Prova discursiva: Como é a segunda fase do concurso de diplomata (CACD)?

  • Clipping
    19/08/2015 . 25 min de leitura
segunda etapa cacd

CACD 2017 já está aí: 1ª etapa (TPS) já é passado, agora é a 2ª fase do CACD que bate às portas. E também batem às portas do Clipping muitos email e inbox pedindo uma e outra dica para a 2ª fase.

“Ah, é claro que o Clipping ia escrever um post sobre a 2ª fase, certo?!”

Mais ou menos. O Clipping relutou muito sobre isso. Por quê? Por que a 2ª fase é de longe o tema mais polêmico do CACD. No entanto, por isso mesmo merece um post à parte!

Vamos falar um pouco mais sobre a 2ª fase do CACD?

Antes fica o convite para  para você assinar o Clipping aqui pelo link:

concurso publico diplomata

Dividimos o conteúdo assim:

1. Visã​o Geral da prova de segunda fase

2. Critérios macroestruturais

2.1 Apresentação / impressão geral do texto

2.2 Capacidade de argumentação

2.3 Capacidade de análise e reflexão

3. Critérios Microestruturais

4. A polêmica lista de palavras proibidas

5. Os dois paradigmas de preparação para a segunda fase

6. Ênfase em gramática x ênfase em argumentação

7. Que caminho escolher para se preparar para a segunda fase

8. O uso Clipping CACD na segunda fase

9. Idiossincrasias da banca

10. Redação dos Guias: devo me orientar por elas?

11. Professores e cursinhos para a segunda fase do CACD

12. Concluindo

Vamos por partes. Leia abaixo:

1. Visã​o Geral da prova de segunda fase do concurso de admissão à carreira de diplomata ( CACD )

Começando pelo básico, pelo óbvio, pelo que todo mundo já sabe ou deveria saber>>>  Resumindo as informações do Edital aqui

A prova de 2ª fase vale 100 pontos distribuídos da seguinte forma:

  • 1 redação sobre tema geral valendo 60 pontos com extensão de 600 a 650 palavras
  • 2 exercícios de interpretação, análise e comentário de textos valendo 20 pontos cada um e com extensão de 120 a 150 palavras

Clipping e se faltar ou sobrar palavras na minha redação/exercício?

Simples: para cada palavra sobrando ou faltando você é apenado em -0,20.

Vamos falar sério agora sobre os detalhes dos critérios de avaliação usados pela banca do Concurso de Diplomata (CACD)?

2. Critérios macroestruturais da prova de segunda fase do concurso de diplomata (CACD)

Então, o que são critérios macroestruturais?

São os critérios que avaliam a organização do texto e o desenvolvimento do tema. Em outras palavras são os critério referentes ao conteúdo, à argumentação.

Lembra que o Clipping disse acima que a redação vale 60 e cada exercício vale 20? Então, desses 60 pontos da redação, 30 vão para argumentação e dos 20 pontos dos exercícios, 10 vão para avaliar o conteúdo.

Por aí você já vê: 50% da prova é conteúdo e 50 % é gramática.  Mas e como fica a distribuição dessas 30 pontos de conteúdo?

Bem… Há 3 critérios macroestruturais com idêntico peso:

redação_cacd_discursiva_diplomata

Vamos a cada um deles?

2.1. Apresentação/Impressão geral do texto

Aqui é avaliado a parte formal do texto na prova de segunda fase: legibilidade, estilo e coerência.

Para quem ainda tem dúvida. Vamos deixar bem claro: capricho faz sim toda a diferença.

Ah, mas de que importa minha letra e minha organização, de que importa se seu rasuro ou não o texto?

Você já viu diplomata de barba mal feita? Unha suja? Sapato mal engraxado? Calça amarrotada ou esse tipo de coisa?

Tanto quanto o conteúdo, a forma tem uma importância fundamental para o Itamaraty. Nada mais justo do que avaliar pela organização do seu texto sua capacidade de externalizar uma forma à altura do conteúdo que é esperado de você tanto no CACD quanto na vida profissional futura.

redação_cacd_discursiva_diplomata

Nos Guias de estudo, como as redações estão todas digitadas, essa importância à forma como o texto está no papel não fica muito clara.  Mas que fique claro aqui e agora: 10 pontos são destinados para a apresentação do seu texto. Capriche, portanto, na apresentação.

