caracteres. Se no recurso do TPS seu trabalho é apenas o de levantar bibliografias que contradigam a banca, na 3ª fase a dinâmica é outra! 

O que eu devo fazer no recurso para a terceira fase, então?

 

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Calma, vamos por partes.. 

A primeira coisa a se fazer é descobrir: o que a banca queria como resposta?

Você pode descobrir isso de 2 formas:

Comparando seu espelho com o de colegas que fecharam ou chegaram perto de fechar a questão: É muito comum o compartilhamento de espelhos entre candidatos. Entre na brincadeira. Não sinta receio de perguntar ao colega: "quer trocar espelho?". Alguns sugerirão que não tem muito interesse. Mas a maioria topará. Além de ser uma experiência pedagógica bastante enriquecedora, comparar espelhos te dará uma boa noção do que faltou na sua resposta.

Pendindo opinião dos professores: Os professores costumam elaborar "respostas modelo", contendo os argumentos que deveriam ter sido levantados na questão. Além disso, muitos professores, gentilmente, se colocam à disposição para ler sua resposta e até te ajudar a fazer seu recurso. O problema é que o assédio aos professores é muito grande nesse período de provas. Você, assim como 224 outros candidatos, estarão buscando uma disputada opinião desses mestres. Portanto, não espere falar com um professor para começar a trabalhar no seu recurso. O ideal é que você chegue até eles com seu espelho e um esboço do recurso. Assim, eles podem fazer sugestões pontuais, o que acaba sendo mais efetivo. 

Vale a pena conferir o que os professores do Clio já disseram sobre a prova na nossa cobertura ao vivo do CACD 2015:

  • Comentários à prova de Inglês do CACD 2015? Veja aqui
  • Comentários à prova de História do Brasil do CACD 2015, com  Prof. João Daniel, do Clio? Veja aqui.
  • Comentários à prova de PI e de GEO, com o Prof. Tanguy e João Felipe, do Clio? Veja aqui
  • Comentários à prova de prova ECO, com o Prof. Daniel Sousa, do Clio?  Veja aqui
  • Comentários à prova de DIP, com  Prof. Bystronski e Macau, do Clio? Veja aqui

 

9. Descobri o que faltou na minha resposta ! E agora?

Percebeu que existe um hiato entre o que você disse e o que deveria ter dito.

Seu trabalho no recurso de 3ª fase será, em grande medida, reduzir esse hiato aos olhos da banca.

A grande arte de se recorrar para a 3ª fase é sugerir no seu recurso, de forma sutil , que aquilo que está explícito na sua resposta é a forma que você encontrou de expresar aquilo que a banca gostaria de ter ouvido. 

De forma geral, a estrutura de um bom recurso para a 3ª fase é esta:

"Eu disse X, demonstrando então que Y"

  • X é o que você escreveu e está explícito na sua resposta.
  • Y é o que a banca gostaria de ter ouvido e está implícito na sua resposta.

Perceba que há a dimensão real X (o que está explícito na resposta) e a dimensão ideal Y (o que deveria estar explícito, mas está implítico). Grosso modo, a matemática é a seguinte: cada X deve corresponder a um Y.

Se você focar apenas no X, no que você já disse na resposta, pode acabar recebendo uma resposta com esta:

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Por outro lado, não funciona você focar apenas no que que deveria ter dito e não disse. Afinal, a banca realmente lê uma segunda vez sua prova e vai perceber que você só está querendo dar uma de espertinho. Por favor, não faça isso. Isso é desonestidade e nem a banca nem o Clippping não endossa esse tipo de coisa.

Você precisa trabalhar no sentido de convencer a banca de que o que ela procura está escrito nas "nas entrelinhas". E, acredite, é extremamente provável que de uma forma ou outra esteja mesmo.

Existe uma tese, um tanto quanto polêmica, de que o que conta na 3ª fase é muito mais a forma do que o conteúdo. De acordo com essa tese, os alunos chegam na 3ª fase, em termos de conteúdo, praticamente nivelados: todo mundo diz praticamente a mesma coisa nas respostas, mas de forma diferente. Uns tem maior capacidade de sintetizar as ideias que a banca quer ouvir de forma mais ordenada e clara. Esses são os que levam as maiores notas de acordo com essa tese.

Dessa forma, o recurso é uma oportunidade que você tem de "reordenar" e tornar mais claras suas ideias aos ollhos da banca. É uma segunda chance para você organizar melhor suas ideias e tornar explício o que está implícito. É assim que você deve ver um recurso para a 3ª fase: uma segunda chance de colocar as coisas no lugar: capriche, portanto, na organização das ideias. 