2.2. Capacidade de argumentação

Avalia-se aqui sua capacidade de convencimento baseada no encadeamento lógico de argumentos bem fundamentados.

Por mais que se diga que não, é um critério altamente subjetivo.

O que é importante guardar é que a banca espera que você exponha uma tese e a defenda de maneira incisiva.

Prova de 2ª fase do CACD não é uma prova para se ficar “em cima do muro” ou naquilo de “equidistância pragmática” ou “ambiguidade construtiva”. Você deve deixar bem claro qual é sua tese e a defender com unhas e dentes. Sua conclusão deve exprimir uma posição forte, mas com elegância.

Seus argumentos devem ser fundamentos e logicamente encadeados. Deve haver uma progressão e fluidez conectando as ideias lançadas no texto. Organização e clareza das ideias conta muito aqui.

Ademais, é preciso escrever em uma linguagem extremamente clara e objetiva. Um dos aspectos avaliados na prova de 2ª fase do CACD é sua capacidade de síntese. Ou seja, sua capacidade de expor de forma concisa ideias complexas no curto espaço de 600-650 palavras.

Sim, 600-650 palavras é um espaço curto para expor uma ideia complexa. Dessa forma, manter a concisão na linguagem é fundamental. Se você está sentido que está “enchendo linguiça” na sua dissertação, há algo de errado. E a banca certamente achará isso também…

2.3. Capacidade de análise e reflexão

Avalia-se aqui sua capacidade de pensamento crítico e de inter-relacionar leituras prévias. Mas atenção: inter-relacionar leituras prévias não significa sair citando Deus e o mundo.

Aliás, muito cuidado com citações. Ao contrário do que muitos julgam, citações não costumam ser bem vistas pela banca, sobretudo se não se mostrarem pertinentes ao tema.

Além disso, foi-se o tempo em que citar conceitos clássicos do pensamento social brasileiro como os do Sérgio Buarque de Holanda, Raymundo Faoro, etc era cool.

Hoje em dia todo mundo sabe fazer faz isso. Acredite, isso dificilmente vai te render pontos de análise e reflexão.

Então, se for citar, fuja do óbvio. Mas o melhor mesmo é que você evite citar. A 2ª fase não é uma dissertação de mestrado em que tudo o que você disser precisa da chancela de um argumento de autoridade.

A capacidade de análise e reflexão que está sendo julgada na prova de 2ª fase do CACD é a sua e não a do autor que você está prestes a citar. Por mais que tudo o que sabemos vem de pensamentos de terceiros, você não precisa dar crédito a todo e qualquer autor mediantes citações na prova de 2ª fase do CACD. Embora seja mais do que justo dar crédito a ideias alheias mediante citações, há sempre o risco da banca de 2ª fase achar que você está se eximindo de emitir suas próprias ideias e se escondendo por trás de ideias alheias. Isso é péssimo!

A pior coisa que você pode fazer em termos de argumentação é uma dissertação que parece um retalho de citações. A 2ª fase do CACD é sobre emitir suas ideias e opiniões! De certa forma, a 2ª fase do CACD é sobre assumir riscos. Se a banca ficar com a impressão de que você está mais preocupado em repetir ideias alheias do que colocar as suas no papel, diga adeus a toda e qualquer chance de lograr alguns pontos a mais nos aspectos macroestruturais.

3. Critérios Microestruturais da prova de segunda fase do concurso de diplomata (CACD)

Critérios microestruturais é um outro nome para adequação à norma culta.

Se nos critérios macroestruturais a lógica é que você tem que ir para o ataque  para arrancar aqueles pontos das mãos da banca, com relação aos critérios microestruturais os pontos de gramática já estão todos na sua mão, quem vai se desdobrar para arrancar eles de você é a banca de 2ª fase do CACD. Em se tratando de gramática, portanto, o que você deve fazer é ficar na defesa.

Defenda-se bem, pois de parágrafo em parágrafo vão-se preciosos pontos. O nível de cobrança da banca com relação à gramática é irritantemente alto.

redação_cacd_discursiva_diplomata_3

A notícia boa é que na parte de gramática a banca de 2ª fase do CACD costuma ser bem receptiva a recursos (leia sobre como fazer recursos ao CESPE aqui).

Você já viu um espelho de 2ª fase do CACD?

diplomata_segunda_fase

Pelo espelho dá para ver aí quais são as marcações que a banca usa para te tirar pontos de gramática:

  • Concordância nominal ou verbal
  • Construção de período/ colocação de termos
  • Emprego de conectores
  • Emprego de modos e tempos verbais
  • Grafia/acentuação
  • Pontuação
  • Propriedade vocabular
  • Regência nominal ou verbal

Fique ligado!

O maior terror dos candidatos ao CACD é esse critério chamado “propriedade vocabular“. Ele avalia sua capacidade de usar as palavras certas em contextos certos. Há palavras que em alguns contextos não devem ser usadas pois ensejam penalizações. O exemplo mais clássico é o uso do através / por meio de:

diplomata_exemplo_prova_espelho

O porquê de poder usar “por meio de” e não “através” nesse contexto não vem ao caso.

O que o Clipping gostaria de ressaltar é que propriedade vocabular é o critério em que as idiossincrasias da banca se manifestam com mais força e é, portanto, o critério que mais penaliza o candidato do CACD que preferiu estudar por conta própria sem auxílio de professores especializados na 2 ª fase do CACD.

Decorre do critério de “propriedade vocabular” uma das maiores polêmicas entre professores e cursinhos preparatórios para a 2ª fase do CACD com relação à propriedade vocabular: a famigerada lista de palavras proibidas.

4. A polêmica lista de palavras proibidas no concurso de admissão à carreira de diplomata ( CACD )

Alguns professores, pragmaticamente, defendem que o aluno simplesmente deve evitar usar certas palavras que poderias em alguns casos gerar problemas de propriedade vocabular. Essa “proibição” deu origem à famosa lista de palavras proibidas que há um bom tempo circula entre os candidatos.

De acordo com essa lista, para facilitar a vida dos candidatos certas palavars deveriam ser evitadas e substituídas por outras na 2ª fase do CACD.

Só para ficar em alguns exemplos:

Palavra/expressão proibida Palavra/expressão substituta
utilizar fazer uso
no que tange no que concerne
cenário/ esfera âmbito / contexto
visão perspectiva/ concepção
perceber identificar

A lista de palavras proibidas é muuuuuuuuuito mais extensa do que a tabelinha acima sugere e cresce a cada ano junto com a polêmica em torno dela.

Outros professores e cursinhos, condenam o uso da lista de palavras proibidas na 2ª fase da CACD, sob o argumento de que esse suposto pragmatismo engessa o candidato, tornando difícil desenvolver ideias.

De acordo com os que condenam o uso da lista de palavras proibidas, o importante não é substituir automaticamente uma palavra por outra, mas compreender as relações semânticas para então se definir, caso a caso, se o uso está de acordo com as regras de propriedade vocabular ou não.

Essa disputa em torno da lista de palavras proibidas reflete, de certa forma, uma disputa em torno de 2 paradigmas distintos de preparação para a 2ª fase do CACD.

5. Os dois paradigmas de preparação para a segunda fase do concurso de admissão à carreira de diplomata ( CACD )

O Concurso da Diplomacia é rodeado de polêmicas. #Normal. Afinal, se há uma coisa difícil de encontrarmos é consenso entre professores quando o assunto é CACD. Em se tratando de preparação para a 2ª fase do CACD, pode-se dizer consendo é ainda mais difícil.

Há 2 paradigmas distintos de preparação para a 2ª fase: o paradigma “gramaticista” x paradigma “argumentista”. Gramaticista, argumentista: é possível que essas palavras não existam, mas o Clipping acabou se dando esse licença poética para explicar melhor esses 2 paradigmas.

Vamos deixar algumas coisas bem claro:

O Clipping não está aqui para fazer propaganda ou contra-propaganda de um ou de outro modelo. Acontece que em um post sobre a 2ª fase, não poderíamos deixar de fazer uma comparação entre esses 2 paradigmas. Por quê? Porque  eles apresentam os modelos mais consagrados de preparação para a  2ª fase e essa salutar rivalidade entre os modelos e seus defensores já é bem conhecida pelos candidatos ao CACD há um bom tempo.

Trocando em miúdos e em linhas gerais. O paradigma gramaticista privilegia a parte de gramática,o paradigma argumentista privilegia a parte de argumentação.

Por favor, o Clipping não está dizendo que o primeiro não dá atenção à argumentação e que o segundo não dá atenção à gramática. O Clipping está, sim, dizendo que há uma nítida ênfase de um e de outro por uma determinada face da avaliação.