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10. Que referências bibliográficas devo usar nos recursos para questões discursivas?

Em se tratando da banca de 3ª fase, várias referêcias que você usaria para recorrer no TPS não caem muito bem.

Bóris Fausto e Amado Cervo por exemplo, não vão seduzir a banca. Não que não sejam obras incríveis e merecedoras de todo nosso respeito e admiração. Mas, quando o assunto é recorrer na 3ª etapa, são vistas como obras muito "gerais", . 

Em se tratando de recursos de 3ª fase,  quanto mais específica a referência invocada melhor.

Por exemplo, você está respondendo uma questão sobre a PEB africanista, demonstre que seus argumentos estão alinhados com os do Sombra Saraiva, que é alguém altamente especializado sobre esse tema em específico.

Use e abuse de livros e artigos cientíicos, sobretudo aqueles que constam como referências bibliográficas em que se basearam os membros da banca para escreverem suas obras. Lembrando sempre que, de modo geral: quanto mais especializada e mais aprofundada for a referência melhor.

Veja como não o candidato abaixo utilizou fontes bastante específicas 

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Atencao: Nao copie a estrutura desse recurso. Milhares de CACDista podem ter a mesma ideia e banca tende a desconsiderar recursos parecidos ou identicos.

Lembre-se, como o candidato acima lembrou, que é altamente indicado mencionar obras da própria banca. 

 

11. Devo ser impessoal no meu recursos?

Há candidatos que escrevem em 3ª pessoa, há candidatos que escrevem em 1ª pessoa.

Não tem muita regra quanto a isso.

A questão de escrever em 1ª pessoa é que você pode dar um toque mais "personalizado" ao seu recurso e fazer seu recurso se destacar na multidão. Pode ser que dê certo, pode ser que não. Poucos candidatos arriscam colocar um pouco de colorido e dramaticidade no recurso. Afinal, é uma estratégia arriscada. 

No caso abaixo, o candidato em questão pediu 1 ponto e levou nada menos do que 10 pontos com um recurso extremamente bem fundamentado organizado, mas para lá de heterodoxo. Vejamos:

 

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Atencao: Nao copie a estrutura desse recurso. Milhares de CACDista podem ter a mesma ideia e banca tende a desconsiderar recursos parecidos ou identicos.

Esse recurso não foi esse sucesso todo devido à approach pessoal do candidato. Não devemos superestimar a importância do toque pessoal nos recursos.

Trata-se de um exemplo bastante curioso, pois justamente um dos recursos que mais levou pontos na história do CACD contradiz duas coisas que dissemos acima. Esse recurso não traz muitas referências bibliográficas. Ademais, esse recurso não faz aquilo de se basear na "resposta ideal". Veja que no tópico 5, o candidato responde Haushoffer, onde deveria, a julgar pelo GNU, ter respondido Mackinder

Por quê deu certo então e o candidato conseguiu majorar 10 pontos em sua nota? Simples. Como se pode aduzir pelos argumentos, a resposta do candidato foi razoavelmente completa e a nota inicial supostamente não estava condizente com a resposta. Ou seja: possivelmente o mérito do candidato não está no recurso, mas na própria resposta. 

Além disso, trata-se de um recurso que atendeu às 3 palavrinhas mágicas que vimos acima. Trata-se de de recurso claroconsistente objetivo. Ademais, o candidato apresentou-se de forma criativa para uma banca que valoriza certo grau de criatividade.

Fica portanto a mensagem. Impessoal ou pessoal: tanto faz, você decide. O que importa é a consistência das ideias apresentadas no recuso e, lógico, a consistência das ideias que voce apresentou na prova.

 

12. Enviando sugestões ao Cespe/Unb

No calor do momento, os candidatos estão 100% focados no resultado de curto prazo: pegar os pontos que poderão garantir suas vagas. Ok, nada mais normal. O problema é que, no embalo daquilo que muitos CACDisas chamam "furor recursal",  muitos candidatos perdem a oportunidade de utilizar um poderoso canal de diálogo com o Cespe/Unb.

Além de recursos a plataforma do Cespe/Unb disponibiliza, no período de recursos, um campo específico para fazer sugestões/críticas sobre o processo seletivo. 

"Ah, isso é para inglês ver. Não adianta de nada".

Não é bem assim…. Pode-se criticar o Cespe de muitas coisas, mas fato é que a instituição tem-se relevado cada vez mais propensa a ouvir. 