De forma bem esquematizada, resumimos as principais diferenças entre os modelos.

Paradigma gramaticista Paradigma argumentista
ênfase em correção gramatical ênfase em argumentação
adoção da lista de palavras proibidas condenação da lista de palavras proibidas

Vamos ver em detalhes maior diferença entre os 2 paradigmas.

6. Ênfase em gramática x ênfase em argumentação

Dos 100 pontos atribuídos à prova de 2ª fase, 50% são referentes aos aspectos macroestuturais (argumentação) e 50% são referentes aos aspectos microestruturais gramática. Não é nem preciso dizer que um resultado na prova de 2ª fase ideal do CACD ideal é um resultado equilibrado, com boas notas de gramática e com boas notas de argumentação. Mas fato é que inevitavelmente os candidatos ao CACD  ou professores pendem ou para a gramática ou para a argumentação.

O argumento dos defensores do paradigma gramaticista é:

Dificilmente você conseguirá uma nota diferenciada nos critérios macroestruturais (argumentação). Por mais que se treine a argumentação, é complicado contar com notas boas nesse critério, pois é um critério altamente subjetivo. Por mais que você treine argumentação, na hora H a banca pode chegar e simplesmente não ir muito com a cara da sua tese e com a cara dos seus argumentos. Por outro lado, os critérios microestruturais são objetivos: ou seu texto está de acordo com a norma culta ou não está, independente da subjetividade da banca. Por esse motivo, a forma mais segura de assegurar uma boa nota é fazendo um redação impecável do ponto de vista da norma culta, já que fazendo sua parte na gramática, a banca não pode tirar pontos de você nesse quesito, ainda que não vá com a cara dos seus argumentos.

O argumentos dos defensores do paradigma argumentista é:

Quem foca muito em gramática acaba fazendo um texto padronizado, algo que a banca tem horror. Embora observância à norma culta seja importante, é preciso escrever sem se sentir engessado com uma preocupação exagerada com ortodoxias gramaticais e lista de palavras proibidas. Além disso, o que a banca espera do candidato é um texto original, algo “out of the box”. É  preciso ousar na tese e nos argumentos para diferenciar seu texto em relação aos demais. Essa é a única forma de ter uma nota que te garante uma vantagem sobre os concorrente. Embora seja, sim, importante observar as regras da norma culta, o que vai definir seu sucesso na 2ª fase, em grande medida, é a originalidade e sua capacidade de argumentação e reflexão na abordagem do texto.

Qual desses paradigmas está certo e qual desses está errado?

Não existe uma paradigma mais certo do que outro. São 2 perspectivas igualmente válidas. Entre os aprovados você encontra tanto partidários de um e de outro paradigma. A seu modo cada paradigma tem sua razão de ser.

Procede o argumento gramaticista de que é, sim, mais fácil garantir pontos em gramática do que em conteúdo. Por outro lado, procede o argumento argumentista de que a banca não gosta de ver redações padronizadas e de que baixa densidade argumentativa implica baixas notas.

Mas como saber qual é o mais adequado para você? Leia o próximo tópico…

7. Que caminho escolher para se preparar para a segunda fase do concurso de admissão à carreira de diplomata ( CACD )?

Que caminho escolher? Depende do lugar onde você se encontra e de onde pretende chegar.

espelhos_prova_discursiva_diplomata

É claro que se você está se preparando no longo prazo, o correto é desenvolver seu lado de gramática e seu lado de argumentação.

Para o curto prazono entanto, pragmatismo estilo Barão é fundamental.

Verdade seja dita. Há menos de um mês da prova, dificilmente você conseguirá lapidar a parte de argumentação o necessário para tirar uma nota diferenciada nos aspectos macroestruturais. Já leu o que diz o Guia de Estudos sobre a prova de 2ª fase do CACD? #ficaadica

Produto do complexo processo de domínio da língua escrita, no nível exigido pelo concurso, a redação deve revelar a maturidade intelectual do candidato. Este deverá demonstrar pensamento crítico, proveniente da capacidade de incorporar e inter-relacionar leituras prévias, sem afastar-se do tema proposto. (…) A aplicação de fórmulas prontas, fruto de adestramento precário e simplista, é enfaticamente desaconselhada e será penalizada.

O Clipping negritou tudo aquilo que realmente não dá para atingir no curto prazo: maturidade intelectual, pensamento crítico, capacidade de inter-relacionar leituras prévias.

A essa altura muitos candidatos devem estar com o mesmo dilema:

Poxa. E agora? Passei no TPS, mas não tem a mínima chance de eu conseguir fazer na 2ª etapa uma redação do nível de Guia de Estudos!

A boa notícia é que, ao contrário do que muitos pensam, as redações do Guia não são exatamente um padrão a se seguir na 2ª fase. Não se apavore, portanto, se você sente não estar no nível do Guia  (Por quê? Calma que falaremos sobre isso nos próximos tópicos).

Mas a essa altura do campeonato uma coisa é certa: se você é um candidato que está indo mal na parte de gramática, dá para você pegar alguns pontos com o treino no curto prazo. Dificilmente podemos dizer o mesmo com relação à parte de conteúdo.

Fica a lição do Prof. Maurício Costa, já entrevistado pelo Clipping (leia a íntegra da entrevista aqui)

Não é mais suficiente alcançar a nota mínima ou ficar na média geral. Como menos de 80% de média, as chances de aprovação são muito reduzidas. Para fazer uma média tão alta, é preciso destacar-se. Para destacar-se, suas respostas precisam ir além do adestramento, que é basicamente o mesmo para todos os candidatos. Para ir além do adestramento, precisa-se de densidade de conhecimento

O que fazer então no curto prazo?

  • Ah, não estou seguro com minha gramática!

#páratudo. Foque todos os seus esforços em fazer uma redação 100% correta gramaticalmente. Isso pode te garantir uma nota digna, mesmo com suas limitações na parte de conteúdo. Mas fique ciente do que disse o Prof. Maurício Costa: menos do que 80% reduz significativamente suas chances de aprovação.

  • Estou bem seguro com minha gramática, o que devo fazer?!

#ótimo. Sem descuidar da gramatica, estude os Guias e os espelhos com boas notas e, sobretudo,  busque orientações dos professores com relação a estratégias de análise e argumentação. Isso pode te valer alguns pontos. Mas, ressaltemos uma vez mais: é bem complicado tirar uma nota acima da média em argumentação, sobretudo sem densidade de conhecimento.

E para investir em argumentação, vale a pena ter em mente o decálogo do Prof. Maurício Costa, adepto ferrenho do paradigma argumentista:

  1. Inicie seu texto tratando diretamente do tema proposto;
  2. É melhor argumentar algo óbvio do que não argumentar;
  3. Não tenha medo e fazer juízos de valor;
  4. Contextualize menos e discuta mais;
  5. Compare seu argumento a outro similar (se usar citações, ela deverão compor a análise do argumento para não configurarem argumento de autoridade);
  6. Não faça afirmações temerárias sobre temas que desconhece;
  7. Não parafraseie o excerto apresentado nos exercícios;
  8. Quando a pergunta for específica, responda direta e especificamente.
  9. Use abundantemente estruturas analíticas: comparações, contraposições, concessões, explicações, relações de causa e efeito;
  10. Não importa qual seja o tema, não importa o que seja proposto, trata-se da prova de redação em língua portuguesa. O que se espera de você é clareza, objetividade, capacidade de argumentação e de análise e correção formal. Jamais trate a redação como uma questão de política internacional, por exemplo.

Agora vamos falar um pouco sobre como conseguir densidade de conhecimento? Vamos ver isso no próximo tópico.

8. O Clipping CACD na segunda fase do concurso de admissão à carreira de diplomata ( CACD )

“Ah , o Clipping aumenta bastante minha produtividade na 1ª e na 3ª fase, mas não tem nada para me ajudar na 2ª fase!”

É claro que o Clipping te ajuda e muito na 2ª fase.

Já ouviu falar do DOE, a compilação esquematizada de discursos oficiais? É a ferramenta por excelência para a 2ª fase.

A compilação de discursos do DOE possibilita que você se familiarize com a linguagem diplomática e incorpore uma série de argumentos fortíssimos para a 2ª fase do CACD. Por que isso é importante? O Douglas, aprovado no concurso passado, fala um pouco sobre isso aqui no video abaixo:

Você sabe quem encabeça a banca de 2ª fase do CACD?

É o Prof. Felipe Fortuna, que é nada menos do que Professor de Linguagem Diplomática no Instituto Rio Branco. Não é por acaso que desde 2010 as redações versam sobre tema de PI e diplomacia de forma geral. Atenção>>> Isso não que dizer que isso se repetirá esse ano!