No CACD 2013, por exemplo, houve mobilização muito grande dos candidatos com relação a forma como a banca  procedia à correção da prova de 4ª fase, sobretudo Espanhol. Em que notas várias 0 eram atribuídas sem qualquer tipo de marcações no espelho.

Já no CACD 2014, as provas de Línguas de 4ª fase deixaram de ser abertas e passaram a ser objetivas. Esse mesmo formato foi adotado no CACD 2015. Não é possível apurar se essa mudança foi causada pela série de reclamações enviadas ao Cespe na ocasião.

O certo é que existe, sim,  um canal específico para encaminhar críticas ao Cespe. E, cada vez mais, os candidatos fazem uso dele.

 

13. Recebendo as respostas dos recursos da 3ª fase

Esse é último tópico do post é um ponto muito importante. Você receberá a resposta dos concursos que endereçou à 3ª fase. É um momento muito delicado. Os nervos estão à flor da pele. Você trabalhou pesado na confecção dos recursos. Você está esperando que venham aqueles pontinhos que podem te valer a vaga. Enfim, você está cheio de esperanças e angústias!

Muita calma nessa hora…

Pode acontecer que esses pontinhos não venham e você precisa estar preparado para lidar com isso… 

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Poucas respostas aos recursos são fundamentadas e motivadas. São poucos os membros da banca que realmente estão dispostos a dilogar com o candidato, explicando o que faltou na resposta e porque sua nota não deve ser majorada.

Veja um exemplo de indeferimento motivado de recurso:

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A maioria das respostas aos recursos é aquela resposta padrão.

Ou seja: todos os candidatos independente do grau de complexidade e sofisticação do recurso por eles apresentado terão respostas bem parecidas. Algo parecido com isso:

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Sim, é extremamente frustrante, mas não há nada o que fazer. Afinal, como reza o Edital: 

"9.9 Em nenhuma hipótese serão aceitos pedidos de revisão de recurso ou recurso contra o gabarito oficial definitivo."

Saber porque lhe foi atribuída aquela nota e não outra na questão aberta é, sem dúvidas, mais condizente com o princípio da transparêcia. Isso ninguém questiona. No entanto, as respostas padrões aos recursos já eram uma realidade na época em que a banca tinha que corrigir 300 questões de 3ª fase e isso não mudou no ano passado, quando o número de questões a serem corrigidas pela banca caiu para 100 questões. Infelizmente, é altamente provável que, no CACD 2015, os CACDistas continuem recebendo respostas padrões. 

A notícia boa é o projeto de Lei de Concursos Públicos já passou pelo Senado e está tramitando na Câmara. Se tudo der certo ela trará uma mudança signficativa no que se refere aos recursos:

 Art. 24.  As repostas aos recursos dos candidatos:

I – não poderão ser padronizadas;

II – deverão conter justificativa clara e objetiva da razão para serem negados ou acolhidos

Até lá, o melhor a fazer é receber na esportiva um inderimento com uma resposta padrão.

Não leve para o lado pessoal, lembre-se que centenas de candidato estão na mesma situação que você, se sentindo injustiçados?.

E quantos não se sentiram injustiçados antes de você? Desde que dos tempos em que o CACD era chamado vestibular existia, sim, essa coisa toda de recorrer, pegar no pé da banca etc. Isso quem está dizendo não é o Clipping. Para quem duvida, fica o depoimento de Embaixador João Clemente Baena Soares em "Sem medo da diplomacia":

Fizemos o vestibular [CACD] em 1951, no calor de Dezembro no Rio de Janeiro. Todo mundo de paletó e gravata na bibioteca do Itamaraty, sem ar-condicionado, ventiladores enormes fazendo um grande ruído. (…) Vou contar um episódio para mostrar o rigor do exame: a última prova escrita, eliminatória, era de Direito e o examinador era San Tiago Dantas. Um de nossos colegas foi eliminado e fomos juntos ao San Tiago, pedir a ele para rever a nota. Ele concordou: "tudo bem, tragam a prova". Passou uma meia hora olhando e disse: "mantenho a nota". Saímos na maior decepção.

 

Recorrer é tradição!  Não é menos verdade que aceitar na esportiva a resposta negativa do recurso é, também, tradição. O Clipping espera que com essas dicas, você tenha uma sorte melhor que a do candidato acima. No entanto, em se tratando e recursos, #ficaadica:

Espere o melhor, mas prepare-se para o pior>>>

 

 

Ficou alguma dúvida? Quer conversar? Precisa desabafar? Deixe aí um comentário que o Clipping responde>>> 

 

 

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