Ademais, a leitura em massa dos Clippings que você fez (ou deveria ter feio) contribui bastante para densidade de conhecimento. Vale lembrar que se no Clipping nacional é mais pragmático em termos de conteúdo (sendo o ideal para o TPS), o Clipping Internacional está aí há um bom tempo com análises geopolíticas de ponta.

Então é só ler o Clipping e o DOE que eu vou bem na parte de argumentação? É claro que não!

Vale lembrar também que além do Clipping há várias outras leituras fundamentais para a 2ª fase. Tipo:

O “Leituras“, é o livro do momento para a 2ª fase. Ao passo que o “Baquete” há muito já não faz muito sucesso entre os candidatos ao CACD e entrou para o banco de reservas. O “Pensadores“, por sua vez, começa a ser descoberto por agora e vem com tudo.

Qual vale mais a pena? #pergunteoprofessor.

No mais, para quem ainda não é assinante do Clipping, #ficaadica:

9. Idiossincrasias da banca

O erro mais grave que você pode cometer é achar que você escrever bem e por isso vai se dar bem na prova de  2ª fase.

A prova de 2ª fase não tem nada a ver com escrever bem. A prova de 2ª fase tem a ver com escrever de uma determinada maneira. Que maneira? A maneira da banca!

Pense em todos aqueles autores cujas obras são sugeridas para o CACD: Machado de Assis, Graciliano Ramos, Rui Barbosa, Silviano Santiago, etc. É altamente provável que seriam sumariamente eliminados da 2ª fase do CACD. Eles escreverm bem? Claro! Mas, repetir nunca é demais: 2ª fase não tem nada a ver com escrever ou deixar de escrever bem.

“Ah, então vou dar uma olhada nos Guias de Estudo para conhecer o jeitão da banca, certo?!”

Errado! Você vai procurar ajuda especializada já! Há vários cursinhos e professores com experiência de décadas em preparação para a 2ª etapa do CACD. A vida dessas pessoas é desvendar a banca de 2ª fase do  CACD. Todo ano eles tem em média contato com 50 espelhos de candidatos que fazem a prova do CACD de 2ª fase, o que significa que, por baixo, já leram mais de 500 espelhos de candidatos ao CACD ao longo de sua trajetória profissional. Esses, sim, são os caras que conhecem o jeitão da banca. Eles sabem o que funciona e o que não funciona.

Não estamos dizendo que você vai ser eliminado não adotando os conselhos de quem prepara especificamente para a 2ª fase do CACD. É importante que você saiba que desconhecer as idiossincrasias da banca te coloca em nítida desvantagem em relação aos demais candidatos.

Por outro lado, é importante reconhecer que há sim precedentes de redações bem sucedidas que fizeram nada menos o contrário do que boa parte dos professores aconselha. Veja  a redação que consta no Guia de Estudos de 2010 >>>

1

O que esse candidato fez é de colocar de cabelo em pé qualquer professor de 2ª fase. Você que já teve algumas aulas de 2ª etapa para o CACD já deve ter percebido como o candidato da redação acima simplesmente chutou o pau da barraca. Esse é o tipo de redação que optou deliberadamente pela Doutrina Sinatra e, tal qual o Gorbatchev, foi na onda do “I did it my way”.

Para a 2ª fase, o que se chama  Doutrina Sinatra é, sim, escolha legítima, mas altamente arriscada. Você que se sente atraído pelo “I did it my way” deve estar ciente dos riscos. 

 10. Redação dos Guias: devo me orientar por elas?

As redações dos Guias são aquelas que obtiveram as melhores notas. Então eu tenho que me orientar por elas, certo?!

Então, é uma pergunta bem capciosa.

As redações dos Guias realmente tiveram as melhores notas e são incríveis. Mas são um ponto muuuuuito fora da curva (o exemplo do tópico anterior comprova isso).

Se você estiver buscando um padrão para saber o que a banca do CACD espera de você na 2ª fase por meio dos Guias e topar com aquele exemplo que acabamos de dar no tópico anterior, o que acharia? Provavelmente que a banca endossa o uso de perguntas retórica, marcadores discursivos, 1ª pessoa! “Ledo engano” (para usar uma expressão cara a nosso querido Guilherme Bystronski, que aliás entrevistamos aqui )

Você deveria estar mais preocupado em fazer uma redação altamente eficiente do que uma redação brilhante e fora da curva (como as que estão estampadas no Guia). Redações altamente eficientes não necessariamente são aquelas que estão nos Guias. Há várias redações muito mais modestas em termos de argumentação que obtém notas tão boas quanto as das que estão no Guia.

Resumindo. A redação do Guia é um padrão, sim. Mas um padrão ainda mais eficiente pode ser deduzido, ao se analisar em conjunto várias redações que tiveram notas quase tão boas quanto a do Guia.

O problema? Sair por aí pedindo espelhos de colegas já aprovados.

A solução: há cursinhos e professores que oferecem aulas focadas em análises de espelhos. É uma estratégia muito mais rica para deduzir as idiossincrasias da banca do que a analise isolada das redações do Guia.

11. Professores e cursinhos para a segunda fase do CACD

Falando em cursinhos e professores para a 2ª fase do CACD…

Vale a pena fazer a preparação para a 2ª fase do CACD no cursinho ou com professores particulares?

Essa é outro pergunta bem capciosa!

Curiosamente, em se tratando da 2ª fase do CACD há uma grande opção de professores particulares espalhados por aí, além daqueles professores que já atuam nos cursinhos. No entanto, muitos candidatos ao CACD, por desconhecimento,  sentem uma certa insegurança de apostar todas as fichas nas mãos de professores particulares e preferem investir na preparação com os cursinhos.

redação_cacd_discursiva_diplomacia

Vale a pena lembrar que muito antes da emergência dos cursinhos no mercado de preparação para o CACD, já havia uma série de professores particulares voltados especificamente para a preparação para a prova de 2ª fase do CACD (o lendário João Daniel, chega a falar sobre isso, veja aqui).

São professores recomendadíssimos, com turmas disputadíssimas e com mais de uma década em especialização para o CACD e que podem, inclusive,  se dar ao luxo de escolher trabalhar apenas com alunos já em estágio avançado, como é o caso da Prof.ª Juliana Andrade, que aliás para nossa alegria já topou conceder uma entrevista para a gente. PS. não adianta muito contatá-la agora pois as turmas já estão cheias. Talvez um melhor momento para procurá-la seja após a 2ª fase.

Então, como saber se vale a pena ou não ir de professor particular?

Não há resposta fácil para isso. Cada professor tem seu estilo. Alguns professores, passam leituras teóricas de linguística textual, outros focam apenas na parte prática. Uns são mais gramaticistas, outros mais argumentistas. O importante é ter certeza de que o professor tem experiência comprovada na preparação para o CACD e de que o professor conhece bem o estilo da banca. Exigir menos do que isso é arriscado.

Tudo vale a pena se a alma (e a conta bancária) não é pequena.

É interessante estar disposto a testar-se com vários professores e cursinhos até achar um cuja metodologia seja mais adequada a seu estilo. Você pode vez ou outra cair em umas furadas, mas em algum lugar há um professor ou cursinho com o método certo para desenvolver melhor sua escrita. O seu santo pode bater mais com um do que com o de outro. #normal.

Há várias formas de se preparar para a 2ª fase do CACD. A única forma que não é aconselhável é preparar-se sem ajuda especializada no CACD

Falando nisso você teve uma experiência boa de preparação para a 2ª fase do CACD com um professor não tão conhecido e acha que seu trabalho merece ser divulgado? Mande um email para o Clipping que adoraríamos saber: contato@clippingcacd.com.br 

12. Despedindo e concluindo

Amigo do Clipping, esse post deu um bocado de trabalho. Por quê?

Por que a 2ª fase do CACD é um tema para lá de controverso. Há diversas perspectivas sobre a prova de 2ª etapa. O que está aqui é a perspectiva do Clipping, que só uma entre as várias existentes. Na dúvida, é aquela velha história #pergunteaoseuprofessor! Ele é quem é seu maior aliado nesse momento!

Quer conhecer melhor todas as fases do CACD? Fizemos um vídeo explicando todas elas. É só dar o play abaixo:

É sério! Esse post deu mesmo muito trabalho. Se você gostou, #spreadtheword. Dá um share ou deixe um comment. O Clipping iria adorar e como você já sabe: o Clipping não deixa ninguém no vácuo.

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Prova de redação para o concurso de diplomata: como é? | Clipping CACD
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Aprenda tudo sobre a prova de redação para o concurso de diplomata e fique na frente dos outros candidatos. Confira nossa análise detalhada aqui!
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